segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Há quem ache que o romantismo morreu quando as mulheres deixaram de desmaiar.



Em tempos passados o mundo parecia ser feito para súbitas tontura que avassalavam a condição feminina. Podemos vê-lo em filmes antigos em que uma cena de desmaio era praticamente obrigatória e não havia uma dessas cenas em que não se encontrasse um sofá ou divã convenientemente localizados para aparar a queda da mulher emocionalmente atacada. À falta de mobília adequada existia o homem, a ligação amorosa do filme, que acolhia a jovem nos seus braços - o príncipe que salvava a princesa.
Quem perdeu foram as mulheres. Graças às feministas - as verdadeiras feministas que lutaram pela igualdade de direitos entre géneros e não esta versão pop moderna que cabeças e corações mais vácuos gostam de aderir - percebemos que gostamos mais das mulheres fortes. Que as mulheres fortes, em espírito e em temperamento, não só são mais femininas como também sedutoras e maternais. Agora que já não é moda desmaiar perante um pequeno susto ou um comentário grosseiro, é mais difícil para uma mulher ser envolta por um homem que lhe interesse sem as consequências de mais tarde ser considerada fácil ou pelo menos "pouco desafiante". Além do mais, ao desmaiar as mulheres fracas tinham o benefício de poderem, sem vergonha, aceder a apoio durante momentos de fraqueza e as mulheres fortes, fingindo-se de fracas, podiam manipular os homens que fossem seus inferiores para os seus propósitos. Nos temos modernos as mulheres fracas têm de, injustamente, fingir serem fortes sob o risco de verem rejeitados os seus poderes de sedução visto que já não gostamos de mulheres fracas. Por outro lado, as mulheres fortes nunca são fortes que chegue porque a nossa cultura continua a odiar tudo o que associa a características femininas (seja em homens ou em mulheres) e qualquer exibição de fraqueza é imediatamente explorada como não se estando a par dos homens; e frequentemente são alvo das mulheres fracas que, por serem mais numerosas e invejosas, querem fazer da sua vida um inferno. Mas, felizmente, as mulheres verdadeiramente fortes acabam por ultrapassar isso ou, pelo menos, aprender a viver com isso.
Penso que é facil de ver que o romance não morreu desde que vejamos sem olhos antiquados. Ao mesmo tempo, penso que não há mal nenhum num par de desmaios justificados, principalmente se forem nos braços um do outro - na cama ou não.

8 comentários:

patrícia disse...

bravo. não podia concordar mais!

T disse...

=)

Vanessa Quitério disse...

Uma opinião bastante pertinente, aos olhos de um homem, o inigualável T e o seu Mundo Hipotético dos Ses :)

wapy disse...

Muito bonito :D

A sério, muito bom :) Se bem que acho que se podia acrescentar que até as mulheres fortes têm momentos de fraqueza... Mas tal como escreveste, as mulheres fortes são as que conseguem superar isso.

T disse...

Tentei referir isso quando falo da desvantagem de as mulheres fortes não poderem dar qualquer sinal de fraqueza visto que continuam a ser seres humanos. Poderei não ter sido suficientemente claro.

Mafalda disse...

Temos -> Tempos modernos.. acho que te falhou ali um p.
Gostei :)

Joana disse...

Ainda bem que eu tenho tensões baixas.

Joana disse...

Mas belo texto! Gosto especialmente da parte que refere as mulheres invejosas como sendo fracas - e são mesmo.

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