quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mística eborense

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Os loucos de rua têm o seu valor. Encontrava-me na companhia de amigos na Praça do Giraldo, embriagados pelo álcool e pelo vazio da vida, contemplando uma fonte (simbólica da nossa cidade) recentemente restaurada. Desejei nesse momento, por não encontrar, algo profundo que desse significado à presença das coisas. E a cidade, como que ouvindo as minhas preces, envia-nos na sua magnífica benevolência um daqueles perdidos da vida. Um louco, um embriagado, um perdido, que desejou na melhor das intenções partilhar connosco a sua loucura.

Entrou a matar com o seu assédio filosófico, perguntando-nos o que andamos nós a fazer cá. Despejou em nós a história convulsa da sua vida, em linhas desconexas - a sua própria existência tinha sido arrítmica. No seu delírio (talvez sem o saber) deu-nos uma chapada de realidade em 30 minutos desconversados.

Os loucos de rua têm o seu valor.

6 comentários:

benjamim machado disse...

não foi o sr. pais martins ou foi? eu conheci alguns desses loucos de évora. évora está cheia deles. basta apenas ter paciência para os ouvir - às vezes também não há paciência.

T disse...

Não pá, se bem que já me encontrei umas quantas vezes com esse.

pedro disse...

a praça do giraldo é bonita. eu gosto!

marta filipa disse...

a minha casa é então o cumulo da confusão.

Pedro disse...

Tudo tem o seu valor. Mas nem todos. Nem todos.

sacana disse...

os loucos também têm uma certa tendência para monologar comigo, nunca percebi muito bem porquê.

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