quinta-feira, 18 de março de 2010

Madalena, M.

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Tinha os olhos aparafusados ao céu. Esperava uma chuva que lhe chovesse uma voz pela garganta afora, um canto retorcido em melodias inaudíveis. Mas o azul dos seus olhos negavam-lhe as nuvens, como que provocando-o ainda mais.
A única coisa que o prendia ao chão era o estômago que o puxava contra a terra sempre que os lábios dela ameaçavam cortar a matéria do ar. Eram feitos de uma explosão de sangue e de luxúria, congelada no tempo e no peito - o peito que irradiava punhais daninhos; crescem cravados aos molhos, favorecem-lhe ainda mais a figura.
Abriu-se nele a vontade de arruinar ainda mais beleza tão violenta com o seu próprio corpo. O desejo gritava-lhe nas víscera, apertava por ser saciado. Se ao menos ela o autorizasse a violar-lhe a carne, perfurar-lhe a alma, tirar-lhe um bocado que pudesse ser só dele.
E ele sabe que deveria ser preso para sempre, enfiado num buraco como um animal e ter arrancados a língua, o sexo e os olhos. Pois o que é o amor e a paixão se não a mais sublime forma de violência?
E a paixão que ele sentia era o maior crime.

2 comentários:

benjamim machado disse...

já leste georges bataille? há qualquer coisa aí que me fez lembrá-lo.

gostei

T disse...

Nunca li, mas se agora já comecei a plagiar autores que nunca li estou mesmo fodido.

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