segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº652)


O sucesso do governo e dos violadores depende sempre do facto de ser possível silenciar a sua vítima através da imposição do medo.

sábado, 13 de outubro de 2012

Explicação


Eu não deixei de escrever. Só deixei foi de escrever aqui neste espaço.

E não é de propósito, simplesmente ando com menos tempo para o fazer. Tenho vontade de escrever coisas por aqui mas sinto que não tenho tempo suficiente para as escrever como precisam de ser escritas.

Sei que se trata de apenas mais uma desculpa - na verdade o tempo cria-se quando é realmente preciso. Mas quero agora concentrar-me noutro local da minha vida.

Para quem sente saudades minhas durante grandes pausas de escrita, contactem-me pelo gmail. Interessa-me falar com pessoas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº651)


Outra prova de que estou a ficar velho é que às vezes dou por mim a olhar para uma estudante universitária e em vez de pensar "Que mulher que ela é" penso "Que mulher que ela vai ser".

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº650)


É fixe chegar ao final de um dia de trabalho e viver no 12º andar de um prédio sem elevador. É dinheiro que poupo no ginásio.

domingo, 7 de outubro de 2012

A minha festa de aniversário


Este blog está quase a fazer 4 anos de existência. Sinto que deveria fazer algo em especial para a data mas não sei o quê.

Sugestões?

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº325)


No local onde morreu a Libelinha
disse o Gafanhoto à sua rainha:

"Não julgarei os teus olhos um milagre
que o meu coração é um afídio letrado em melaço e vinagre
mais vermelho que o coro de duas andorinhas ciumentas do Verão,
E este desassossego que me move as pernas é um tique de paixão
que por impossível de conter se torna num sonoro comichão

"E da mesma forma que a relva que nos rodeia aos dois
é o excesso dos dentes dos montes e do pasto dos bois,
será o meu corpo o soneto eterno da tua adiada campa em dobra,
e para o meu testamento em rodapé será essa a minha maior obra."
E foi assim que o Gafanhoto se atirou às mandíbulas da Cobra.

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº649)


As ofertas de emprego são como as mulheres. É quando um gajo já está comprometido que elas aparecem todas ao mesmo tempo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº324)


os seus olhos de tão vagos chegam a ser exactos,
procura o verdadeiro amor numa pista de dança
ou na casa de banho de uma discoteca
porque a solidão parece pesar menos em saltos altos

e os lábios vermelhos que usas para os outros marcar
não tapam as marcas que deixas em ti mesma.
e não vou dizer que tens um coração de ouro
mas não há duvida de que ele pesa mais do que devia pesar

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº648)


A fanfarronice faz mal à saúde, nomeadamente às minhas costas. Estar a fazer mudanças num prédio onde por acaso existe uma agência de modelos faz com que eu num elevador, para não dar parte fraca à frente das meninas, levante pesos maiores do que sou capaz. Com o mau jeito, fiquei cheio de dores nas costas - é bem feita.

domingo, 30 de setembro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº323)


ainda não nasceste e já te arrastaram
espetam-te na rua e é só para pisar
ainda vai haver trovoada a arrancar as pedras do chão
tirem-me esta droga das veias a que chamam destino
e refaçam-me o corpo nem que seja aos bocados
e a doer

sábado, 29 de setembro de 2012

Stains get lonely


Tenho e sempre tive a profunda incapacidade de fazer as coisas da forma como é suposto elas serem feitas. Se é por incompetência ou teimosia, ainda está por decidir. Mas acho que é daquelas situações em que o nosso maior defeito é, de vez em quando, a nossa maior qualidade. Neste caso em específico, a única.

Tarde à chuva


Enquanto embebia o sentimento do teu corpo nos dedos, ocorreu-se-me um pensamento. São estas manchas invisíveis que se alastram na nossa carne com o passar dos anos que nos causam tamanhas neblinas de bíblicos caprichos. Vestimo-nos para tapar o que mais ninguém vê. Pesamos roupa que se empilha por falta de arrumo, seus trapos enrolando-se como línguas de tons diversos. E é por isso. É por isso que é comigo em ti e contigo em mim que se sentem estas traças à flor da pele, beijando futuros vazios que se enchem como a areia se molha com o mar. Sempre à espera de mais.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº322)


Dentro de mim há uma baralho de cartas
de amor
que se desorganizam por baixo da mesa
e quase ninguém vê.

E não sei se és coma de consciência
ou então gaguez de beleza
mas o que tu fores,
perdura.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Meio da estrada


À minha esquerda, dizem que a existência humana é fútil e que somos todos inúteis. À minha direita, dizem que todos nós somos significantes e que cada uma das nossas acções afecta todos os outros. À esquerda, respondem que isso é parvoíce e são delírios de quem não suporta a dura realidade. À direita apupam tamanho pessimismo e apelam à empatia e à partilha de emoções mais belas.

Entretanto a virtude ficou em casa a beber chá -  no meio estou eu sozinho de cigarro na boca. Vou para onde alguém tiver lume que me empreste.

O gajo anda fugido


Lamento, para quem me sente a falta, da minha ausência neste espaço. É que para além de ter ficado sem net durante imenso tempo, agora ando a estagiar num sítio porreiro a fazer o que gosto. Ainda não sei no que vai dar, mas pronto. Quer isto dizer que ando com menos tempo para os devaneios habituais, mas ainda não me quero separar deles. 
Já falamos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Paradoxal


Eu até tenho algum tempo para escrever e até tenho coisas que quero dizer, mas nenhuma delas vale a pena ser dita.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Observações subterrâneas


Metro cheio. Hoje há jogo de bola. Hoje há vidas dobradas, corações partidos, muito cansaço e alguma felicidade. Mas isso já há todos os dias - hoje há jogo de bola também.
A sufocante multidão traz uma estranha intimidade, enquanto dois jovens amantes namoram encostados a um canto daquela forma que só jovens amantes namoram, tentando ocupar o mesmo espaço. Entre lábios, línguas os toques pelas suas roupas, aproveitam cada e qualquer momento para se amarem e para cederem ao magnetismo dos corpos que não dominariam mesmo que o desejassem.

Do lado oposto está ela. E embora nunca a tenha conhecido, conheço-a bem. A mesma idade mas nos olhos veste a solidão. Não é que seja feia, longe disso - mas é daquelas raparigas que, por ser quem é, não o sabe. Esconde o corpo em roupa larga e pouco vistosa pois não suporta a ideia de chamar a atenção. E por momentos considero desviar o olhar e esquecer-me dela em sinal de respeito aos seus desejos. Mas é que ela observa também o casal e na verdade não tem outro remédio. Bem tenta focar-se nos seus próprios pés, mas o vazio dela puxa-a para o que há para ver - nisso somos iguais.
Prime o lábio superior contra o inferior. É o tique de quem para não jorrar o que tem dentro se beija a si próprio para tapar a saída. E o calor que sente em si é o mesmo que lhe encolhe o coração, como um papel de poemas que se aproxima do fogo.

E há tanto para ela viver e tanto mais que ela quer viver. Mas não sabe. E provavelmente nunca o saberá.

Reencontro amoroso


Internet estável, sê bem vinda. Tive tantas saudades tuas 

domingo, 23 de setembro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Every note is an unfinished song


12º A


Por vezes, a nicotina que me mancha os dedos faz uma nódoa cuja forma é impressionantemente semelhante à silhueta da inutilidade. 
E então, frequentemente de copo na mão, dou por mim a pensar: talvez seja mesmo inútil. Talvez haja mais na vida para além desta sintética leveza de espírito trazida pelo álcool como forma de anestesiar uma angústia que neste momento me é estrangeira. Talvez haja mais nesta vida que seja possível alcançar sem ser à beira de um janela de um 12º andar, com nada mais nas mãos para segurar do que a casca vazia de uma passada esperança no futuro e uma futura frustração do passado. 
Eu nunca irei perceber a segurança e a sensatez de quem nunca desejou morrer. E eu sei que estas vertigens não são do medo da altura mas o medo do futuro decidir atirar-se para o abismo. Não é medo de cair mas medo de um eu de vir a atirar-se por vontade própria. 
Mas ultimamente tudo me dá vertigem. Ao contrário de mim, há quem não tenha nada a perder. Eu só me tenho a mim.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº321)



Mariana ouve-me com certeza
que se te enganar não é com leveza,
sobre assuntos do coração
não é engano se houver paixão

é tão fácil como eles esquecem
as memórias que a nós nos aquecem
e as meninas que aí nós fomos
deixavam-nos a eles loucos
- mal sabem eles que ainda as poderíamos ser
se nos dessem uma desculpa para estremecer

e os beijinhos que damos aos jovens rapazes,
tão inexperientes e fugazes,
se souberem são capazes de nos matar
por petiscarmos na fome de amar

I feel it in my fingers


Nothing But Change Part II by Harlem Shakes on Grooveshark

O problema de lutar para não perder a esperança é que cada novo dia há mais decepções à espera.

Socorro, estou desligado do mundo


Não me bastava estar desempregado e já sem ideias de como o arranjar, agora fiquei sem internet. Se voltarem a ficar algum tempo sem notícias minhas fiquem descansados, ando só a entreter-me a perder a minha sanidade.

domingo, 16 de setembro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº320)


Folhas de Outono, folhas de Outono
venham apagar a minha solidão,
chovam do céu para afagar
o rosto da morte da minha nação
E que os estalidos de quem vos pisa no chão
não seja o som dos ossos de quem cá vive em vão

Folhas de Outono, folhas de Outono
o vosso tempo ainda nem chegou,
e já vêm tarde para poder comer
do pão que o diabo amassou
Continuo à espera que me mostrem para onde vou
e tudo aquilo que eu por não poder não sou

sábado, 15 de setembro de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº647)


Há dois tipos de pessoa: as que não percebem ironia, e as que não percebem ironia.

Manifestação de algo


Estava aqui pronto a escrever um texto que me libertasse de toda esta raiva que eu sinto. Para aliviar a minha revolta partilhando-a com outros. Mas assim que comecei a tentar escrever a única coisa que sinto é... um profundo vazio. E eu queria gritar tão alto que soltaria a cal das paredes da rua mas de mim só sai este imenso vazio.

A culpa é minha.

A culpa é minha se quero arranjar um emprego e não consigo.

A culpa é minha se quero agora ter condições num país que estava mal encaminhado ainda antes de eu nascer.

A culpa é minha se quero a porra de um futuro e não existe porra nenhuma de futuro pela frente à minha espera.

A culpa é minha se não existe um caralho que eu possa fazer. Foi isso que vocês me disseram, não foi? Estou a ser castigado por um conjunto que opções que não tomei mas que mesmo assim são da minha responsabilidade. E se me queixo chamam-me de mimado, comuna, preguiçoso, egoísta... E nem gritar de volta eu posso porque já não me restam forças.

Nunca fui um aluno brilhante. Mas também nunca fui mau aluno. Não passei por cima dos outros para proveito próprio e, estupidez das estupidezes, rejeitei cunhas porque queria fazer eu próprio algo de mim pelo meu próprio valor.
Mas o mais estúpido fui eu que não percebi logo que eu não tenho valor nenhum. Para vocês eu não presto para nada. Sou só um desperdício de recursos e por isso não mereço melhor do que tenho.

Tenho medo. Muito medo, mesmo. Desta raiva que se embrulhou numa manta de calma e que quer dormir numa cama de indiferença. Deste vazio que é ter em mim um mundo inteiro para dar mas que definha a sós pela morte da esperança. Da esperança de um amanhã e de um lugar para mim neste país.

Esta será, hoje, a minha manifestação a sós e em público. A total desolação de um jovem que poderia ser muito mais do que alguma vez será e que é só a repetição de dezenas de milhares como ele.

É dia 15 de Setembro. Vou à rua marcar presença. Mas algo morreu em mim.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº646) - Altos e baixos


Primeiro:

Há quem vá batalhar pela sua nação e veja os seus amigos a morrer mas sobreviva para voltar para os seus.
Há quem lute contra o cancro durante intermináveis anos e vença a doença.
Há quem tenha membros a menos e treine a vida inteira para receber uma medalha de ouro.

Eu limpei um forno com um dos piores ataques de soluços de sempre. Continuas a achar que sou um falhado, mãe?


5 minutos mais tarde:

Passei os últimos 5 minutos feito parvo com as mãos atrás das costas e um ligeiro ataque de pânico porque estou sozinho em casa e dei um nó demasiado apertado no avental e como o nó estava nas minhas costas e não o conseguia ver, não arranjava forma de tirar o avental.

Tinhas razão, mãe.

E o Karma disse-me "É para ver se aprendes"


Houve uma altura na minha vida em que pensei que podia ser um gajo porreiro e tentar dar-me bem com toda a gente - que não havia razões para descriminar ou afastar-me de alguém simpático só por ter crenças diferentes das minhas.

Depois começou toda a gente a falar-me sobre as suas teorias da conspiração e sobre alienígenas e energias cósmicas e eu percebi que me tinha rodeado de gente louca.

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