sábado, 12 de maio de 2012

Pedro Passos Coelho tem razão



Não leram mal o título. Por grande que seja o meu asco pelos políticos portugueses, em particular pelos das direita e mais particular ainda pelo Passos Coelho, numa coisa ele tem razão. Afinal de contas, até um relógio avariado dá as horas certas duas vezes por dia. E eu sei que vocês não estão a gostar nada de ler isto mas dêem-me uma oportunidade para explicar.
É que como se lê no Público Online " O primeiro-ministro apelou hoje aos portugueses para que adoptem uma “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida” ". Começando pela parte final, é uma estupidez dizer a alguém desempregado para não considerar o desemprego como algo negativo, embora no seu mais básico seja verdade que isso pode ser considerado como uma oportunidade para mudar de vida. Falta de empatia por parte do primeiro-ministro à parte, estou de acordo com a primeira parte da afirmação de que os portugueses têm de ter um outro tipo de atitude, particularmente os jovens.

Uma das coisas mais difíceis de aprender é a não viver dominados pelo nossos medos e inseguranças. É das mais difíceis porque passamos pelo menos as primeiras duas décadas formativas da nossa vida a aprender o oposto. A ter medo de tudo e mais alguma coisa e a jogarmos pelo seguro;  a agarrarmo-nos ao que não nos magoa mas que também não nos recompensa. E é assim que os catraios ficam proibidos de subir aos muros, os adolescentes entram em bons cursos da universidade com "saída profissional" mas que não lhes interessam para nada e os adultos não têm confiança para seguir em frente esmagados por tudo o que lhes correu mal na vida.
Fazendo-se as coisas às direitas (ignorando o oximoro), ensinavam-nos que podíamos fazer as coisas mal e que errar não tem nada de errado. Mas parece que desde os Descobrimentos que Portugal se veio a tornar num povo cobardolas, muito por culpa das estirpe da direita. Fazendo-se isto bem, tinham-nos ensinado antes a seguir as nossas paixões e tolices e quando isso não corresse bem incentivar-nos-iam para continuar a lutar em vez de estar lá para dizer "Eu não te disse?" ou "Vês no que te foste meter?".
Tenho 26 anos. Estou desempregado há pouco tempo, muito menos que grande parte dos meus colegas e amigos. E sempre quis escrever e talvez um dia fazer disso a minha vida e só agora estou a aprender, aos poucochinhos, a tentar saltar por cima daquele medo que me diz sempre para desistir e que não vale a pena tentar. É que nem é preciso ficar à espera que os outros façam pouco de mim quando eu falhar - fui tão bem treinado que faço isso a mim próprio. E não há nada que eu tema mais do que passar por ridículo, mas como diz o 'Tuga, quem não arrisca não petisca e eu já me fartei de me fazer passar fome.

Tudo isto à parte, não é só o desempregado que tem de lutar. Têm de haver algumas condições externas (culturais ou económicas) que recebam ou amparem quem precisa e quer arriscar. E não é isso que o primeiro-ministro quer fazer. Por isso, para vocês que se deram ao trabalho de ler tudo respirarem de alívio, no final deste texto deixo esta frase: o hipócrita do primeiro-ministro que se arrisque a ir apanhar no cu.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº592)


Os dias mais perigosos são aqueles em que eu não tenho medo das consequências de dizer o que me dá na gana dizer.

I know because the fuckers got me too


Dizes que o problema foi eu sempre ter sido um intelectualóide e pensar demais e não ter chegado a ser criança. Um menino prodígio com más notas por não se conseguir concentrar.

Eu cá acho que o problema é mais ninguém se aperceber desde cedo exactamente o quão fodido está para o resto da sua vida.

Pensamentos Divergentes (nº285)


o teu nome
desde aqui
só significa desespero
neste quarto sozinho
com o teu cheiro
em que as memórias escorregam das paredes
e rolam no chão para tropeçar

e com que cara posso eu falar
ou respirar
sílabas que não posso mais juntar

e tu
que já não vens
o mundo que não acaba logo
como é suposto
venha o seu fogo
para queimar tudo o que resta no nosso firmamento
minhas roupas esfarrapadas como eu

Romantonautas, espectadores impassívos e vítimas de amor à primeira vista



Quando nos apaixonamos por um desconhecido apaixonamo-nos não por quem é mas por tudo o que não é. O que apaixona é tudo o que a pessoa pode ser e portanto o amor que se sente é amor pelo desconhecido e pelas infinitas possibilidades e hipóteses que se tapam em mistérios que pedem para ser revelados. É o potencial da descoberta que nos atrai, como quem joga no Euromilhões porque enquanto se desconhecem os resultados há sempre a remota hipótese de calhar a sorte grande.

E é como tudo o resto: há sempre vícios e viciados. Há quem se vicie pelo oculto e pelo desconhecido do outro. E para muitos acontece que, por o amor ser pelo desconhecido e não pela pessoa, quando mais se desvenda o mistério menos mistério ele se torna e portanto perde o interesse. Às vezes nem precisa de ser porque ao conhecer o outro se percebe que ele nem tem os atributos que mais apreciamos. Às vezes é só porque perdeu a piada e a adrenalina da procura de conhecimento. E o que não falta por aí são outros mistérios à espera de serem descobertos.

Não é nada de negativo, na verdade. Muito pelo contrário. É a curiosidade e a paixão pelo desconhecido que nos dão razão para existir. O truque parece antes estar em aprender a amar para além do mistério, a amar o processo de descoberta em si e não só o desconhecido. E é isso que há de mais maravilhoso nas pessoas, há sempre algo mais para descobrir. Nem que seja porque estamos sempre a mudar e a mudarmo-nos uns aos outros.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Este blogue esteve quase quase a mudar completamente de aspecto


Depois acagacei-me e ficou assim.

E entretanto esqueci-me de jantar.

Merda.


Actualização: Após dormir sobre o assunto acabei por o pôr praticamente como estava.

Still about me now


Se eu alguma vez parecer que eu sei o que estou a fazer é por acaso porque eu nunca sei o que raios estou eu a fazer e como é que venho parar no meio destas situações.

Por este andar o Dexter vence as próximas eleições e ainda ficamos melhor servidos do que estamos agora


"O cérebro dos psicopatas tem menos massa cinzenta"

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº591)


Vai-se a chuva, aparece o Sol e de repente a rua encheu-se de mulheres e jovens raparigas.

Não me estou a queixar.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pensamentos Divergentes (nº284)


entraste como uma tempestade
pensamentos a ribombar
descoordenados sentires como fazemos em dias que o peso que carregamos
gravita prestes a filtrar pelos pequenos espaços que se guardam sempre para depois

dá-me a tua mão
e eu tentarei mostrar
que o amor só tem os limites que lhe pintarmos à força dos nossos medos
e repousa nos meus ombros que o dormir é descanso e amanhã haverá um amanhã

terça-feira, 8 de maio de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº590)


O Cerberus não devia antes ser descrito como três cães com o mesmo corpo em vez de um cão com três cabeças?

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº589)


Em dias de calor, o factor determinante da direcção do meu penteado é se conduzi ou se fui no lugar do passageiro.

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº588)


Só quem visita os seus cantos mais escuros vê na sua plenitude a auréola da claridade.

Oh your mask is slipping


É quando estou no meu mais neurótico que me sinto pior e estou no meu melhor.

As Aventuras de Capitão Arruína-Tudo!



O único super-herói equiparável ao Capitão Arruína-Tudo é o Doutor Cirncunstância Infortuna, mas infelizmente não me deu autorização para o retratar.

Pensamentos Divergentes (nº283)



militarizemos os nossos quartos
façamos guerra nas nossas camas,
mesmo que seja a fingir
diz que me amas.

se queres conhecer o frio
como o conheço,
queres conhecer o meu corpo
como o conheço,
vê como é solitário o nosso amanhecer

porque dizes todas as coisas erradas
no momento certo
senta-te aqui ao meu lado
neste deserto,
escorre líquido dos lábios para eu beber


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pensamentos Divergentes (nº282)


enquanto sinistros artefactos se erguiam
misteriosos no colchão dos físicos umbrais
ninfas de desassossego pulsavam nos pés,
um pântano de amor rendido na teia dos sentidos
para beijar
uma
vez
mais

Leiloar o Cavaco Silva pela internet poderá ser solução para resolver recessão portuguesa


"O esqueleto de um dinossauro vai a leilão este mês pela Internet, com uma base de licitação de 875 mil dólares (671 mil euros)"

Yip yip yip yip yip yip yip yip


É Segunda-Feira.

domingo, 6 de maio de 2012

Pensamentos Divergentes (nº281)


minha amiga, meu amor
julgo sabermos viver a mesma dor
do tocar sem saber poder tocar
e do cruel ceder de um possível terno olhar

e se eu fosse teu cavaleiro escondido em armadura
levava-te para longe para uma nova aventura
para um sítio sem hesitações, dúvida ou saudade
podendo abraçar-te de verdade

tudo o que eu quero é poder ser o teu cais,
porque há algum lugar em que o céu estrelado brilha mais
e a noite é quente que chegue para dormirmos ao relento pelas ruas
e fria o suficiente para nos aquecermos as duas

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Just a matter of time


Quem ama de portas abertas é roubado e nem se rala com isso.

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº587)


Não tenho a certeza se algumas das minhas bandas favoritas simplesmente estão a fazer álbuns cada vez mais fracos ou se os meus gostos mudaram ligeiramente e a nostalgia é a única razão pela qual ainda gosto das suas coisas mais antigas.

O outro lado do outro lado do espelho



É difícil não me perguntar por vezes como teria resultado a minha vida se se alterassem algumas componentes incontroláveis da minha circunstância. Que tipo de pessoa seria e quão diferente seria essa pessoa da pessoa que sou se tivesse frequentado outra escola em criança, ou tivesse nascido noutra cidade. Se não tivesse conhecido alguém ou lido um dos livros que li. Todos temos destas perguntas, suponho.
Dá vontade de calçar sapatos com solas interdimensionais. Poder visitar a belo prazer realidades alternativas que girem à nossa volta, mundos hipotéticos plausíveis mas sempre indisponíveis na nossa curiosidade. Há sempre coisas fora do nosso controlo que nos moldam e seria irresistível ver de que forma teríamos ficado melhor ou pior se se tivesse colocado a vírgula à esquerda num ou noutro factor.
Por outro lado, é bem possível que a melhor realidade em que podemos existir é uma realidade em que não temos o peso de conhecer o nosso destino noutras realidades. Jogar com o baralho que temos e não lamentar que não nos tenha calhado mais um trunfo que esteve quase para nos ser dado. Talvez seja essa a única forma de podermos jogar o melhor que podemos para sermos o melhor que podemos ser em vez de pensar no melhor que poderíamos estar.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº586)


Razão nº 3896 porque o meu blog nunca virá a tornar-se num daqueles blogs super populares: Não me mantenho a par de nada, não sei nada sobre o que acontece e consequentemente tenho de googlar o nome Rita Pereira para saber quem raios é ela.

Pensamentos Divergentes (nº280)


gritando precipícios
é nada mais que constatações
de recordações
dos meus mundanos vícios

segredo e revelação
das conversas a porta fechada
da infância passada,
os espectros da minha sustentação

só a noite tapa o anfiteatro
insuficiente para o meu fogo ateado em palha
cortei os seus tendões com uma navalha
de metal forjado em '94

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Baratas e como o barato sai caro


Há pessoas que fazem da tristeza o seu triunfo pessoal. Lançam suspiros que são leões esfaimados para devorar quem se encontre no seu caminho. E nós temos tendência para admirar o sofrimento e as pessoas que sofrem, mas esse não é o problema. O problema é que não sabemos de forma colectiva reconhecer uma pessoa que sofre propositadamente por só sentir que tem valor e que é amada quando têm pena dela e reconhecer que isso é mau e deve ser eliminado da nossa cultura em vez de reforçado. Até lá, teremos sempre uma grande parte da nossa população que prefere ser um bicho pisado pelos outros do que tentar ser feliz e arriscar a fracassar. Porque a miséria podemos tê-la sempre como garantida, mas num jogo de sorte (ou azar) tomamos decisões que não se sabe no que vão dar.

So I tell stories


Pelo menos um centésimo do que digo, metade do que faço e o todo do que escrevo é porque quero viver em todo o lado. Menos em mim.

Coisas que preciso de escrever para me fazer acordar


Sou autodestrutivo. Agora é que faço de conta que não. Já não tomo os riscos estúpidos que tomei na minha adolescência, mas este meu gosto e necessidade de me rodear de miséria e sofrimento é porque sou viciado em angústia. E eu tento fazer disso algo melhor, querendo tornar-me num paladino de esperança. Mas para o tipo de pessoa que eu sou os meios são sempre mais importantes que os seus fins. O resto é fingimento. E mesmo que não seja e eu na verdade seja mesmo melhor pessoa do que acho isso não interessa, pois não me permitirei ver isso. Vou sempre procurar por motivos ulteriores nas minhas crenças e atitudes. E por vezes a questão parece girar à volta de quando chegará a altura em que me terei tornado suficientemente bom a enganar-me a mim próprio para que eu me sinta feliz comigo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Coisa Que Um Gajo Coiso nº(585)


Hoje senti-me desmoralizado por, para todos os efeitos, não poder celebrar o Dia do Trabalhador. Tendo em conta o actual panorama económico, quando é que organizamos aí um Dia do Desempregado? Para além de uma aliteração ficar sempre bem, já agora fazia-se algo de útil - a cena de feriado para não trabalhar e ficar em casa não se aplicaria por motivos óbvios, mas podíamos durante um dia acabar com voluntariados que corrompem o mercado de trabalho, bem como os "estágios profissionais" de 3 meses e os ditos falsos recibos verdes. Havia assim pelo menos um dia do ano em que todos tínhamos melhores oportunidades para arranjar um emprego com menor precariedade e exploração. Isto porque pelos vistos não é realista terminar com as constantes falcatruas durante a maior parte do ano. Afinal de contas somos mais que suficientes neste país para pedir um dia só para nós. E até que merecíamos um diazinho para descansar do não trabalhar.

Foda-se! (nº77)


O pessoal das finanças não só me dá mais um ano de idade como insiste que sou de Vila Viçosa. Quando confrontados com este óbvio erro de registo de dados e constatando que estes dados foram introduzidos poucos dias depois de uma passagem de ano, perguntam sem ironia se eu não terei apanhado uma bruta bebedeira e viajado até Vila Viçosa para tratar do meu número de contribuinte e agora já não me lembro de o ter feito. Foda-se.

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