Por aqui, só as pedras contam segredos. E nunca na minha vida me senti tão só. Onde, outrora, até eu podia fazer companhia a mim próprio nas horas de maior sossego, agora dou-me de espírito estagnado sem ter um eco que lhe responda. Mudei de lugar, vivo noutro lado - para onde tu foste, talvez. Vivo a esperar por vida.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Toque
Publicada por
T
à(s)
21:06
2
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Sleep don't visit so I choke on sun, and the days blur into one. And the backs of my eyes hum with things I've never done
Tenho a viver inquilino do meu tórax um polvo negro que fez de meu coração prisioneiro. Apaixonado, abraça-o em oitava compressão e a sua força ameaça danificar o arrítmico refém.
Pensamentos Divergentes (nº307)
Mestiços fogos encerram o teu coração numa jaula de luz
- tentei engasgá-los no seus lares
procurando lugares
em que os ombros das nossos dias permanecessem nus
E disseste ao acordarem os pássaros do nosso amor
que se encontrasse o caminho
para entrar devagarinho
que o que restasse de ti seria de um diferente ardor
domingo, 15 de julho de 2012
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº619)
Já cheguei àquela altura estranha em que vejo uma rapariga gira da minha idade e reparo que tem aliança no dedo.
7º ano, a sós, pavilhão B
Disse-me ela que queria ter uns olhos como os meus. Que tinham a forma de amêndoas e que eram tão escuros que pareciam ser totalmente negros. Isso dava-lhes um ar de mistério e o desconhecido era sempre algo atraente.
Na verdade não nos conhecíamos para além de algumas conversas amistosas circunstanciais. E é possível que até me quisesse, nesse momento, beijar. Nem que fosse para mais tarde se arrepender. Afinal de contas, os arrependimentos são coisas que coleccionamos e que com a idade aprendemos a estimar. Porque, ao contrário dos arrependimentos, há poucas coisas que podem ser nossas e com as quais podemos ficar para sempre.
Publicada por
T
à(s)
15:11
0
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
Pensamentos Divergentes (nº306)
Vira-te assim
que até pareces mais puta,
reflectindo em pausas suaves o nosso lindo desejo
andando à volta da minha picha hirsuta.
Ficámos na tua cama prostrados
após o treino dado aos tendões:
Eu na graça de Deus
e tu na graça dos meus colhões
sábado, 14 de julho de 2012
On a permanent basis I apologise, but I am going to sing
Este tempo de Verão é uma maravilha. A tensão que anda no ar como prenúncio de fim de mundo é que é desagradável.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Vendi a alma - outra vez
Bem... aconteceu e desta vez é para se manter. Este blog tem página de Facebook.
Publicada por
T
à(s)
00:24
5
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
diversos
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Última página
Três dias se passaram desde a última vez que vi alguém. Tenho para me fazer companhia apenas os barulhos que assombram a noite e chego à realização de que não posso estar são - é impossível que eu tenha mantido a sanidade até este ponto. Escrevo para me agarrar aos restos da minha mente, para não me perder por completo. Ou talvez para sentir que reste algo de humanidade em mim. Atormentam-me as memórias de tudo o que tive de fazer.
Eles vêm quando está mais escuro como se a própria escuridão os trouxesse. Ou como se eles a trouxessem e fosse escuridão a própria simulação de pele que vestem para disfarçar os olhos que reluzem momentaneamente apenas para sabermos no último instante da sua presença quando já não há forma de escaparmos. E depois disso é como se aqueles que são levados simplesmente desaparecessem, evaporando-se da própria realidade. A única prova de que tal não é o caso foram os gritos que se prolongaram, cada vez mais dolorosos e longínquos até fugirem do alcance do mais competente ouvido humano. Eu próprio poupei às crianças esse destino - os piores gritos eram os seus, que acentuavam a totalidade da nossa impotência. Nada desejaria mais agora que poder ter a mesma misericórdia que lhes foi cedida. Mas tornou-se claro que não restam mais escapatórias.
Ignoro por completo a razão, se é que existe uma, para me terem deixado para último. Torna-se impossível não invejar os primeiros que foram colhidos. Pelo menos eles não tiveram de suportar o inferno de sobreviver num sítio como este onde só existe sofrimento e a noção de esperança deixou de ter significado. Ainda assim temo que venham finalmente por mim; sinto a morte a chamar pelo meu nome e como que se o esquecimento se aconchegasse ao meu corpo. Aproxima-se a escuridão. Não me resta mais.
Publicada por
T
à(s)
04:14
0
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
Pensamentos Divergentes (nº305)
Já que,
como tu dizes,
temos tendência a complicar em diálogo coisas de uma extrema simplicidade
Digo-te aqui,
sem qualquer tipo de compromisso,
que não sei se isto é amor
ou qualquer coisa do género a que se lhe possa dar esse nome.
Mas de bom grado despedaçaria o meu corpo em oportunidades para te fazer sorrir.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Foda-se! (nº78) - False.
Passa a minha mãe pelo meu computador e perante esta imagem diz, com toda a sinceridade: "Olha, és tu aí no ecrã!?"
. . .
Publicada por
T
à(s)
22:12
5
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
foda-se
Some men die in a fall
É nos momentos de maior desespero em que não parece haver escapatória que me lembro que provavelmente tinhas razão. O melhor que qualquer um de nós pode fazer é seguir aquilo que sente estar certo e esperar que, feitas as contas no final, tenhamos somado mais bens que males.
Yoct
Pobre de ti que não sabes o que hás-de fazer com tanta vontade de ter amor para guardar em grãos por entre os folhos de uma memória efémera. Sempre essa tua fome de ser - para alguém, algures - relevante. E nesse aspecto até quase que és um rapaz nobre - quando foste infiel a principal razão nunca foi a luxúria nem alguma vez se tratou de uma questão de adicionar nomes para uma lista de conquistas da qual mais tarde te pudesses gabar. Davas-te simplesmente ao teu infeliz desespero de, já que não encontravas significado para a tua existência, ser significante pelo menos. Queres que toda a gente se apaixone por ti. Queres fazê-los sentir qualquer coisa que seja; sentir apenas - ódio, luxúria, repulsa, amor, tristeza, inveja, tudo e qualquer coisa - para que fiques tu a sentir, por um segundo apenas, que importas. Que causaste um impacto. E que algo de ti irá viver nos outros. E que não és tão insignificante assim.
Publicada por
T
à(s)
13:54
0
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
Escritor suicida
O autor ordena em fila olhares vagos para diversos objectos, cada um deles com utilidades diferentes mas de aproximado irrelevante valor. Tem-se enganado ultimamente, afirmando em monólogo interno de fraca articulação que está só a tomar uma pausa e que em breve voltará a escrever de forma relativamente competente - apenas precisa de beber mais um copo ou de dar mais algum tempo à sua cabeça para arejar as ideias. Não se questiona no entanto sobre o valor das ideias - que é nenhum. Toda a gente tem ideias e quase todas essas ideias são, em última análise, estúpidas. Não é preciso ter ideias para escrever. O que é preciso é fazê-lo e conseguir fazê-lo por cima do ódio que se lhe tem até ao final de cada frase e jamais voltar atrás pois voltar atrás seria sucumbir à tentação de eliminar todo o trabalho que se fez. E é aí que ele tem falhado. Porque apagar tudo quanto se escreve é matar o espectro de si próprio sem perder a esperança de no futuro estar vivo para escrever algo melhor.
Publicada por
T
à(s)
02:46
2
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
segunda-feira, 9 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
ad eternum
Se eu começasse a contar todas as maneiras em que vos acho detestáveis nunca mais sairíamos daqui.
Publicada por
T
à(s)
19:58
1 comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
diversos
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Tonda wanda hoy conicka la
Após prolongada ausência hoje vou estar com Ela novamente. Tenho de preparar o meu charme e colocar-me no meu mais sedutor para que não se esqueça do que tem aqui à espera.
Publicada por
T
à(s)
17:06
0
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
filmes,
música,
o gajo não é normal
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº618)
Eu normalmente gosto de ler as notícias assim que acordo, mas há dias em que assim que abro o jornal sou atropelado por este país que faz marcha-atrás sem olhar pelo espelho retrovisor.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
I been drunk forever - I'm sedated; hatred - I'm sedated; pages - I'm sedated
Por alguma razão que desconheço parece que a nossa sociedade tem cada vez mais tendência para romantizar gajos execráveis.
Falo por experiência própria, porque sou um desses gajos - garanto que não há nada que valide essa estúpida noção. Há gente idiota e nada mais que isso. Lamento.
"O poder do ser" ou "A razão pela qual não me ralo com patriotismos"
Não estou apegado a nenhum partido político, não tenho credo nem tenho particular orgulho pelo curso que tirei ou pela universidade onde o tirei. Eu nem se quer tenho um clube de futebol predilecto e também não me faz muita diferença entre beber Coca-cola ou Pepsi. Também não me considero escritor ou poeta apesar de serem coisas que eu faço com alguma regularidade.
Eu no fundo não sou nada. Não uso grupos para me identificar como pessoa porque simplesmente não faz parte de mim - seja eu o que eu for - fazê-lo. Sei que não sei o que sou e que tentar nomear-me seria só um artifício. Sou apartidário da vida e não vejo mal nenhum nisso.
Consequentemente, no que toca a Portugal tanto posso pegar nele como largá-lo. Não me faria confusão fazermos parte de Espanha ou agregarmo-nos com ela para formar uma sociedade ibérica. Desde que não se percam os direitos dos seus cidadãos, a cultura ou a língua tanto me faz. Na verdade, pondo questões orwellianas de parte, até me parece bonita a ideia de uma nação global porque interessam-me mais as pessoas do que a localização geográfica onde calharam nascer.
Tentando resumir aquilo que estou a ter dificuldade em explicar: passamos a vida a ter o facilitismo em saber dizer tudo o que não somos. Mas dizer quem nós somos e o que nós somos é bem mais difícil. Daí que haja poder no acto de nos agarrarmos a identidades fáceis de digerir - por muito generalizadas que elas sejam. Eu podia ser benfiquista, podia ser cristão ou podia ser incapaz de beber Pepsi. E no fim ficaria só com uma ilusão de saber quem sou porque no fundo estas são coisas que nada dizem sobre o carácter de alguém.
Contento-me com a frustração de nunca saber e com a missão de passar o resto da minha vida a tentar fazê-lo. E já não me incomoda quando olham de lado para mim por aparentemente eu não me ralar com nada do que parece ser importante.
Publicada por
T
à(s)
01:18
4
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Diz-gato-mia
Hoje não sei que escreva aqui. Não consigo perceber se o problema deste blog é que falo pouco sobre mim e sobre as minhas experiências pessoais por medo de revelar demais sobre a minha pessoa ou se é o oposto e o problema é que só falo de mim e de coisas que só a mim me interessam.
Publicada por
T
à(s)
19:30
3
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
diversos
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº617)
Sei que sou um porco quando dos dois caminhos que posso escolher para chegar ao meu destino escolho aquele que tem uma morena de calções de ganga curtinhos por mais nenhuma razão para além dessa.
When you're up for it before you're grown
As pessoas menos interessantes são aquelas que sabem para onde vão.
Pensamentos Divergentes (nº303)
ando,
por andar,
a gastar a sola dos sapatos
procurando o sítio
onde fizeste este cemitério de melodias
que me deixam a falar afónico do som
para que fiquemos os dois a cantar
Eu não quero pegar fogo ao mundo
eu apenas quero acender uma chama no teu coração
terça-feira, 3 de julho de 2012
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº616)
Ser rejeitado para trabalhar para as forças armadas foi para mim mais ou menos como ser rejeitado por uma mulher com dentes na vagina.
Order my city to swallow yours up
Pior Verão de sempre. Mas é meu.
Coração domesticado
Não era minha intenção equivocar-te com este coração de criança birrenta mimada pelos caprichos dos seus poucos dotes e conquistar-te sem certezas de uma eternidade de carinhos e de uma cama quente no final dos dias que se atribulam a si próprios sem pedir autorização.
Não era minha intenção sofrer-te neste abandono inconsolável de um amor tão grande que não se pode deixar ser acompanhado de outros amores em pessoas para passar tempo por aprendermos um com o outro a falar com a boca cheia de verdades mal mastigadas e de cotovelos em cima da mesa para chegar melhor até ao outro lado.
E não era minha intenção fazer de ti parte tão grande de mim ou colocar-te na injustiça da responsabilidade de cuidar das vontades deste animal que só parece acalmar e tornar-se terno graças à tua presença.
Espero não te incomodar nos meus pensamentos. É que os meus dedos estendem-se e não chegam a lado nenhum. Penso em ti para ter um resquício do teu calmo feitiço e não deixar de ser esta fera domada para me tornar em mais um homem irado e rancoroso sem amor pelo mundo. É esta corrente solta a que me sujeito por vontade que me lembra que tenho dono. E um lar para ser amado.
Publicada por
T
à(s)
02:44
0
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
segunda-feira, 2 de julho de 2012
O papel de um homem
Um homem tem um simples conjunto de objectivos que devem ser alcançados.
Homem que é homem tem uma mulher que o arraste para fora do negrume da noite na fusão dos seus corpos incompletos, uma mulher que o atire antes para os seus abismos femininos, gritando e gemendo o nome do seu homem em direcção ao vazio. Sem leis, deuses e nem mesmo palavras para barrar caminho - apenas o seu nome transmitido num eco solitário através do nada.
E quando o homem finalmente se deixa cair no vácuo do abismo final, porque homem que é homem morre antes da sua mulher, há que ter uma mulher que arraste o seu nome, em gritos e gemidos, pelas bordas do precipício. Para lembrar que, um dia, foi dela e do seu vazio.
Publicada por
T
à(s)
19:00
0
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
outros textos
Diários de um gajo como eu
Tento manter-me ocupado. É isso que eu faço agora, do início até ao final do dia. Faço o meu "trabalho" que é procurar emprego e escrever. Os dois são ilusões, por certo, mas são ilusões diferentes uma da outra.
A primeira é o acto-reflexo de quem usa os seus impulsos instintivos porque precisa de ter uma vida e um objectivo que vá de acordo com a sua natureza - a macieira dá maçãs, a leoa persegue a zebra... eu procuro emprego apesar de já me ter há muito convencido que na cidade das ruelas profissionais eu vim dar a um beco sem saída. É uma acção irreflectida, um tique que outrora teve um significado e que se mantém para além da sua utilidade, por hábito ou como forma de manter coerência, consistência ou sanidade.
A segunda é apenas uma maneira de me convencer que os meus dias não são inúteis e que se andam a evaporar no éter. Encaro escrever como o meu trabalho porque não só é aquilo que eu gostaria de fazer como é aquilo que eu preciso de fazer todos os dias de uma ou outra forma porque o meu coração e a minha neurose assim o exigem. Mas apesar de me dar trabalho não é trabalho coisa nenhuma. É algo que posso fazer de forma mais ou menos competente mesmo depois de beber dois copos de whisky e é isso que me agrada. Isso e o facto de no final me dar a sensação de ter realizado alguma coisa quando a única coisa que fiz foi ceder à gula da minha auto-comiseração e afagar o meu ego com uma ou duas metáforas pseudo-inteligentes. No final do dia, não se realizou nada. Não se deu nada de proveitoso. Não contribuí em nada para a sociedade. E isso é importante para mim mas não é tão importante assim pois o que eu quero mesmo é fazer o que a mim me dá na gana e o resto que se lixe. E isto não é coragem mas egoísmo.
Tento manter-me ocupado. É isso que eu faço agora, do início até ao final do dia.
Publicada por
T
à(s)
15:14
3
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
Etiquetas:
diversos
Subscrever:
Mensagens (Atom)
.png)


