Irrequieta, começaste tamboreando levemente os pés. Um sapateado de pele descalça num tépido chão de madeira, os dedos tensos da dificuldade em conterem-se no lugar. Começaste a dançar. Sempre me fascinou que para ti aflição nada tinha a ver com tristeza - aflição para ti era tentar adiar uma manifestação de alegria. Juro-te que nos meus olhos moraram câmeras de filmar de cadência aproximada ao infinito. Tão lento vi girar o teu vestido que podia estar suspenso no ar. Uma eternidade e 2 segundos depois ainda aqui estou, aguardando sem pressa. Sem aflição.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Musger
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I let myself go
Não vou mentir. Por vezes tenho saudades de quando era um gajo mais insensível e robótico e não era esta coisa mais mole e pegajosa. Esta sopa de emoções que anda a querer deixar-se ser levada por um órgão não-pensante ao qual a nossa cultura associa uma vontade sem que tenha verdadeiramente qualquer tipo de papel em processos mentais. Dizem que é do amor.
Figuras que eu faço em entrevistas de emprego
Completamente perdido e sem conseguir orientar-me, entro para um edifício ao calha para pedir indicações
Recepcionista - ... Está nela.
Eu - Ah hm uh... porreiro. Então podia dizer-me onde fica o edifício número X?
Recepcionista - ... É este.
Eu - Ah... Bem, vou ali fora fumar um cigarro que eu cheguei muito antes da hora, obrigado.
Loucura e banalidade
Na estação do metro a gritar para todos e para ninguém sobre a economia e sobre as injustiças que lhe caíram em cima durante a sua vida. Sobre um bilhete vencedor de lotaria que rasgou para não serem os assaltantes a ficarem com ele.
Algumas pessoas fazem de conta que ele lá não está e evitam o contacto visual. A maioria olha com medo, curiosidade ou indignação. Todos fazem como se fosse um espectáculo insólito. Não se apercebem que a loucura é a coisa mais banal que existe. Que o mundo é dominado por loucos e todos nós partilhamos desse pão amassado por inúmeras mãos.
A loucura é comum, é banal - não merece qualquer tipo de espanto ou admiração. O que é verdadeiramente assustador é o resto.
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domingo, 29 de julho de 2012
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº624)
Para quem sabe o mínimo sobre relativismo é fácil de perceber que isso da existência de ilusões está tudo na cabeça das pessoas.
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº623)
O meu charme alentejano faz tanto sucesso cá pela capital que até faz impressão. Infelizmente vivo num prédio cheio de estrangeiras que não se aguentam à tentação e tentam entrar-me pela porta adentro às 2 da manhã. Claro que estavam bêbedas e agora inventam a desculpa que se enganaram no andar, mas eu cá sei o que elas queriam.
sábado, 28 de julho de 2012
You're made of all those shitty tales
O que nos vale é que todas as maneiras em que somos opostos tornam-nos numa bela simetria.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Sobre escolhas
Perguntarem-me qual é a minha banda favorita é a pior coisa que me podem fazer. Não só não sei que raios responder a uma pergunta dessas, como fico com medo de que um dia venha a saber responder e que magoe as outras bandas se venham a sentir magoadas com eu não as ter preferido. É como perguntarem-me de qual dos meus testículos eu gosto mais. O mesmo se passa com filmes, livros, actrizes pornográficas, seja o que for - tudo o que envolva alguma componente artística e um profundo envolvimento e esforço por parte do(s) autor(es).
Além do mais, eu considero-me um rapaz de gostos bastante variados. Não seria pouco habitual que alguém colocasse o meu iPod no shuffle e encontrasse Chet Baker seguido de Blink-182, Joanna Newsom seguida de Wolfmother, Kanye West seguido de Frank Zappa e por aí adiante. Gosto de todos e parece-me algo insensível e frio alguém tentar fazer uma pessoa escolher apenas uma de entre as suas paixões. É cruel perguntarem-me se gostei mais da Letra Escarlate ou do Crime e Castigo, ou se no geral gosto mais de vinho tinto ou branco, porque são coisas muito diferentes mas que fazem parte de mim à sua maneira e preenchem necessidades específicas.
É principalmente por esta razão que eu em miúdo treinei horas e horas a atirar uma moeda ao ar e apanhá-la na palma da mão. E assim posso dizer: nada disto é culpa minha. Desresponsabilizo-me de todas as decisões que tomei na minha vida. Deixei tudo ao acaso e orgulho-me disso.
Agora se me dão licença, vou usar a minha última moeda para decidir se bebo mais uma cerveja antes do jantar ou não.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Diário Lx
Há vantagens nesta solidão quase forçada a que me decidi sujeitar. Estou a fazer uma desintoxicação de confusão um pouco como quem faz o desmame à neurose.
Passei o dia a fazer o que eu quis ao ritmo e na medida do que eu quis. Arrumei e limpei coisas, mantive-me à par das minhas notícias, li o que me interessava ler e por aí adiante. As únicas pessoas que encontrei hoje foram aquelas com as quais me cruzei a caminho das compras, mas as pessoas são pessoas e são todas iguais onde quer que estejamos. Até mesmo essa monotonia caiu bem nesta estabilidade ténue de homem sozinho que não sabe o que fazer à vida.
Em breve a minha namorada chegará do seu trabalho. Depois disso, com o tempo e aos poucos, encontrar-me-ei com amigos e talvez família que não vejo com a frequência que gostaria. Por agora aproveito o silêncio e encontro-me a mim próprio. Na pior das situações descubro que gosto mais de mim quando não tenho gente de quem gosto à volta. Na melhor das situações deixo-me de merdas e sigo com isto para a frente.
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Pediram-me por uma chave-de-fendas ainda por cima EU SEI O QUE ESTÃO A TRAMAR, OUVIRAM?
A mim não me enganam. Os meus "vizinhos" aparentam ser dois simpáticos jovens estudantes mas eu sei qual é a verdade. Assim que sobem para o andar de cima tomam a sua verdadeira forma e transformam-se em doze joelhos aprisionados dentro de uma larva gigante de segmentos rochosos que se movimenta xilofoneando os azulejos do chão. Os seus propósitos são ainda desconhecidos, mas ouço-a até às tantas da manhã a levar a cabo seus maléficos ruidosos propósitos. Pela complexidade da cacofonia penso que está a construir um grande e misterioso aparelho para entrar em contacto com a sua raça numa galáxia longínqua qualquer ou numa outra dimensão lovecraftiana em que as criaturas residentes comunicam através do arrastar de móveis rascas do Ikea.
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
I've turned the tables
Isto da monogamia nunca foi coisa para mim. Évora anda-me a querer prender a ela e disso não gosto. Arranjei uma amante.
Quer isto dizer que vou novamente residir, parcialmente, em Lisboa. Dedicar-me exclusivamente à escrita e à procura de emprego. Até já.
Dois filósofos no sofá
- Estás a fazê-lo outra vez.
- ... Hmm?
- Disse que estás a fazê-lo outra vez.
- ... O quê?
- A olhar para o nada.
- ... Como?
- Estás a dormir ou quê? Disse que estás outra vez a fazer aquela coisa em que ficas a olhar para a parede, a ver tudo a ficar embaçado como que à espera de te difundires na névoa e deixares de existir.
- Não, não. Não é isso.
- Olha que eu conheço-te bem.
- Estava só aqui a pensar.
- No quê?
- Estava a pensar que há milhões e milhões de partículas, sabes? E é como se fossem todas a sua própria coisa mas está tudo ligado e acaba por ser tudo o mesmo.
- ... Ah bom, então assim já faz sentido. Mas tu estás parvo ou quê?
- A sério, olha.
- ...
- Vês?
- Vejo que estás a ficar maluco ou que andaste a tomar alguma coisa às escondidas.
- Mas não vês?
- Mas não vejo o quê? Estás a abanar a mão como um tolo, e então?
- Se olhares com atenção vês que a mão parece estar em dois sítios ao mesmo tempo. A mão já não está no mesmo sítio mas durante um instante vês ainda o sítio onde estava quando já não está lá. Como se não conseguisses registar a mudança e saber a diferença.
- ... E então?
- E então se eu agora não estivesse aqui mas noutro lugar distante e invisível mas parecesse estar aqui ao mesmo tempo? E antes de conseguirmos registar isso eu já cá estivesse sem ter alguma vez saído daqui. E entretanto andei no éter, sendo eu e tudo o resto ao mesmo tempo, ou sendo nada até. E então se agora já cá estou outra vez sem me aperceber de estar também noutro lugar, em todo o lugar, ou em lugar nenhum?
- ... Passa aí as batatas.
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terça-feira, 24 de julho de 2012
You want it all
Nunca conheci um sentimento pior que o arrependimento. É assim que passo os dias a tentar fugir dele. Tentando que não se repita.
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº622)
Não sei se isto sou eu que tenho a cabeça a entrar em modo de crise financeira ou se há para aqui alguma metáfora mais profunda, mas a verdade é que esta noite sonhei que assaltava bancos e fugia da bófia num carro a cair aos bocados.
Homenzisses
Ser homem implica um conjunto de coisas, algumas delas desagradáveis. Por exemplo, fazer a barba é um bocado chato. Mas não nos podemos queixar muito - afinal de contas, a maioria das mulheres faz depilação, coisa que aparenta ser um processo digno das técnicas de interrogação implementadas pelo governo da Coreia do Norte.
Chato mesmo chato é precisamente não nos podermos queixar muito. É aquela coisa de um homem ter de ser forte e todos nós confundirmos ser forte com não ter fraquezas. E o esquema até está bem estruturado, visto que quando um rapaz mostra fraqueza os outros rapazes, e mesmo as raparigas, certificam-se de o chamar à atenção de forma a que não se repita. É um mecanismo auto-regulador que vai para além da crueldade das crianças, já que os adultos fazem o mesmo uns com os outros e com os pequenos também.
O maior problema nisto tudo é que aquilo que consideramos como fraquezas num homem são coisas que até podem ser bem úteis - se não mesmo essenciais - mas que à força toda tentamos eliminar. Tais como demonstrações de qualquer tipo de emoção que não passe por alegria ou fanfarronice... Ou compaixão. É, com a compaixão é complicado.
É que compaixão não é lá muito coisa de homem. Preocupação e atenção com os outros é coisa de mulher, afinal é à mulher que cabe cuidar das outras pessoas (mas essa é outra história para outra altura). À custa disso, muito homem acaba por criar uma crosta de frieza para com esse tipo de prática. Chega-se até a fazer pouco dos males dos outros - afinal de contas, ser homem é nada fazer mossa e seguir sempre em frente; pensar nisso para quê.
Ando a tentar desaprender algumas coisas que aprendi. Aliás, parece que passo a minha vida adulta e renegar toda a educação que me foi dada (os meus pais, entre garfadas e entre notícias do telejornal, concordam com esta afirmação). E o mistério da compaixão ainda me dá alguns problemas.
Aos poucos lá vou fazendo um esforço e o que descubro é que me sinto melhor assim apesar de alguns turbilhões internos ao quais não sei bem o que fazer devido à falta de prática. Ando então a ver se me deixo de ser o homem que os outros acham que assim é que é homem. A ver se assim me torno num homem à séria.
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
I can't wait for you to lock me up
Eu não tenho nada contra uma vida comum e normal, dia após dia após dia. O meu único problema é com o inevitável esgotamento nervoso que se seguiria.
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº621)
"Se houvesse gente interessada em comprar tristeza, tinha a minha vida financeira resolvida"
Para os pequenos
Para quem ainda se lembra do que é acordar criança e acreditar que se pode ser astronauta e sonhar que se é super-herói e sabe que não há nada que se quebre neste mundo que não se possa restaurar com cola ou amor...
Enganas-te.
Ou assim to dirá a experiência ou a sabedoria das pessoas quebradas que te rodeiam.
É que ainda tens muito que viver e, embora até sejas inteligente, ainda tens de muita coisa a aprender que só se aprende com idade e com a experiência de vida.
E o que as pessoas te querem dizer com isto é que, como elas, ainda vais sofrer. E, como elas, esse sofrimento te irá roubar aos poucos as esperanças e os sonhos. E a verdade é que, embora algumas dessas pessoas te amem de forma genuína, não querem que sofras sem aprender as mesmas lições que elas aprenderam. E aqui é que fica complicado, porque se tu conseguisses fazer isso, isso significaria que elas como tu sofreram mas não conseguiram manter essa lasca brilhante. E aí teriam sido elas a falhar e isso significaria que elas não seriam alguém especial.
A única lição adulta, prometo, que te tento ensinar aqui é que... aos adultos conforta-lhes ser mediano. Não se é muito bom mas, ao menos, também não se é mau de tal forma que se saia do normal. E quando virem alguma réstia de brilho em ti, isso irá confundi-los. Não o compreenderão porque não querem e não podem fazê-lo. Alguns tentarão extinguir isso em ti e poderão até pensar que será pelo teu bem - porque quando se cresce por cá, os sonhos são considerados um impedimento para se fazer uma vida a que se chama de saudável.
Gostaria de te poder ajudar mas eu próprio, como toda a gente (independentemente do que a ti te digam), não sei o que é melhor nem sei o que realmente estou a fazer. Mas se decidires guardar escondido esse pedaço de esperança numa caixa só tua para que nada lhe aconteça, faço-te apenas um pedido - mostra-o de vez em quando, nem que seja à socapa e só um bocadinho. É que há quem precise de o recordar.
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Pensamentos Divergentes (nº310)
Dá-me qualquer tipo de superfície:
não sei correr,
mal sei andar até,
mas vou-te causar admiração com a arte que tenho em espalhar-me ao comprido.
Fazer as coisas bem
é para gente sem imaginação,
e chegar ao lugar que se quer é de quem vive no tédio
porque pôr um pé a seguir ao outro é fácil.
Hás-de ver como eu tropeço
e dou cambalhotas
e o júri dá altas notas.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Quando ao fim de umas semanas finalmente me "reencontro" com a minha namorada e descubro que ela está com o período
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Coisas Que Um Gajo Coiso (nº620)
Quanto mais velho fico, mais cera me sai dos ouvidos para o cotonete. Acho que é porque cada vez tenho de ouvir mais e mais porcarias que outros dizem.
Pensamentos Divergentes (nº309)
Lendo o jornal ao Domingo,
o Sr. Joaquim perdia a esperança pela razão,
a humanidade está a findar nas páginas
estes comunas vão ser a nossa destruição.
E embora não tivesse más intenções
tinha ficado com um desvio no coração
- restos da guerra onde lá ficou
matando pretos pela África,
perdeu tudo o que lhe importava
mais ainda há gente que assim fica rica.
Na união está a força
foi o que sempre ouviu dizer
mas esta gente parece querer toda separar-se,
divórcios, televisão e mal-querer,
os filhos que já nem telefonam
parece que nunca mais o querem ver.
Morreu sozinho
agarrado ao peito
já sem saudades das glórias passadas:
os mortos recebem mais respeito.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Call me petty, I mean every word - the "and's", the "if's", the "but's", and the "the's". Trust me because I'm worth hating.
Sou uma fera selvagem presa num peluche preso numa criança presa num homem, à espera de se soltar.
Este é o meu testemunho
Dependendo da perspectiva, há muito tempo que não escrevo algo de extremamente pessoal neste blog. Então aqui vai.
Estar a beber sozinho até às tantas da manhã tem os seus perigos. Um deles é pensar sobre a condição humana e chegar-se à conclusão que todos nós, quer o saibamos quer não, temos em nós um profundo vazio que anseia por ser preenchido. Não nego isso em mim, embora não saiba por onde começar. Perdoem-me o texto algo caótico, mas escrevo de improviso e sem limites traçados porque isto precisa de ser cru e não sei ainda onde isto vai dar.
Eu nunca soube o que queria, um dia, ser. Convenci-me muitas vezes que tinha encontrado o meu destino, mas eu sempre tive mais talento a enganar-me a mim próprio que a enganar os outros. Não só andei sempre a querer trocar de áreas e de cursos como me causava alguma aflição a sede do meu interesse por diversas áreas. Agora, de curso feito, decidi que gostaria de poder usar a pouca criatividade que tenho e tentar ganhar a vida a fazer algo que me dê prazer, escrevendo e elaborando projectos. Ando um pouco feito parvo e sobretudo a passar por parvo a tentar meter-me em empregos para os quais não tenho formação nem experiência profissional, tudo para perseguir mais um dos meus sonhos e preencher um vazio que sinto desde sempre.
Tenho tido mais sorte do que esperava, sinceramente. Tenho arriscado em mandar os meus trabalhos assinados com o meu nome real, coisa que me assusta de forma tremenda. Consegui algumas entrevistas - embora sem resultado final - e tenho tido sempre um feedback positivo. Garantem-me que o que faço tem qualidade e que poderei ter algum tipo indefinido de futuro.
O mesmo voto de confiança vem dos meus mais próximos, incentivando-me a não parar de tentar e sobretudo a não parar de escrever. E ainda há uns poucos de desconhecidos e de mais ou menos conhecidos que andam aqui pela internet e que parecem obter algo de útil daquilo que faço. Para mim é confuso que haja esta gente toda que queira algo de mim e de um processo que é puro egoísmo e egocentrismo. E convenço-me que isto é tudo ilusão minha e vocês andam a incentivar o meu delírio de ser alguém e talvez até de ser um pouco feliz. Consequentemente acabo por me revoltar e por afastar toda a gente porque me dão raiva da minha própria incompetência e porque preciso de defender este sentido de inutilidade que insistem em ameaçar.
Algo, no entanto, me empurra e me força a continuar a luta e a continuar a tentar. E eu não sei do que se trata e desconfio que não será algo que durará para sempre. Aproveito enquanto dura. Mas é possível que a memória não me esteja a falhar e que seja a primeira vez na minha vida que eu quero ou em que eu tenho algo para o qual lutar.
Isto é a minha forma de fazer as pazes. Comigo mesmo e com todos os outros. Podem tratar-me por T - é tão bom como o meu nome real. Tenho 26 anos. Não sei bem o que quero ser mas quero ser alguma coisa. Estou aqui para escrever, beber, ouvir música e conversar com quem tenha paciência para me aturar. Tenho o mau hábito de só pensar em mim próprio - de resto, estou ao vosso serviço.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Yeah man, you can, can
Enquanto os outros seguem em frente eu fico para trás. Ando aqui a definir-me não pelo que sou mas pelo que tento ser. É o último recurso - o único que alguma vez eu quis conhecer.
As minhas noites de engate
Ó não. É mesmo para mim que ele está a olhar. Não consigo perceber se é da posição e da luz do bar ou se o fulano é mesmo ligeiramente estrábico, mas o mais provável é que seja da quantidade que já bebeu e que lhe está a dar a volta aos cornos... aliás, só pode que ele mais parece um camaleão a tentar olhar ao mesmo tempo para o tecto e para o sapato do pé direito. Merda, passei demasiado tempo distraída com o olho torto e viu-me a olhar para ele. Agora sorri para mim... estou tramada. Não, faz de conta que estás distraída com a conversa de alguém - será tarde demais para fingir estar a mandar sms? Onde raios é que elas se meteram? É impossível alguém demorar tanto tempo a fazer xixi. Eu devia era ter ido com elas em vez de ficar aqui sozinha à espera. Será que ele ainda está fisgado em mim? Não olhes para ele, não olhes para ele, não olhes par- foda-se, ainda está a olhar para cá e agora é como se eu lhe tivesse dado autorização. A minha única salvação é ele estar tão bêbedo que se mete numa ambulância antes de se meter aqui ao meu lado. E que merda é aquela da camisa aberta quase até ao umbigo - aquilo é de propósito? Acha que isso é sexy ou foi um acidente de percurso entre uma dúzia de cervejas e a outra dúzia de cervejas? Podia jurar que nunca tinha visto alguém tão pálido e tão sem músculo... lembra calamares fritos sem a parte dos fritos. Vem com um sorriso anestesiado que, confesso, até fica bem naquela cara de parvo... ainda por cima tem mesmo ar de quem depois da tampa vai dizer aos amigos que eu devo é ser fufa. E de certeza que é cromo e que só fala de Star Wars e de jogos de computador. Agora está parado no meio do caminho a olhar para o nada como se lhe tivesse chegado à cabeça o significado da vida e se babasse a contemplar o universo. Mas... ok, ele está a correr agora em direcção aos WC. Vou mas'é aproveitar para me pisgar daqui a ver se o despisto, elas que me encontrem.
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Pensamentos Divergentes (nº308)
sinto-me um fora-da-lei
que a única coisa de que é dono é de um chapéu roubado a um morto de rixa.
vou na rua a apontar os meus revólveres de filosofia
e a disparar invisíveis concussões de amor sobre inocentes transeuntes
e é vê-los a pular como marionetas pregadas a balões de ar.
e tu
que me conheces tão bem
que podias usar os meus ossos como giz para escrever o meu epitáfio,
onde te encontras neste momento
em que me acabou a cerveja
e vejo-me só com a minha língua para me lamber os lábios secos.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Toque
Por aqui, só as pedras contam segredos. E nunca na minha vida me senti tão só. Onde, outrora, até eu podia fazer companhia a mim próprio nas horas de maior sossego, agora dou-me de espírito estagnado sem ter um eco que lhe responda. Mudei de lugar, vivo noutro lado - para onde tu foste, talvez. Vivo a esperar por vida.
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
Sleep don't visit so I choke on sun, and the days blur into one. And the backs of my eyes hum with things I've never done
Tenho a viver inquilino do meu tórax um polvo negro que fez de meu coração prisioneiro. Apaixonado, abraça-o em oitava compressão e a sua força ameaça danificar o arrítmico refém.
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