sexta-feira, 20 de abril de 2012

Já dizia a Bonnie Tyler



Todos os dias tenho desgostos de amor. O meu último grande desgosto de amor foi com a profissão que escolhi para mim próprio, mas não há dia que passe em que não tenha pelo menos um pequeno desgosto de amor. Uma vezes é com o meu país, outras vezes é com um novo álbum de uma das minhas bandas preferidas que acontece eu achar ser mais fraquinho, e ainda há outras alturas em que fico com desgosto de amor por ter estado a cozinhar uma refeição e não resultar como eu tinha imaginado. E todas as semanas tenho um qualquer desgosto de amor com o mundo ou quem nele habita.
Quando tive o meu primeiro grande desgosto de amor tinha os meus 16 anos e foi por causa de uma rapariga que me deu com os pés. Foi o primeiro e o maior. O que acontece com os desgostos de amor é que habituamo-nos a eles - não há outro remédio. Chegamos até a procurá-los pois eles são necessários para a vida. Ter desgosto de amor é simplesmente ter algo no qual se depositou carinho, tempo e afecto e acabou por não resultar como queríamos. E passar a vida a ter desgostos de amor, mesmo que pequeninos, é a capacidade de amar para além do amor.
Quem se quer proteger de desgostos de amor quer-se proteger de viver, porque só vive quem vive com o coração quebrado, que é para isso que ele serve - para ter algo para remendar, encontrar novo remendo e voltar a usar até se partir de novo.

3 comentários:

Bolacha disse...

Olha, isto não é um comentário comentário fantástico e tampouco traz algo de novo. Desculpa lá, apenas senti a necessidade (devo estar num dia bom, eu...) de dizer que é por merdas destas que o teu blogue é, há muito tempo, um dos meus preferidos. Pronto, era isto.

T disse...

obrigado. É muito bom saber isso.

Pedro disse...

fantástico.

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