quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Emancipação Andrógena

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A verdade é que a nossa sociedade trata muito mal as mulheres. Pelo menos em questões sexuais.

Forçamos-lhes a ideia de que o sexo é algo mau, perigoso, que tem de ser sempre acompanhado por amor senão torna-se sujo e vergonhoso. É curioso que diz-se da virgindade que ela se "perde" como se se tratasse de uma perda irrecuperável, a morte da bela inocência. Só para as mulheres claro, homem virgem é maricas.
É que com os homens a acção sexual é perfeitamente natural. Temos um duplo padrão ao qual eu admito já ter sucumbido mais que uma vez.

Pura e simplesmente, por um prima moral, não é permitido às mulheres que sejam algo que não um ser assexuado. Tudo tem de girar à volta do amor, esse objecto idolatrado que disfarça a acção em si. Porque, sejamos honestos, sexo é uma coisa e amor é outra e são raras as vezes em que realmente cruzam em oposição às ocasiões em que não se cruzam.
Por isso também nos damos muito a eufemismos para mascarar a terrível verdade humana do sexo feminino. Do homem diz-se que está "excitado", da mulher que está "carente". Do homem diz-se que "quer foder" aquela mulher, da mulher que "acha o homem atraente". Do homem que "quer levá-la para a cama", da mulher que "está apaixonada".

E eu não censuro as mulheres por tentarem enganar o mundo todo, fazendo de conta que não têm impulsos animais exactamente iguais aos dos homens. É que vai a saber-se a verdade em relação a alguma e cai-lhe o mundo em cima. As mulheres compatriotas acabam por dizer mal dela e ostracizá-la para encobrir as suas próprias inseguranças, e os homens por alguma estúpida razão (ou pela falta dela) acabam por perder-lhe o respeito partilhando pormenores insidiosos, frequentemente falsos, com quem se dispuser a ouvir.
Uma mulher que seja capaz de ter relações sexuais ocasionais, sem problemas, é uma oferecida e uma puta desavergonhada. Um homem que faça o mesmo... tem simplesmente uma pila entre as pernas. (Claro que tudo depende do nível de maturidade e da forma como as pessoas encaram o sexo em si, mas isso fica para outro texto.)

Não posso ser só eu a achar isto ridículo.

Por isso faço-vos uma proposta. Vamos tentar acabar com isto, está bem? Acho que o mundo já teve mais que a sua parte de gerações sexualmente inibidas e opressoras. É assim tão difícil aprendermos a respeitar-nos a nós próprios e ao outro e deixar o acto sexual ser apenas a partilha de um momento de prazer no qual duas pessoas estão o mais fisicamente ligadas possível? Que as mulheres têm desejos sexuais iguais aos dos homens e que os homens têm sentimentos iguais aos das mulheres?
Bem que podiamos fazer um esforço, nem que seja para que os nossos filhos não saiam tão complexados como nós.

Eu, para ser sincero, acho que nos falta a maturidade para isso... mas porra, tentar não custa nada.
Ou melhor, custa. Mas custa menos que a alternativa.

5 comentários:

a Ruca disse...

Também eu, faço parte das pessoas que acham ridículo.
A verdade é que felizmente já existem mais pessoas com este pensamento. Muito disto terá de partir principalmente da atitude da mulher.
É difícil, é. Já disse com todas a letrinhas que queria foder e a expressão dos meus mais próximos não foi de todo a mais agradável. Tive de explicar com todas as palavrinhas também que sou um ser sexual e que tenho as ditas vontades.
Sad but true. É o mundo em que vivemos, mas aos poucos vamos mudando ;)

Vanessa Quitério disse...

Debato-me todos os dias com essa questão castradora da necessidade humana de "sexuar" com alguém. Como referes se temos one night stands somos "putas e oferecidas", o homem é macho e forte. Se nos deixamos guardar somos umas virgenzinhas idiotas que não sabe o que é bom e o que perde. Sinceramente irritam-me as mentalidades puras do esconder de necessidades. Não sou animal insaciável, alimento-me de prazeres e muitas vezes nada puros. A própria sociedade instiga a que façamos nas escondidas o que poderia ser feito à luz da racionalidade e normalidade. Sou fiel, não engato ali na esquina. Mas estando livre de compromissos sinto que não faço mal em experimentar outras vivências. Está-me já na mentalidade (open mind) a questão sexual das relações. Protegidas, consentidas e racionais. Não sucumbo a desejos de morte, mas não resisto a noites de prazer por prazer, nesse matar de desejo natural animal.

Os tabus sempre existiram e existirão. Vai haver sempre pessoas a pensar que somos umas putas por dormirmos com mais que um, e tu, rapaz, vais continuar a ser o maior da tua aldeia por "comeres" a vizinha, a prima, a tia, a estrangeira, a miúda do bar... Enquanto não formos colocados em pé de igualdade, vai haver sempre a distinção em quem "fode" e em quem é "fodido". Falando mal e depressa, queria dormir contigo mas não posso. Estaria-me a oferecer.

(no caos da escrita, na verdade e no real, o que escreves neste espaço toca temas que deviam ser assuntos de estado) :)

vanessa

homebythesea disse...

T, a Ruca e Vanessa: Amen! Faço minhas as vossas palavras!

T: como sempre, assuntos pertinentes. Gosto da forma como vês as coisas. Somos poucos a pensar assim, sabes?

PaT disse...

Podemos ser poucos... mas somos bons! :)

Ariel disse...

Bem eu parti-lho da tua opinião e francamente, perante este texto sinto-me sem nada a acrescentar. Eu não censuro sexo por sexo, alias cada umz a sua vida sexual como quer por isso ...

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