domingo, 9 de janeiro de 2011

Escritofilia


Uma característica das casas da rua em que moro é que a casa-de-banho de uma casa está pegada à casa-de-banho da casa ao lado. Por isso, e por alguma desconhecida propriedade acústica dos canos sanitários que trespassam uma fina parede que separa duas realidades, torna-se extremamente fácil a partir dessa divisão escutar a vida dos vizinhos, o que propência a uma espécie de voyeurismo auditivo. E às vezes dá-se o caso de um gajo ir apenas dar uma mija e acabar por ficar 15 minutos na casa-de-banho porque há o som de um chuveiro e de mobília e objectos a caírem por todo o lado, uma criança a chorar, um homem a reclamar e uma mulher a gritar "Eu não mereço isto, ouviste?".
Porque comecei a sentir-me extremamente baixo vim para aqui escrever qualquer coisa para fazer de conta que a minha cusquice faz parte de um processo literário e por isso é arte e por isso tenho desculpa e não sou tão mau assim. É que se não me conseguir enganar não consigo adormecer.

4 comentários:

O cozinheiro solitário disse...

Olá a todos os que vão ler este comentário neste blogue ou noutro muito bom como este. Pois é, estou encantado com todos estes posts bem feitos, quase que desenhados. Pois, eu gostava de fazer igual, mas não consigo. O meu dilema agora é cozinhar… A vida é dura e obrigou-me a morar sozinho, e a cozinha não é de todo o meu local favorito. Mas estou a tentar conhecê-la, mas as aventuras têm sido imensas. Fiz um blog humilde para colocá-las em forma de crónica pouco extensas. Gostava muito que todos vocês o visitassem e se possível o seguissem. É que tentar cozinhar e depois não ser ajudado, é algo muita mau.
Cumprimentos a todos!

http://tenhosalfaltamecolher.blogspot.com/

T disse...

What... the... fuck

Diz-me lá uma coisa, tu és o pirussas? É que este tipo de bizarria geralmente vinha dele.

patrícia disse...

Oh T, so' a ti e' que te acontecem destas. ahahah

sacana disse...

caso para dizer "bela merda" de comentário.

mas indo ao que interessa, ouvir os vizinhos a fazer o amor é bem melhor e, devido à idade das paredes e chãos do prédio onde moro, não é preciso ir até à casa-de-banho.

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