quarta-feira, 6 de junho de 2012

Não progressivo


Perdoa-me este texto, mas sabes que as palavras fazem ninho na minha boca e recusam-se a voar como as asas das suas intenções as deveriam impelir. É que há sonetos e relâmpagos, todos os dias. E são porque passas por mim. E o teu sorriso, seja de simpatia ou de pena, carrega-me a bateria dos sentidos - não fossem os meus movimentos desconexos e descoordenados da motivação recta que é alcançar-te e poderia mostrar-te o que tenho em mim. Mas aqui, de onde te vejo, dentro de mim, mal posso chegar até ti. Nem as minhas pernas funcionam para correr atrás de ti ou te beijar. Porque a natureza da minha carne foi outra e eu nada posso fazer quanto a isso. Estou preso neste corpo e preso à tua adorável e irresistível aura. Sou assim o fio tenso entre dois pontos amovíveis e eu já só desejava quebrar de não te poder ter para mim, de não poder se quer ter-te a olhar para mim como olharás para outros, por uma só vez que fosse.
Queria que o soubesses. Nada mais espero que o teu conhecimento da nossa condição. Serei sempre teu. Distante, mas sempre teu.

2 comentários:

maria joão moreira disse...

se eu disser que está muito, muito bonito... será suficiente? está fantástico!

Anónimo disse...

Gostava de ter sido eu a escrever... Fabuloso..

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