terça-feira, 28 de abril de 2009

Pais e filhos


Existe uma frase do antigo testamento que sempre me suscitou muito interesse.
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"Os pecados do pai recaem sobre o filho"
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Quando somos pequenos, consideramos que as entidades que cuidam de nós são divindades todo-poderosas. O mundo foi feito à medida delas, não à nossa.
Podem tudo.
Comandam tudo.
São os detentores de todo o conhecimento.
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Até, claro, a adolescência.

É exactamente a desmistificação das figuras parentais que causa a rebeldia e a revolta às figuras de autoridade neste periodo de vida. Isso e a consciência de que, à medida que crescemos, começa-nos a servir a roupa deste mundo. Aos poucos, bem ou mal, tomamos-lhe as rédeas.
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E acho que chega mesmo uma altura, no final da adolescência ou início da vida adulta, em que temos medo de nos tornarmos como os nossos pais. De cometer os mesmos erros, as mesmas imbecilidades. De começarmos a pensar da mesma forma.
De, no fundo, perder o sentimento único da juventude. Dizer adeus à Terra do Nunca e tornarmo-nos naquilo que mais desprezámos: adultos.
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Isto poderia ficar por aqui se não fosse a psicologia indicar que nos transformamos realmente nos nossos pais.
Mais ou menos.
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A verdade é que a perturbação dos pais passa para os filhos quase que por osmose. Herdamos as nossas disfunções, as nossas inseguranças e os nossos medos da primeira e mais forte relação que estabelecemos na vida. Esta foi determinada pelas disfunções, inseguranças e medos dos nossos pais que, por sua vez, herdaram o espólio dos seus pais e por aí adiante, num ciclo difícil (mas nunca impossível) de quebrar.
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Os pecados do pai recaem sobre o filho.
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Se deixarmos.

1 comentários:

Ostronauta disse...

e sobre a filha?




enfim, obviamente a minha interrogação foi a brincar, tu és o que conseguires ser e por um lado o que quiseres, só tens é que te esforçar um pedaço.

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