quinta-feira, 19 de julho de 2012

Este é o meu testemunho


Dependendo da perspectiva, há muito tempo que não escrevo algo de extremamente pessoal neste blog. Então aqui vai.
Estar a beber sozinho até às tantas da manhã tem os seus perigos. Um deles é pensar sobre a condição humana e chegar-se à conclusão que todos nós, quer o saibamos quer não, temos em nós um profundo vazio que anseia por ser preenchido. Não nego isso em mim, embora não saiba por onde começar. Perdoem-me o texto algo caótico, mas escrevo de improviso e sem limites traçados porque isto precisa de ser cru e não sei ainda onde isto vai dar.
Eu nunca soube o que queria, um dia, ser. Convenci-me muitas vezes que tinha encontrado o meu destino, mas eu sempre tive mais talento a enganar-me a mim próprio que a enganar os outros. Não só andei sempre a querer trocar de áreas e de cursos como me causava alguma aflição a sede do meu interesse por diversas áreas. Agora, de curso feito, decidi que gostaria de poder usar a pouca criatividade que tenho e tentar ganhar a vida a fazer algo que me dê prazer, escrevendo e elaborando projectos. Ando um pouco feito parvo e sobretudo a passar por parvo a tentar meter-me em empregos para os quais não tenho formação nem experiência profissional, tudo para perseguir mais um dos meus sonhos e preencher um vazio que sinto desde sempre.
Tenho tido mais sorte do que esperava, sinceramente. Tenho arriscado em mandar os meus trabalhos assinados com o meu nome real, coisa que me assusta de forma tremenda. Consegui algumas entrevistas - embora sem resultado final - e tenho tido sempre um feedback positivo. Garantem-me que o que faço tem qualidade e que poderei ter algum tipo indefinido de futuro.
O mesmo voto de confiança vem dos meus mais próximos, incentivando-me a não parar de tentar e sobretudo a não parar de escrever. E ainda há uns poucos de desconhecidos e de mais ou menos conhecidos que andam aqui pela internet e que parecem obter algo de útil daquilo que faço. Para mim é confuso que haja esta gente toda que queira algo de mim e de um processo que é puro egoísmo e egocentrismo. E convenço-me que isto é tudo ilusão minha e vocês andam a incentivar o meu delírio de ser alguém e talvez até de ser um pouco feliz. Consequentemente acabo por me revoltar e por afastar toda a gente porque me dão raiva da minha própria incompetência e porque preciso de defender este sentido de inutilidade que insistem em ameaçar.
Algo, no entanto, me empurra e me força a continuar a luta e a continuar a tentar. E eu não sei do que se trata e desconfio que não será algo que durará para sempre. Aproveito enquanto dura. Mas é possível  que a memória não me esteja a falhar e que seja a primeira vez na minha vida que eu quero ou em que eu tenho algo para o qual lutar.

Isto é a minha forma de fazer as pazes. Comigo mesmo e com todos os outros. Podem tratar-me por T - é tão bom como o meu nome real. Tenho 26 anos. Não sei bem o que quero ser mas quero ser alguma coisa. Estou aqui para escrever, beber, ouvir música e conversar com quem tenha paciência para me aturar. Tenho o mau hábito de só pensar em mim próprio - de resto, estou ao vosso serviço.

13 comentários:

gonçal∅ incendiàrio disse...

sim, são 6:00 da manhã e vai demorar um bocadinho a elaborar uma resposta a este post. porque ele me merece, e porque sinto a necessidade de partilhar umas quantas coisas com base noutras tantas que li por aqui. mas não é com a (in)disponibilidade mental que tenho neste momento. é capaz de tardar um bocadinho, mas obterás resposta.

Anónimo disse...

"E convenço-me que isto é tudo ilusão minha e vocês andam a incentivar o meu delírio de ser alguém e talvez até de ser um pouco feliz"

Alguém tem de o fazer...

cores e outros amores disse...

já há uns tempos que não te comento, da última vez que o fiz mandaste-me para canto e fiquei um bocado amuada... mas agora apeteceu-me, mesmo sabendo que o farás novamente, se te der na gana... arriscando, então: isso passa! dói, mas não mata! hás-de encontrar o caminho, um caminho que começa no teu umbigo e prosseguirá na direcção que escolheres!

m. disse...

quem escreve "...mas eu sempre tive mais talento a enganar-me a mim próprio que a enganar os outros"... cedo ou tarde encontrará o (seu) caminho. saúdinha-da-boa, p.

T disse...

gonçalo: Aguardo, então.

Anónimo: Conheces-me de certeza.

cores: Lamento, é frequente parecer mais frio por aqui do que é intencional, não sei a que te referes mas não foi com más intenções.

m: Saúde.

Elsa disse...

Vale o que vale, mas gosto de te ler. E é bonito haver alguém que incentive o teu delírio, é sinal que se importam com a tua felicidade.

Keep goin'

M. disse...

Cada vez que leio algo que tu escreves, reconheço-me. E isso não deve acontecer só comigo. A diferença é que tu não tens qualquer inibição em admitir que não sabes o que és/queres e tens um talento enorme. Por isso não desistas, porque do alto do meu egoísmo, enquanto não desistires, ainda há esperança para mim =p

Dias Cães disse...

Revejo-me na parte de "acabo por afastar toda a gente"... pois, pois afastas.
Chego a ter medo de vir aqui e percebas que te ando a ler e, mais estúpido ainda, já cheguei a comentar anonimamente só para não te ferir a sensibilidade.
E é uma pena, porque escreves realmente bem e gostava de o poder dizer mais vezes.

T disse...

=/

Anónimo disse...

(creio estar explicada, em parte, a ausência geral de comentários nos seus posts)

T disse...

... Ouch.

C. disse...

todos temos momentos de egoísmo e desejos de indefinição que nos percorrem. enquanto te descobres nós ficamos por aqui a ler e a deliciar-nos com o narcisismo agradável que nos transmites. :)

T disse...

Double ouch.

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