sexta-feira, 25 de setembro de 2026

tanta discussão
sobre quem tem razão.

tu e eu
somos água que decidiu andar.

quem somos nós para decidir?

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

E se te disser que para encontrar Deus


Espera.

Estás a ver como a tua visão tem uma margem?

Para lá da margem… vês o quê?

Não me digas “escuro”. Toma atenção.

Que vês da nuca para fora? 

É ausência de tudo, até do “escuro”.

Um vazio que ultrapassa o vazio.


Se queres encontrar Deus

É aí que tens de procurar.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

sou gíria manifesto

    papila gustativa
da cona da tua tia.


festivalencostado

vomitando seu

                         grotesco mel



quinta-feira, 20 de agosto de 2026

 Deixa-me ser

                    um pára raios            

                                     da verdade.

                              Tenho

                        dados e dedos móveis.

                                     Joelhos cansados e sede

                                                        nos
                                                      ouvidos
                                                            .         

                        

domingo, 12 de julho de 2026

Bússola



Nunca ninguém se deixou enganar por um arrepio.

Segue os pelos como se fossem agulhas,

Deixa que a frissão e o coração te guiem.


Tudo 

o que tens de fazer 

para ver o caminho 

é fechar os olhos.


E quando estiveres totalmente só...

Seja feita a nossa vontade.

domingo, 17 de maio de 2026

Chamo-lhe O Que Eu Quiser

Há um comichão, incoçável por dedos físicos, que me responde:


Mas qual plano?

Deus está a improvisar. 

Como cada um de nós. 

Fazemos o melhor que conseguimos.


Chama-lhe “Omnimpotência”.


se não fosse por toda esta argamassa,
talvez pudesse ser um balde vazio
que preenchias com o divino

mas o cimento seca,
entranha-se nas cutículas
e faz de conta que faz parte

escolho ser
o que o mundo ainda não preencheu


sábado, 16 de maio de 2026


larga a roupa
e larga o corpo

ficamos aqui

deuses um do outro 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

 

Chegas a casa do trabalho

asas a arrastar no chão. 


Peço que me alcances o louro. 

Prateleira do topo.


Alcanças primeiro o escadote.

terça-feira, 5 de maio de 2026


Divina oculta
Tens mãos pelos pés
E que perfeita imperfeita dança

Temos tudo para brilhar

Dá-me a mão, Ícaro.

Vem ser o tempero dos deuses

domingo, 3 de maio de 2026

Uma jaula de cristais

E a jaula sou eu

Inescapável

Pressão 


Movimento.

A mudança grau a grau

Para fluir

Expressão de liberdade


Um dia serei nuvem.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

SOU
um dedo que escreve
no ar que se agita
por resposta
e movimento

Sou, um verbo no presente.

Sou um verbo no presente.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

 entre soluços de futuro incerto

nova vida

nova morte

o que faço o que faço o que faço o que faço o que faço o que faço

segunda-feira, 6 de maio de 2024

por isso quero que me digas

sem segredos nem intrigas

quem joga hoje

quem fala alto?

aquele ali é um dos nossos

vai desaparecer antes de ser?

ou temos, algum de nós, a hipótese de entrar em foco durante segundos antes do afogar da batida?

vi-te a brincar com um filho imaginário


ainda nos vão apanhar

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

(puxa os atacadores
olha a audiência)

num palco de dor pronto a salivar
a dança que faço é uma chave que se contorce

tc-tc-trac

é medo que me move?
ou um holofote de enxaquecas de falsas revelações/
não gosto de amarras
mas o seu conforto dá descanso ao maxilar

(faz uma vénia
observa o horizonte final)

sei tudo num momento

e o momento foi-se.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Densamentos Pivergentes

Saudades 

    de fumar

de não vestir um fato que disfarça um facto,

                 a consciência livre ,

    de que cada segundo de existência 

é ridículo.

            É no reflexo da morte que me vejo mais lúcido.


Que egoísmo.


        Viver para lá da insignificância

para usufruir de mais um amor, mais uma amizade, mais um copo.


                        Como tudo devia ter acabado antes do começar.

 

Porque depois do começar

                    já só há um infinito.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

cada palavra que alguma vez disseste
é um condutor solitário.

mãos no volante e linhas verticais no horizonte,
pedal a fundo, luzes rubi,
cantando desde criança como se fosse oração

"queria estar noutro lugar que não aqui".

desde sempre que a água me chegava aos pés e parecia que afogava.
não havia salpico que não merecesse pânico.
uma constante sensação de um terror iminente, com noites sem dormida num quarto sem guarida.
é que alguns de nós saem do ventre e só conhecem o esventrar. cotoveladas de amor pelo caminho, cantigas de carinho no focinho e um punhado de sonhos para constelar. 

e não é minha natureza. mas juro por tudo.

queria amar-vos a todos.
amar-vos como se ama e como alguns amam sem pensar.
amar como se respira, como se fosse intuição e sem que eu tenha de me ensinar.

amar como se fosse fácil.
como se fosse. inevitável.

mas o meu coração foi afagado em cimento
por homens com mais calos que eu e que usam máquinas em constante movimento.
e os dedos que uso são os dedos que escrevo,
mas dedos não chegam para escavar o pavimento
quando os joelhos esfolam no chão e todos vão olhar e ver só o não cabimento.

queria estar noutro lugar que não aqui.
não ter no sentimento esta lixa nem este rancor.
talvez aí pudesse estar ser melhor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

não há guerra que traves que não tenha um trago a doçura

e eu aqui sem nada para oferecer se não linhas de costura num rosa fluorescente

vibrando em dores antigas disfarçadas de sabedoria - temporariamente


mas tu vais ver em breve

que tudo o que o tempo leve

nunca foi teu realmente

e não vale a pena fazer frente

porque o que eles dizem não se escreve


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

quem é este que escreve

que não te via há tanto tempo

estás velho

e esse tumor no cérebro que antes seria uma egocêntrica metáfora

e agora é apenas um diagnóstico?

está tudo bem

mas nunca esteve bem

diz-me lá, quem fazes de conta ser

fugindo deste que ainda, ocasionalmente, te assombra

qual de nós o real

e qual o funcional?

está tudo como tem de ser

e tu vais sobreviver

revisitas porquê o fantasmas?

precisas de velhos mecanismos de defesa?

"é porque pensas demais"

"é porque bebes demais"

"é porque não cuidas da tua cabeça"

queres abrir a porta, jorrar tudo para fora, ver o que as palavras te trazem quando as enxovalhas e as arrastas por cima do teu ser, para ver no papel o que elas tiraram de ti e te observares ao microscópio porque foi a única forma que descobriste de te descobrir - como um carimbo de angústia no qual te debruças para ver se é mesmo em angústia que escreves ou se é algo mais.


mas basta isto. isto para que te odeies. para ver o narcísico em ti. a herança que não queres.


não te queres sentir esperto.

não te queres sentir maior.

quem é este que escreve.

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