sábado, 10 de outubro de 2009

Hoje, Setúbal

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Setúbal. Merda, como eu odeio esta cidade. Os prédios decadentes, esclorosados, apoiados em muletas. Merda, odeio mesmo Setúbal.
O meu pai é de lá, bem como a minha família do lado paterno. Fui lá em criança, várias vezes e já na altura abominava o sítio.

Até a porcaria do hospital é especialmente mais deplorável que os outros hospitais que já conheci (vou tentar lembrar-me de não dizer mal do da minha cidade durante uns tempos).
Acompanhei o meu pai, não quis que fosse sozinho ver o pai dele que está internado depois do AVC. Está lá, atirado na cama como um trapo amorfo, uma figura em barro desfigurada que se assemelha apenas vagamente àquilo que já foi. Onde está o teu acordeão agora? Para onde foi a tua voz sempre forte e confiante, como se o mundo já tivesse sido derrotado há incontáveis épocas atrás?

Odeio Setúbal, foda-se. Odeio as tensões sanguíneas dos membros de uma família que nunca se souberam aturar, quanto muito dar. Hoje fiz de psicólogo, de mediador e de apaziguador para várias pessoas e estou de rastos.

E eu, eu gostava de um dia fazer as pazes com Setúbal. Desagrada-me não gostar de uma cidade só porque sim e há-de ter muito mais para me oferecer do que eu tenho consciência.
Mas é possível que a nossa relação já não tenha cura.

A minha sobrinha é um amor

Durante o almoço

Sobrinha - Avó, se o tio não comer tudo mete-o de castigo, 'tá?
Mãe - De castigo? E que castigo lhe dou eu?
Sobrinha - Uh... dá-lhe um pontapé.
Eu - Então? Isto agora é assim?
Mãe - Um pontapé? Mas ele é tão grande, como lhe dou eu um pontapé assim?
Sobrinha - Seguras e PUMBA!

Parvoíce aos Quadradinhos (nº32)

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Há muito tempo que não fazia um post destes, mas o meu mundo tem andado estranho e acho que esta imagem traduz bem isso.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Não me traz grande conforto saber que não é só a mim que a nossa cultura e a sociedade dá cabo da cabeça

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"Todos os anos 15 por cento dos portugueses desenvolvem uma doença psiquiátrica."


A notícia adianta ainda que a depressão é a patologia de maior prevalência e que já está a decorrer um estudo que dentro de meses poderá fornecer uma maior compreensão sobre as causas e as origens destes valores elevados.

Tenho cá para mim que não é preciso estudo nenhum porque já todos nós temos uma ideia.

Everything does end, dammit

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Death Cab for Cutie é uma das minhas bandas favoritas desde a adolescência.

Para minha infelicidade, fizeram uma música para o novo filme da estória Twilight.




E ainda porcima não é completamenta má.

O mundo está de pernas para o ar e já estive mais longe de cortar os pulsos.

Quero umas iguais em minha casa

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Pensamentos Divergentes (nº97)

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Se eu fosse melhor poeta,
sentiria a caneta na mão
como a extensão da tinta preta,
Mais que sangue, mais que uma greta
onde todos os mundos nascem e morrem,
e onde nada se mantém ou se liberta.

Se eu fosse melhor poeta,
a minha vida seria a minha arte
e em toda a parte a minha obra completa
Nas minhas palavras a emoção discreta
saberia circunscrever um valor maior,
e todos os meus versos rimariam.

Se eu fosse melhor poeta, que não sou,
conseguiria escrever sobre as tuas coxas
inconstantes
curvilíneas
em meras oblíquas alíneas num caderno de pé na cova.

Se eu fosse melhor poeta, quem me dera,
lançar em fitas o meu desafogo, este desassossego louco,
esta ansiedade palpitante que não me deixa descansar
como se mais uma linha, mais um verso,
mais um pensamento desconexo me pudesse curar
do grito afiado, cintilante, que baila na estante
de uma goela dentro de mim que não consigo alcançar
ou estrangular.

É que é este silêncio oco que me afoga,
o silêncio de quem devia estar a ouvir mas não ouve
sempre à procura, sempre com fome
sempre à procura, sempre com fome
De quê?
De mais uma palavra abalroada pelo bater taquicárdico de um coração? De mais um nó no laço fino que ato ao pescoço e que prende às minhas costas o peso de um mundo que nunca é meu?

Tudo para que um dia me enterrem juntamente com os dedos e a boca.
E os dedos de um morto não escrevem.
E a boca de um morto não fala.
E tudo o que fui e poderia ter sido é menos que pó, e tudo o que fiz é menos que um sussurro no vácuo.
"Nunca foi feliz, coitado. Escrevia para tapar o buraco. Agora está lá enfiado e tapamo-lo nós com terra. Olhai por ele, Senhor; Tu sabes sempre o que a nós nos convém."

Quando eu morrer, matem-me também esta ânsia mais a pressa de viver.
E para o caso de me enganar, enrolem-me num lençol de linho com uma caneta com a qual eu possa escrever.

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº232)

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Acho que se calhar o capitão Kirk sabe algo que eu não sei sobre como lidar com mulheres.


Pensamentos Divergentes (nº96)

Às vezes, só às vezes, ajuda pegar na guitarra às altas da madrugada.

O teu peito é mais bonito do que o meu
tem duas rosas plantadas no meio
tem na braguilha um recado que nasceu
para provar um doce devaneio

E um dia eu vou ouvir o que ele diz,
fazer da minha boca o coração

Não me deixes não
que as minhas mãos não sabem voar
e a confissão
é que o papão
é mais maior
que o amor
que ainda mal passou

Pensamentos Divergentes (nº95)

Trancou o coração numa gaiola,
tinha deixado de cantar.

Recortou um pedaço de mágoa,
colou uma cópia em cada olho,
e etiquetou à alma a esperança
de já não ter lágrimas para dar.

A figura sempre à porta
à espera de uma nesga de oportunidade.

O chacal em forma humana,
e uma avé-maria abortada,
foram a pouco e pouco rasgando
a cicatriz da sua costura.

Nasci assim.

Assim até valia a pena fazer parte da carneirada

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Pensamentos Divergentes (nº94)

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Em cima da mesa-de-cabeceira, sempre a mesma arma acarinhada - encosta a cabeça
os teus olhos foram consumados nesse leito de merda e de miséria

pega coragem na mão
e escreve

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

I'm an adult!!!

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Vocês não sabem o que eu me ri com isto. Acho que é porque já conheci gente assim.

Geoblografia

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Tenho reparado numa coisa que acho curiosa e que me ocorreu por ter ido bastantes vezes ao Algarve este Verão.

Não tenho leitores do Algarve.

Em Lisboa e no norte do país bastantes, muitos mais até do que no "meu" Alentejo. Mas Algarve nada. Ora, eu acho isto interessante porque existem bloggers do Algarve (cerca de 29.300 só no blogspot - fui verificar) e só dessa zona é que não vem parar aqui ninguém.
São os algarvios que não gostam de mim ou há aqui outra coisa qualquer?

Ora e lembrei-me disto porquê? É que parece que agora só no Algarve é que não tenho uma réstia de paranóia que alguém vá descobrir que este blog é meu. Um dia mudo-me para lá.

Would you like to be my little girl for life?

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Só queria contar a alguém que estou entusiasmado com o novo projecto/banda de Devonte Hynes, intitulado Blood Orange. Parece promissor e a sua foleirice sincera de adolescência mal resolvida cativa-me, não sei porquê.


Depois não digam que ninguém vos explica como funcionam os homens

À saída do café, com o D, depois de passar por nós um grupo de raparigas

D - Sabes o que é que me irrita?
Eu - Diz-me lá o que é que te irrita.
D - Sabes quando estás a andar na rua, e passa por ti um grupo de raparigas assim todas aglomeradas...
Eu - Sim...
D - E depois tens de decidir qual delas é a mais gira?
Eu (rindo) - Fiz exactamente a mesma coisa.
D - É, não é?
Eu - Para mim era a da camisola verde com a mala branca.
D - Para mim a da direita.
Eu - E isso, aposto, é das coisas que todos os homens fazem.
D - É terrível.
Eu - Depois, ainda por cima, fazemos equações complicadíssimas em questões de segundos para determinarmos uma hierarquia. "Esta é mais gira do que a que ia em frente mas não tão gira como a que está atrás dela". Já imaginaste a quantidade de poder cerebral que gastamos nessas coisas?

E é isto, meninas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº231)

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Bem, vou por à prova a teoria do D de que não vale a pena tentar afogar as mágoas porque elas flutuam.

Desabafo saudável

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Com a notícia do meu avô, Ela já me disse que tenho de cuidar melhor da minha alimentação. Tudo bem, não é nada com o qual não me tivesse comprometido já, bem como voltar a tentar fazer exercício regularmente, que é coisa que rapidamente cancelo com as minhas outras tarefas do dia-a-dia.

A merda é que não é por isso que vou deixar de fumar. Admito, é uma muleta para alguém que não tem resiliência psicológica para aturar sozinho a repetida sodomia da vida quotidiana e da sua própria mente. É isso e o álcool do qual por vezes abuso por razões semelhantes.

Merda para isto. Acontece tudo de seguida. O cabrão do Universo nem me deixa ter algum descanso, foda-se.
E o pior de tudo é que isto só me dá mais vontade de fumar.

Tenho um património genético do caraças

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Não bastou o meu avô, que tinha Alzheimer, morrer a semana passada e a minha avó ter também uma demência devido a pequenos AVC's, hoje o meu outro avô foi para o hospital com um AVC.

Foda-se, que um gajo não consegue ter sossego.

You are so beautiful to us

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Quem vem de uma família disfuncional faça o favor de levantar a mão. E dançar.

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº230)

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Cada vez me apercebo melhor que há mulheres/raparigas que mal me conhecem antipatizam automaticamente comigo apesar do meu incontornável carisma, e rapidamente afirmam não me suportar.

Não faço ideia do porquê e, mais estranho ainda, elas também não.

Cessar fogo

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Há alturas em que este meu coração me diz Irmão, coloca um cravo nessa tua arma e descansa.

Existe razão para tanto mal? Provavelmente não, mas não faz mal.
Choveu hoje. Pode ser que amanhã apareça o Sol.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Haemmmmm

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É possível que eu nunca mais volte a dormir. Por outro lado, encontrei uma alternativa ao LSD.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Morreu Mercedes Sosa

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Uma grande senhora, que deveria ser mais conhecida do que é. Esta foi a música dela que me marcou.



Os teus desejos eram iguais aos meus. Esperemos que haja alguém a ouvir.

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº229)

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O facto de existirem soluços é um ponto a favor do ateísmo. É um dado indicativo de que nenhuma divindade omnipotente iria criar propositadamente um erro tão estúpido e frustrante num organismo que é, de resto, extremamente complexo e sofisticado. Ou isso, ou Deus tem o sentido de humor de um miúdo de 11 anos que não tem mais que fazer.


P.S. - Na viagem de volta para Évora estive vinte, vinte, minutos com soluços.

Nestes dias na praia

  • Apercebi-me que não recuperei da morte do meu avô tão bem como pensava.
  • Aprendi que, devido à cena da gaivota da última vez, já não me sinto tão à vontade com gaivotas a pairar sobre a minha cabeça.
  • Li textos técnicos na praia e nem me custou muito.
  • Tive que enfiar uma sandes inteira na boca para apanhar as toalhas e as coisas antes que a onda gigante molhasse tudo, o que fez com que eu agradecesse à senhora inglesa que me veio acudir com um solene Mrr mh mm.

sábado, 3 de outubro de 2009

Território inimigo

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A minha namorada vai-me arrastar simpaticamente para o Algarve este fim-de-semana.
Estou a horas de chegar a terra de gaivotas, por isso se me acontecer alguma coisa fiquem bem.

Monsters of Meh

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Tenho dois problemas. Um deles, é que já percebi que quando se junta muita gente de diferentes bandas espetaculares, o resultado é frequentemente mediocre. Ainda não entendi a causa nem desvendei um algoritmo matemático que previna tal coisa, o que me leva a constantes desilusões e desgostos amorosos.

O outro problema, é que nunca consegui gostar muito de folk. Não seria algo tão grave se não fosse pelo novo projecto intitulado Monsters of Folk. O dilema é causado pelo facto de Conor Oberst, que faz letras de música brilhantes e tem um absoluto investimento emocional nas suas canções, fazer parte desta banda.

Ouvi o CD todo e não consigo gostar. E queria mesmo gostar.
Enfim, deixo aqui a música que ainda assim mais me cativou.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Que disse ele sobre mortadela?

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Como não arranjo gente porreira com quem criar música, acho que esta vai ter de ser a minha alternativa.

Rock on.

Hoje queria escrever qualquer coisa

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sobre funerais e como foi algo odioso, mas não consigo. Vamos fazer de conta que falei sobre o assunto exaustivamente para eu poder falar de outras coisas amanhã, ok?

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