domingo, 2 de fevereiro de 2014

The Quint of my can


Despejar o meu coração é tudo o que quero fazer. E todos os dias queria-te pedir desculpa por só o conseguir fazer desta forma fria, com a formalidade de quem preenche um inquérito enquanto espera que alguém chame a sua senha.

É que isto de sentir, para mim, é como qualquer outra dieta ou regime. É tudo uma questão de rigor.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº335)


Se um dia
esta poesia
ou espécie de cacofonia redundante
me entrar de rompante pela porta,
alguém que me espante o grilo falante
- que o espezinhe, esfole e deixe a casca morta,
que chame a sua mãe para descompor o agiota,
qualquer coisa que deslembre
ou desmembre a reles rima que ele arrota.
É que a cepa já vai torta
e é certa a hora, como agora,
em que já ninguém o suporta.

Pensamentos Divergentes (nº334)


Sempre que o tempo pára,
olho.

Não é a mão que se move
nem o corpo que se agita.

É a folha de nada lá fora.
E eu olho.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº333)


Não entendi se falavas português,
ou qualquer outra melodia incompreensível.
Como se as tuas palavras fossem chaves de ouro
e os meus ouvidos não tivessem a forma correcta para as ouvir.

É que eu não acredito em anjos.

Louvor


A parte difícil não foi dizer adeus. Foi dizer tudo o que não fosse adeus, naquele momento em que todas as coisas se tornam claras. E ao fazê-lo, perdem o seu sentido.
E eu que sempre fui uma flausina dos tempos vagos, um romano erguendo labaredas fúnebres aos deuses do desespero. E mais outras metáforas presunçosas que o tempo me permitiria ter se não fosse curto o meu talento.
E tu, uma paz de alma. Sempre descansada. A Santa Imaculada da Paciência. Sempre calma, sempre composta. Foda-se, não imaginas como isso sempre me irritou, mãe. Tu e a merda da calma. Dizias que a irritação era desnecessária, que tirava anos de vida. De que te serviu isso afinal? Morta e enterrada na porcaria do chão. De que te serviu a calma? Morta aos 54 anos, todos eles à espera de ser nascida. Nunca vi uma emoção tua maior que o zumbido de uma melga anémica. E eu a fazer merda desde que te chegara aos joelhos. Para ver se ressuscitavas, se arrancava de ti o mínimo murmúrio de ira - de qualquer tipo de paixão - que provasse não estarmos a ser criados por um robô. Afinal, como toda a gente sempre disse, eu saí ao pai não é? E foi por tua causa que ele nos deixou, mãe. Nem consigo imaginar como terá sido para ele tentar reanimar o coração de um cadáver, deitar-se todas as noites ao lado de uma mulher frígida do corpo até à alma.
Ele deixou-nos. E tu deixaste-nos quando? Nem o luto foi algo que me deixaste. Foi preciso chegar este momento para saber que da minha mãe, ou noção de uma, já eu tinha lamentado a perda. Há muito tempo.
Vai para a merda, mãe. 
Descansa em paz.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Carta que a Musa me escreveu


Faz isto.
Faz aquilo.
Não é nada disto.
É isto mas não chega.

Birrinhas de merda, é o que és. Ando eu aqui a tentar fazer algo pela espécie de coisa a que chamas de vida enquanto tu fazes o check obrigatório aos dias que passam.
Fizeste o teu trabalho? - Check.
Viste o correio? - Check.
Limpaste a cozinha? - Check-mate filho da puta, que até a merda do microondas limpaste canto-a-canto. Que é que tu queres mais? Escrever Os Lusíadas do séc. XXI de trás para a frente em pé numa Moto 4? Vai dar banho ao cão! - Check.

Não me chegam os dedos nem os solavancos na boca para dar carta às tuas exigências. Estás à espera do quê? É quase uma da manhã: vai para a rua mudar o mundo com a tua meia dúzia de rimas e o teu Só-Li-Dó. Mas espera, fica mais um bocadinho! Vais com tanta pressa para a onde? Para a cova? Ou pensas que vais renascer um gajo melhor, qual fénix que se ergue da bosta? Solo se vive una vez, aiaiaiaiaiai.

Ainda vais acabar na calçada com meio-chinelo no pé que te resta, como o sem-abrigo na Avenida que a esta hora declama a sua demente poesia a qualquer grupo de estrangeiros com um doze avos de português e que estejam para o aturar. E tu aqui de papo para o ar a resmungar com a alma que tens, porque nem o mundo inteiro de mão beijada te chegava para enganar a fome, a ganância, a gula ou o que tu lhe quiseres chamar. Mas olha, pega aí no dicionário para ver se encontras um sinónimo mais erudito para gula. Ou queres passar por parvo em frente da meia-dúzia de gatos pingados que tentam dar noção aos teus tristes devaneios que não são mais do que fruto do acaso? Nem a merda da cara és capaz de dar, como um cobarde que se esconde por detrás de um muro de palavras só para ver se a frase seguinte consegue esconder um pouco a verdade da anterior. Pim.

Não vai, nem racha. E achas que entretanto, por o teu coração se acalmar, que o trabalho está feito. Porque deste a esta febre de escrever aquilo que ela cria. (Verifica as vezes que quiseres, a última palavra não é um erro). Porque deste cedência de passagem a esta máscara que não é se não uma compulsão. E ficas satisfeito, porque há quem o tome por uma coisa chamada de Arte

Quando tudo isto é pânico. 
Tudo é ilusão. 
Nada mudou. 
Tudo se destrói.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº661)


É sempre a mesma coisa. Um gajo começa o ano com o pé esquerdo e passa o resto do ano a saltar ao pé coxinho com o direito a ver se equilibra.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº332)


Eu disse que via as vantagens de uma vida bem vivida.

Não disse que as via para mim.

Por isso antes que me falhe a voz, ou a laringe, ou um rim,
a propósito do meu estilo de viver
e dos meus limitados mas marcantes vícios,
tenho apenas para vos dizer dizer:

Aprecio as vossas preocupações e antecipadas condolências.

Mas estou a fazer patinagem artística nas carcaças de sapateiras gigantes
enquanto conto num relógio de segundos sem segundas intenções,
as minhas abstinências de sono
                              mas nunca as de sonhos e suas seduções.

Esses, pingam-me periclitantes da testa
sempre que o dia-a-dia me baixa os seus calções.

Corrida


Enquanto tu saltavas trampolins em fogo, eu era um cavalo com três pernas. E apenas uma delas era para correr. Todo eu era tudo o que bafejava quietude, quando por dentro só respirava fugir. E tu esmagavas o crânio de gafanhotos na tua mão por tentarem alcançar mais o céu que tu. Por se atreverem a imaginar ter algo que tu não tinhas, como se alguma vez tivesses vontade de o ter. E isso fez com que todos se apaixonassem por ti, como soluços de atacadores soltos pelo caminho. E todos te queriam perto por irradiares essa força interna que parecia aquecer os outros à tua volta e dar um novo cobertor para tapar os olhos à vida. Até mesmo eu. Porque de todas as emoções, a crueldade é a mais forte das que não se sentem.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Do do do do do do do do do do do do doo


Ia escrever aqui algo sobre 2014 ser melhor que 2013 mas rapidamente descobri que a razão pela qual nada me saía era porque não acredito nisso, pelo menos de momento. Por isso venha o Ano Novo e a sua melodia repetitiva que fica na cabeça.

Pensamentos Divergentes (nº331)


Aprendi a dançar em navios sem capitão nem maré.
Aprendi a enrolar desilusões em mortalhas contra o vento
e a recitar o alfabeto da nação sem perder pé.

Aprendi a escovar os dentes depois de comer bosta,
que quem desdenha é porque não gosta
e que se por acaso "denha" é só falta de proposta.

Aprendi que não aprendo nada,
nicles,
talvez coisa nenhuma.
Que é tudo acaso ou repetição da imitação. E que o desconforto não é desconforto coisa nenhuma. É sintoma de viver.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O som das coisas


A estupidez faz um som idêntico ao de uma lagosta afónica a cantar La Traviatta em dó menor. Tão certo como um primeiro beijo soar a uma música inédita dos Beatles em hi-fi, ou a morte fazer o estrondo de um eco que ecoa silêncio absoluto.
As coisas têm tendência para fazer um som característico que outra não consegue replicar. Por exemplo, eu posso estar a tentar aprender beatbox, mas por muito que treine só consigo soar ligeiramente parecido a um completo anormal. Por agora só consigo fazer barulho de idiota. Ainda assim, estou certo que se me estivesse a ouvir de fora, bateria - em mim próprio.

Daí a minha surpresa quando encontro algo em absoluto silêncio. Como quando ainda vou a meio de uma cerveja e percebo que já estou a precisar da próxima. Porque a pressa, ou melhor a ansiedade, do que pode vir não faz som. É como um relâmpago à distância que se vê antes do seu refilar chegar até nós. É um triste oráculo em cinema mudo que nos faz a exposição dramática de tudo menos do que está realmente a acontecer.

E é por isso que o amanhã é o afogar do galope dos sonhos; o atirar paus em lume às cavernas do desconhecido à espera que os ursos do futuro saiam para nos atacar as ânsias. E o ano novo é o maior dos amanhãs que alguma vez existiu. Porque nunca vem e sempre que nunca vem fá-lo sem aviso. É, diria, como um texto sovina que não sabemos se nos acaba por recusar dar-nos o obséquio de um maldito ponto final

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº661)


Assim que me começo a irritar lembro-me - "É só a merda de um jogo". E a minha vontade é relaxar e não me preocupar com o resultado. E assim começo a fazê-lo apercebo-me que para jogar bem é preciso levar a coisa a sério, por muito ridículo que isso seja.

É esta a minha atitude com a vida.

domingo, 22 de dezembro de 2013

O amor fica-vos bem


- Estás apaixonada?
- O quê?
- Estás apaixonada.
- Porque é que dizes isso?
- Nota-se. O amor fica-te bem.

O amor fica-vos bem. As mulheres vestem-no melhor que ninguém. Um homem demora anos de experiência a aprender como amar. Arrisco-me mesmo a dizer que antes dos 20 anos é impossível sabermos como o fazer com a mínima graciosidade. Não temos jeito para conjugar as suas cores e acabamos amando de mais ou de menos.
Já às mulheres parece que qualquer amor vos fica bem. Vestem-se de carinhos e de mágoas como se o fizessem a vida toda (e fazem). Tanto que chegam a cometer a asneira de se oferecem a amar por nós. Sem o saber, é assim que nos tiram o amor e qualquer hipótese de aprender a usá-lo por nós mesmos.
É que a nossa dificuldade é básica no mais troglodita dos sentidos. Simplesmente, amar não é coisa de homem. Homem brinca, Homem seduz, Homem fode. O resto ou é fraqueza ou um bizarro capricho a ser domado. São precisos anos de asneira para aceitar fazer figura de estúpido sem nos importarmos com isso e aceitar colocar o coração nas mãos de outra pessoa para fazer dele o que quiser. Se correr mal, paciência. Faz parte da moda, se não do modo, de amar.
E a verdade é que nenhum de nós sabe, ao certo, se podemos alguma vez amar como uma mulher é capaz de amar. Nem sabemos se para nós o amor não é apenas uma questão de estética. Sabemos apenas que gostamos de ver mulheres apaixonadas - é bonito, fica-vos bem.

I never paid attention to my charts


Quero acreditar que um dia não vou ter de me preocupar com o regresso dos demónios que tanto amei.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Golos em balizas invisíveis


Um frio que tem tanto de banal como de aborrecido. Não se digna a ser tão maior a ele próprio que nos possamos queixar "Foda-se, que frio que está". É só o suficiente para despertar sem que chegue para ocupar-nos a cabeça toda. Foi assim que, ao passar no Rossio a noite passada, vi um puto a marcar golo numa baliza invisível, guardada por uma miúda que presumi ser a sua irmã mais nova.

Não só marcou golo como claramente se tratara de um golo. E celebrou-o em justa medida com a certeza que um remate merece. Com balizas invisíveis nunca há golos à tabela - ou se acerta em cheio ou se falha. O que interessa são as linhas imaginárias de separação e isso depende da cabeça de cada um. 

É que o problema das balizas invisíveis é que elas estão sempre a mudar de tamanho. E a realidade das  acções naquilo que está em jogo é sempre deixada à imaginação do espectador.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Lacre e vinho


Cresce entre os dedos dos pés. Semeia por baixo das unhas as suas patas quebradiças, como pétalas de fogo. Inquietação. A inquietação e a merda do Inverno. Mais as suas noites frias que me fazem sonhar sonhos mais lúcidos que a realidade. Que me interessa aos cobertores se estou a tornar-me no meu pai ou se tenho tão mais pouco tempo do que alguma vez tive. Deixa-me em paz o bouquet de bocejos que carrego na garganta. Não posso descansar, não suporto descansar. E cansaço é tudo o que tenho para dar. Tenho o peso de um mundo para colocar às costas do mundo. E não me chega. Sou uma fábrica de mágoas para os outros carregarem. Poderia passar a vida toda a esfregar a nossa merda colectiva na cara da humanidade. E no fim, no fim de tudo, no fim de mim, poderia assinar a carta e entregá-la em mão de rosto sereno e sorridente. Por isso amem-me de boca aberta. O meu coração pode não ouvir.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Fantasmas e outros filmes


Quando soube que o Cinema King ia fechar tive um assombro. Não de espanto porque isto é daquelas notícias que quando surgem não admiram ninguém. Foi memória.

A última vez que fui ao King foi com uma ex-namorada da altura. Digo "ex" porque o que tínhamos nesse dia eram os estrebuchos finais de uma relação. Um amor moribundo ao qual recusávamos a eutanásia por medo da solidão.

Vimos um filme francês horrível do qual não me lembro o nome. Qualquer coisa sobre relógios, talvez. Todo o filme rodava à volta de um casal, as únicas personagens existentes. Ele um homem de meia-idade. Ela um fantasma - a amante morta que o assombrava dia após dia através da normalidade da sua relação. 
Durante metade do filme assistíamos a monólogos e diálogos que iam do mais profundamente banal até ao mais superficialmente existencial. Durante a outra metade víamos cenas de sexo, que na verdade se tratava do homem a fazer amor com alguém que não estava realmente lá.
E agora é quando surge a questão à música de David Bowie. O filme ou era mesmo mau ou então era só uma seca por ser tão parecido à minha vida naquele momento.

Fosse qual fosse a realidade, a verdade é que no final desse dia disse-lhe que tinha a sensação que aquela podia ser a última vez que nos víamos um ao outro. Coisa que foi verdade. Até deixar de o ser. Mais ou menos.
Passado um ano voltámos a encontrar-nos por coincidência. Só que não éramos as mesmas pessoas. O amor tinha morrido há muito, mas mesmo assim num assombro súbito cometemos a estupidez de o tentar encarnar mais uma vez durante uma noite só.
Mais anos passaram. E o que se passa com o passar dos anos é que o movimento das folhas de calendário exorcizam os fantasmas. Mesmo os fantasmas de alguns amores mortos.

É por isso que o piores amores são os que se recusam a morrer de vez. Porque quando as coisas não morrem, tornam-se fantasmas. 
Pode ser que o Cinema King assombre todos os que o conheceram, uma vez ou outra.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Carta de amor ao Metro de Lisboa


Por vezes não te compreendo. E eu sei que é normal um arrufo de vez em quando, mas para te ser sincero eu já estranho quando há uma semana em que não tenhas um dos teus bizarros amuos, com explicações que são impossíveis de compreender.
Como hoje que fui ter contigo de manhã, à hora do costume, e estavas atrasada. É uma queixa recorrente: o homem é deixado à espera enquanto ela se arranja. Mas a coisa descambou por completo quando disseste que afinal só podias à tarde e que 5ª feira tínhamos de desmarcar o encontro..

Se calhar são aquelas idiossincrasias que se acha piada na fase inicial de namoro e que com o tempo se tornam insuportáveis. Como por exemplo quando vou ao Campo Grande. E sempre que tento sair pela porta o caminho é-me completamente barrado pelo muro de gente que não se desvia. Já aprendi a aceitá-lo, é uma cena tua. Não é defeito, é feitio. Mas as coisas acumulam, porra. E um dia destes eu vou ter de empurrar uma velha. E não é a empurrar velhas que se constroem relações com futuro.
E por falar em velhas, há outra coisa de que te quero falar e que aponta a forma como és inconstante. Sempre que saio no Chiado não sei o que me espera. As escadas rolantes vão ou não estar a funcionar? É que isso muda como quem muda de cueca e as únicas opções possíveis são fio dental ou cueca da avó.

Mas nem tudo é mau. Dás-me o meu tempo para as minhas coisas. Sem ti não tinha tanto tempo de leitura a caminho do trabalho e de volta.
E não só nunca julgaste os meus fetiches, como alinhas no esquema para me fazer feliz. Sabendo tu das minhas tendências voyeuristas emparelhas-me com todo o tipo de gente que nunca teria oportunidade de conhecer em qualquer outra situação.

Ao fim e ao cabo, é certo que temos muitas discussões. Mas entre elas, eu esqueço-me sempre que elas existem. Por isso, não podendo enterrar o assunto, vamos concordar em mantê-lo debaixo de terra.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

nicoticídio


Atravessa a rua. Puxa de um cigarro.

Respirar nunca foi natural. Sempre senti a falta de algo para impermiabilizar os pulmões do bafo do mundo. Pode ser cancro. Mas o niilismo é ridículo e o vício em nicotina ainda é melhor visto.

 Antes o suicídio que todos podem assistir do que este suicídio ingenuamente assistido.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Prestar de contas


Perguntou-me como quem já sabe a resposta. Aliás, perguntou-me porque já sabia a resposta.

O Outono sempre foi para os fracos do coração. O castanho da contemplação sempre ficou bem de se usar nas mangas do casaco, à espera de surgir um novo amor por um ano que sonha em findar. Pede-se à chuva que lave os despejos da calçada e os arrume a um canto para mais tarde recordar.

Olha-se para trás a recordar o que ainda não se vê em frente. E enquanto os outros se banham em passado eu só vejo a linha do horizonte. Desisti de manter um registo de tudo o que já foi.

A resposta é não. Não quero factura.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Make it count


Primeira folga em não sei quanto tempo. Hoje vamos partir Lisboa ao meio.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Diário de um novo lisboeta


Quando uma cidade se torna em mais um sítio em que tu respiras. É aí que sabes que é onde estás realmente a morar. Quando esse centurião dos sentidos se deixa domar pelas rédeas do não tão pouco habitual.

Criei os meus vícios. Dou por mim a esperar pelo metro e a levantar-me sempre e apenas quando o relógio me diz que faltam 20 segundos para ele chegar. Ando sempre de headphones nos ouvidos, mas faço por me sentar próximo de grupos ou de pessoas ao telefone, para ouvir as conversas que muitas vezes soam mais interessante do que aquilo que me vai na alma.

É que perdi o interesse em mim próprio. Cá dentro só andam águas mornas. Os meus ossos alugam espaço a sensações estrangeiras que residam fora das páginas que laminam as minhas horas vagas. Faço por não me fazer ouvir, muito menos a mim mesmo. Não tenho que me dizer porque já me disse tudo.

Há amor. 
Há morte. 
Há luz para além do rio.
E que mais?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

I was born sick, but I love it


É quando nos rendemos às evidências dos nossos vícios que descobrimos quem somos.

 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Processador criativo


- Lá estás tu novamente.
- Uh?
- Em frente a um ecrã, com uma folha artificial meio vazia a tentar despejar para aí alguma coisa.
- Ah.
- Só comunicas por grunhidos, como um neandertal. Como é que queres escrever alguma coisa com sentido?
- Estou distraído. Estou-me a tentar concentrar. Larga.
- "Mim não quer. Ir embora agora. Larga." É assim que tu soas, percebes? Nem constróis frases inteiras, pareces um telegrama. Estás a tentar poupar semântica para a escrita, não?
- Talvez.
- Bah. Nem sei porquê tanto esforço. Mais vale divertires-te com o que fazes. Se não andas aí às voltas em possíveis metáforas numa estória com um final pouco resoluto e que quase ninguém percebe, muito menos tu.
- Como a vida real, portanto?
- Olha para ele com ar triunfante. Se calhar devias guardar mais ironia pseudointelectual para a página, não?
- Era para me divertir, não era? Então deixa-me fazê-lo à minha maneira ainda que pareça tolo.
- À vontade.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

And I plead


Apenas quero fogo nos teus olhos de me ver. Tanto me dá que seja de amor ou de ódio. O que interessa é arder.

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