quinta-feira, 31 de maio de 2012

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº600)


Quando bebo torno-me numa pessoa diferente com um conjunto de habilidades e capacidades diferentes das que tenho quando estou sóbrio.

Por exemplo, desmontei um corta-unhas. Nem sabia ser possível desmontar o corta-unhas. Mas agora não o consigo voltar a montar.

Quer isto dizer que durante uma curta janela de oportunidade, com suficiente álcool, posso tornar-me nisto:

Pensamentos Divergentes (nº294)


Quando era criança
olhava para os meus sapatos.
Olhava para os meus sapatos
esperando que eles falassem
como as crianças fazem com todo o tipo de objectos,
Porque ouvi dizer que os sapatos tinham línguas
e essas línguas tinham cordões
e se os deixasse por atar mais tarde ou mais cedo me iriam falar coisas que só sapatos poderiam falar.
Onde tinha eu estado
Quantas pastilhas tinha pisado
E o número certo de passos apressados em alegria que eu alguma vez tinha dado na sua companhia.
Agora sou homem
e os sapatos são só para calçar,
e já não fico em silêncio a escutar
o que um qualquer objecto inanimado tenha para contar.
E já não troco de sapatos como trocava,
deixei de crescer.
Os sapatos para os quais agora não olho teriam muito mais a dizer.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Pensamentos Divergentes (nº293)


Diz a menina pura
da casta impermeável sociedade
que nojo isso de ser fufa,
escolher ser gay é uma imoralidade

Agarrada à sua melhor amiga
nas noites em que sai para a bebedeira
apalpa-a de alto a baixo
sob o pretexto da brincadeira

sonha constantemente com dois galopantes unicórnios
correndo sucessivamente um contra o outro sem alarme,
ambos envergando o seu bélico clítoris frontal
esgrimando o orgasmo numa trovoada de feminina carne

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Growing old under the gun


Quem diz que ser criança é ser inocente só lembra da sua infância o que lhe convém.

Paragem


Ouvi dizer que eras feliz. Que tinhas arranjado um bom emprego lá fora. E que eras feliz.
No canto de um quarto que já não existe, há fantasmas a dançar. Sem peso, pisam as palavras que dissémos enquanto o autocarro partia para nunca mais voltar. Um de cada lado da paragem.
E podíamos telefonar. Mas sabemos demais. Mais do que poderíamos admitir. E menos do que quem se ama ou se preocupa com destinos. E ninguém teria dito que estaríamos os dois vivos num dia como este.

domingo, 27 de maio de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº599)


Sabedoria é perceberes que és uma pessoa extremamente ignorante e vais sê-lo até o dia em que morreres. Experiência é perceberes que o mundo está a abarrotar de gente muito mais estúpida que tu.

Problema e Solução


D - No outro dia quando falei contigo ao telefone estavas alcoolizado não estavas?
Eu - ... Eu falei contigo ao telefone?
D - Pois, pois.
Eu - Epá, esta dor de cabeça não passa e então bebi um ou dois copos de whisky para anestesiar.
D - Mas sabes que eram tipo 6 da tarde quando falámos, certo? E assim a essas horas...
Eu - Claro. Mas tu achas que eu sou estúpido? Tive de beber uns copos. Ia por-me a tomar paracetamol ou aspirina de estômago vazio? Isso faz mal.

I didn't go to see te city, I went to see it around you


Gosto de ti porque tu paras para me fazer ver as cores de um campo. E eu sempre fui de ver só aqueles bichos rastejantes no escuro que ninguém quer ver. E tu pareces nem saber que existem... Enquanto que eu não penso em mais nada.

Amor sóbrio num Sábado à noite


Prometia, pela forma de falar e pelo seu charme, ter experiência na arte. Falava-se de conquistas e mediam-se as conquistas a grosso modo pelo número. Era fanfarrão e ela gostava disso. Ela apaixonou-se por ele sem conhecer mais que as suas palavras e o carisma banal de quem sabe conversar na companhia de copos cheios de dedadas. Recorreram os dois à inevitabilidade magnética de um sofá abandonado à impulsividade do aroma a eroticismo latente.
Ele não era experiente a fazer amor - era experiente a vir-se e não sabia qual a diferença entre os dois. Nunca aprendera - porque nunca lhe interessara - a escutar os movimentos internos de um corpo que não o seu. Veio-se nela e foi-se o rebento de amor que nunca poderia crescer. Neste mundo, aborta-se o toque em prol do gesto.

sábado, 26 de maio de 2012

O Ying e o Yang numa só página de notícias


" O Presidente da República, Cavaco Silva, admitiu nesta sábado que há jovens portugueses qualificados a procurar oportunidades de emprego na Austrália, mas disse preferir que estes fiquem em Portugal "

 " Centros de emprego estão a oferecer trabalho a licenciados por 500 euros "

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº598)


A maldição do cromo: as raparigas adolescentes só te acham piada quando tu já não o és.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

I can't help thinking about it


Ultimamente eu e a minha namorada temos uma conversa deste género pelo menos uma vez por dia.

Pensamentos Divergentes (nº292)


eu e os meus irmãos pela costa
à procura de amor
para resolver uma aposta
sobre o significado da vida
e o nível de beleza das flutuações de humor

depósito a meio
não fui eu que fiquei de errar
o coração cheio
porque as brisas são rameiras
que nos despenteiam para nos ajanotar

Pensamentos Divergentes (nº291)


Porque levas esse revólver na garganta
e apontas directo ao coração
deixando-me nua perante ti.
Nem me conheço quando estás...
E fico com o mundo inteiro por encontrar
quando ninguém está a ver...
Mas tu estás sempre a ver...
os teus olhos beijando o espaço
entre o meu ombro e o meu pescoço

terça-feira, 22 de maio de 2012

"It's not hard to listen"


Estou farto de disfarçar que sou gente. Se ninguém me solta ainda rebento em nitroglicerina e confeti e salpico as paredes todas com uma gota de cada cor. Eu devia era ter ido para estrela de Rock n' Roll.

Sou o número um!


Recebi hoje uma carta de amor por parte de uma entidade empregadora para a qual concorri para uma posição. Ao contrário de muitas outras entidades, têm a decência de incluir na carta qual foi exactamente o seu método de selecção, quantas pessoas concorreram e o porquê de terem excluído quem foi excluído.

Aparentemente este local em questão avalia o currículo, experiência profissional anterior e desempenho na entrevista segundo um sistema de pontuação que vai de 0 a 20 valores.

Eu tive 1 ponto.

Esta noite vou celebrar não ser um zero.

Mind Blown

Passeando de carro com a minha Sobrinha

Sobrinha - Eu queria é outra daquelas pulseiras mágicas.
Eu - Quais?
Sobrinha - Aquelas dos desejos.
Eu - Como é que são?
Sobrinha - Dás três nós, um para cada desejo e tens de esperar que se derreta para que se cumpram.
Eu - Então e se o teu desejo for que a pulseira não se desfaça?
Sobrinha - ... Ai!
Eu (risos)
Sobrinha - Então... Os desejos não se cumprem.
Eu - Mas se o teu desejo é que a pulseira não se desfaça então cumpre-se. Mas ao não se desfazer também não se pode cumprir.
Sobrinha - ...
Sobrinha - ...
Sobrinha - Pois...

Pensamentos Divergentes (nº290)


A Maria leva-me até casa
leva-me por baixo da sua asa
e com aquele ar despreocupado
acusa-me de ser só mais um despenteado
acertando sempre as rachas no chão com o mesmo pé
e diz-me "Rapaz eu mostrava-te um bom bocado
se primeiro me mostrasses que podes ser o que nenhum de nós é"

E eu
sem querer ficar atrás,
digo "Maria só tu me vais compreender
quando neste caminho eu me derreter
porque todo este alívio que me dá quando tu não estás
é por tanto eu em ti me ver"

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pensamentos Divergentes (nº289) - As palavras certas


Andava pelas ruas sem saber o que fazer à minha mão.
Na praça só se apressa quem tem fome, tal como os pombos que nela habitam e que correm pelo chão por se esquecerem que têm asas para voar. E a minha pressa era a da fome de guardar o tesouro que tinha na mão e guardar o seu segredo em casa onde o poderia admirar antes de pensar em mostrá-lo a alguém.
Brincavam entre os meus dedos palavras irrequietas às cem, impacientes por crescer e espantar com a sua beleza. Tudo na certeza de serem a solução para os problemas do coração e da tristeza. E eu, sem ninguém a ver, queria-as para mim para conquistar toda a gente ao levar à minha frente o seu poder de falar - seu amor em mim próprio folhado numa folha despejado para toda a gente ler.
Perdi-as no bolso das calças. Foram à máquina de lavar. E todos os dias agradeço essa desculpa para as continuar a procurar.

domingo, 20 de maio de 2012

It's just a feeling


Este mais cheio de ódio e de misantropia não sou eu. Pelo menos gosto de pensar que não.

Pensamentos Divergentes (nº288)


Um grito agrafado no escuro,
a noite ressaca das ruas namoradas pelos vagabundos
sonâmbulos de olhos especados nas pálpebras da loucura.
E tu,
de mão congelada ao lado do corpo,
para não dares por ti a agarrar no braço de um desconhecido
e implorar que te diga que não és real.
A palestra do sangue ecoa dentro de ti
soprada pelo frio que te abraça pelo lombo.
És bola de sabão
a flutuar ao capricho dos elementos
à espera de rebentar.

sábado, 19 de maio de 2012

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº597) - Anti-Darwin


O meu instinto de sobrevivência é uma treta. A prova disso é que tudo o que tem o potencial para me matar tem também o potencial para me causar erecções.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

6ª Feira


As noites frias são as mais perigosas e eu vou dizer-te porquê.
De copo na mão, usando a palhinha para misturar a bebida e que mais. Já disseste que é só um amigo mas vejo-te a tentação nos olhos nos instantes em que um sorriso te desarma. O corpo, de inquieto, é sempre uma aflição e com os ombros a descoberto é que baste para chamar quem te queira aquecer e quem queres que te aqueça. Ponho o meu braço à tua volta e é óbvio que não sou eu. Já se enganaram no meu nome e é por ele que tu chamas quando estás mais calada depois de te levar para casa no final.

You'll never hear the song the same way again


Se não me arrependo de não termos mantido o contacto? A única coisa de que me arrependo é não me ter afastado antes.

Coisas Que Um Gajo Coiso (nº596)


Um dia destes vou conseguir beber um copo de whisky sem ter de fumar um cigarro.

Pensamentos Divergentes (nº287)


o que te quero dar
é de um outro que não sou eu,
ficar cá contigo para sempre
e dar-te o que ninguém me deu

por isso não te deixes abalar
todos nós deixamos de sofrer
e não esvaias o teu sorriso em mim
se eu me matar antes de poder morrer

Amor frágil


Não podes largar que se largas ele pode ir-se embora. Foder as outras e as outras são tantas e são todas as que não são tu. Faz da cama o vosso lar barrotado. Os homens são uns animais e tu não vales nada. E se elas morressem todas ele olharia para ti e só para ti. Passa a vida a sonhar com um homem que julgas não existir e com uma versão de ti que não existe também. Serias tão feliz se as pessoas fossem todas umas que não são.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ela não entenderia mais nada


Não percebeu. É fácil ver como não percebeu.

Promessas de amor e dedicações plausíveis de um apaixonado outrora são - rasgava-se lento o odor da sua fome no ar. Vi-lhe a verdade nos olhos, sabes? A sua mais pura e completa verdade, brilhando num quase opaco latejar de visão. A aflitiva tentação de um par de braços que não se materializa por muito que se lhes reze a existência.

Falou de amor e de amar com corpo, alma e mente. E não percebeu que aí estava o problema e que são tudo o mesmo. É tudo corpo a experienciar-se a si próprio, ansiando por outro corpo como catalisador químico de paixão desenfreada.

E eu vi tudo. Ele não a conquistou porque queria agarrar-lhe esses fantasmas imaginados quando tudo o que tinha de fazer era agarrar-lhe o corpo e não largar. 

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