Não tenho a certeza se algumas das minhas bandas favoritas simplesmente estão a fazer álbuns cada vez mais fracos ou se os meus gostos mudaram ligeiramente e a nostalgia é a única razão pela qual ainda gosto das suas coisas mais antigas.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
O outro lado do outro lado do espelho
É difícil não me perguntar por vezes como teria resultado a minha vida se se alterassem algumas componentes incontroláveis da minha circunstância. Que tipo de pessoa seria e quão diferente seria essa pessoa da pessoa que sou se tivesse frequentado outra escola em criança, ou tivesse nascido noutra cidade. Se não tivesse conhecido alguém ou lido um dos livros que li. Todos temos destas perguntas, suponho.
Dá vontade de calçar sapatos com solas interdimensionais. Poder visitar a belo prazer realidades alternativas que girem à nossa volta, mundos hipotéticos plausíveis mas sempre indisponíveis na nossa curiosidade. Há sempre coisas fora do nosso controlo que nos moldam e seria irresistível ver de que forma teríamos ficado melhor ou pior se se tivesse colocado a vírgula à esquerda num ou noutro factor.
Por outro lado, é bem possível que a melhor realidade em que podemos existir é uma realidade em que não temos o peso de conhecer o nosso destino noutras realidades. Jogar com o baralho que temos e não lamentar que não nos tenha calhado mais um trunfo que esteve quase para nos ser dado. Talvez seja essa a única forma de podermos jogar o melhor que podemos para sermos o melhor que podemos ser em vez de pensar no melhor que poderíamos estar.
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº586)
Razão nº 3896 porque o meu blog nunca virá a tornar-se num daqueles blogs super populares: Não me mantenho a par de nada, não sei nada sobre o que acontece e consequentemente tenho de googlar o nome Rita Pereira para saber quem raios é ela.
Pensamentos Divergentes (nº280)
gritando precipícios
é nada mais que constatações
de recordações
dos meus mundanos vícios
segredo e revelação
das conversas a porta fechada
da infância passada,
os espectros da minha sustentação
só a noite tapa o anfiteatro
insuficiente para o meu fogo ateado em palha
cortei os seus tendões com uma navalha
de metal forjado em '94
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Baratas e como o barato sai caro
Há pessoas que fazem da tristeza o seu triunfo pessoal. Lançam suspiros que são leões esfaimados para devorar quem se encontre no seu caminho. E nós temos tendência para admirar o sofrimento e as pessoas que sofrem, mas esse não é o problema. O problema é que não sabemos de forma colectiva reconhecer uma pessoa que sofre propositadamente por só sentir que tem valor e que é amada quando têm pena dela e reconhecer que isso é mau e deve ser eliminado da nossa cultura em vez de reforçado. Até lá, teremos sempre uma grande parte da nossa população que prefere ser um bicho pisado pelos outros do que tentar ser feliz e arriscar a fracassar. Porque a miséria podemos tê-la sempre como garantida, mas num jogo de sorte (ou azar) tomamos decisões que não se sabe no que vão dar.
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So I tell stories
Pelo menos um centésimo do que digo, metade do que faço e o todo do que escrevo é porque quero viver em todo o lado. Menos em mim.
Coisas que preciso de escrever para me fazer acordar
Sou autodestrutivo. Agora é que faço de conta que não. Já não tomo os riscos estúpidos que tomei na minha adolescência, mas este meu gosto e necessidade de me rodear de miséria e sofrimento é porque sou viciado em angústia. E eu tento fazer disso algo melhor, querendo tornar-me num paladino de esperança. Mas para o tipo de pessoa que eu sou os meios são sempre mais importantes que os seus fins. O resto é fingimento. E mesmo que não seja e eu na verdade seja mesmo melhor pessoa do que acho isso não interessa, pois não me permitirei ver isso. Vou sempre procurar por motivos ulteriores nas minhas crenças e atitudes. E por vezes a questão parece girar à volta de quando chegará a altura em que me terei tornado suficientemente bom a enganar-me a mim próprio para que eu me sinta feliz comigo.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Coisa Que Um Gajo Coiso nº(585)
Hoje senti-me desmoralizado por, para todos os efeitos, não poder celebrar o Dia do Trabalhador. Tendo em conta o actual panorama económico, quando é que organizamos aí um Dia do Desempregado? Para além de uma aliteração ficar sempre bem, já agora fazia-se algo de útil - a cena de feriado para não trabalhar e ficar em casa não se aplicaria por motivos óbvios, mas podíamos durante um dia acabar com voluntariados que corrompem o mercado de trabalho, bem como os "estágios profissionais" de 3 meses e os ditos falsos recibos verdes. Havia assim pelo menos um dia do ano em que todos tínhamos melhores oportunidades para arranjar um emprego com menor precariedade e exploração. Isto porque pelos vistos não é realista terminar com as constantes falcatruas durante a maior parte do ano. Afinal de contas somos mais que suficientes neste país para pedir um dia só para nós. E até que merecíamos um diazinho para descansar do não trabalhar.
Foda-se! (nº77)
O pessoal das finanças não só me dá mais um ano de idade como insiste que sou de Vila Viçosa. Quando confrontados com este óbvio erro de registo de dados e constatando que estes dados foram introduzidos poucos dias depois de uma passagem de ano, perguntam sem ironia se eu não terei apanhado uma bruta bebedeira e viajado até Vila Viçosa para tratar do meu número de contribuinte e agora já não me lembro de o ter feito. Foda-se.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
Foda-se! (nº76)
Eu - Vou hoje tratar do cartão de cidadão.
Mãe - Olha que eles depois tiram-te lá uma fotografia.
Eu - Sim, eu sei, a foto para o cartão.
Mãe - Por isso trata de tirar os brincos. Fica mal.
Eu - Não tarda dizes-me para fazer também a barba, não?
Mãe - Pois!
Eu - É só uma fotografia para um cartão, que interessa?
Mãe - Olha que com uma foto assim no cartão de identificação ninguém te dá emprego!
Eu (foda-se)
The days will drag until the years amass
A questão não está na repetição. Tudo se repete. O que importa é a intensidade da repetição.
Pensamentos Divergentes (nº279)
Quando morrer do coração
quero ser conhecido por todos sem excepção,
após merecidos festins e tributas,
como Santo Padroeiro das Putas,
Rei dos Degenerados
e Compincha dos Estuprados.
Pensamentos Divergentes (nº278)
Lá na rua é corriqueiro
o viver de cada seu cidadão
e da vizinha ao padeiro
toda a gente sabe qual é a sua profissão
A Maria trabalha à noite
pega em quem só ela pode amar
e quem desgosta que não se afoite
ela não tem nada que enganar
Há muitos homens casados
cuja mulher não sabe o que faz
e aparecem-lhe lá frustrados
dizem-lhe que ela é que é mordaz
E a Maria ama todos
mesmo que só de soslaio
os trocos é que são poucos
chega p'rá sopa e p'ró catraio
Pensamentos Divergentes (nº277) - só para ser parvo
por nunca encarar
por sorrir só pelas metades
por falar pelos cantos da boca
ao cantar entortam-se-me os lábios
tenho a boca diagonal
e de estante assim caem as palavras
objectos mal cuidados
de carpinteiro amador
ando a tentar alinhar a minha boca
com esquadros feitos de mim.
o meu dentista já me disse que a continuar assim
para escovar os molares tenho de entrar pelo olho
domingo, 29 de abril de 2012
Pensamentos Divergentes (nº276)
zoando xadrezados voos
ubiquas teias saram retracteis queixas
primaverando outras nefastas madrastas
longínquas janelas irrompem
horas gerando feras encantadas
diante crisálidas benzendo amor
sábado, 28 de abril de 2012
Pensamentos Divergentes (nº275)
astros bizarros
coloridos de elásticos fascínios
gerando habilidosa inveja justificada
longas martirizadas noites
onerando passados queloides
reconhecidos sem trepidação
um vil xeque-mate zebuíno
Wake me up tomorrow
Este dia sabe-me a agridoce.
Carta ao Desespero
Fascina-me a nossa capacidade para a negação. Somos todos loucos nesse sentido. Porque só vivemos entre inevitáveis tragédias que nos são impostas pela realidade e a loucura está em esquecermo-nos das tragédias do passado e agirmos como se não nos esperassem novas tragédias no futuro. Tapamo-nos com essa loucura benéfica para manter alguma da sanidade - usamos a doença para nos vacinarmos de uma pior doença. Por essa tua loucura ser maior, vives mais que eu. Eu, na procura do real, vivo num constante terror do mundo e de mim mesmo. E de ti. Fico zonzo deste periclitante balanço do universo num gume de acaso. Fico com medo de escorregar, um pouco como alguém que se apercebe da velocidade a que o planeta se move pelo cosmos e o primeiro impulso é agarrar-se a alguma coisa para não ser cuspido em direcção do vazio negrume que se esconde à espera. Mas há momentos em que cedo a essa cristalina insanidade. Sempre que amo e sempre que sorrio. Se comigo tudo isso parece mais pesado é por isto que te conto e porque rapidamente me apercebo que baixei a minha guarda. Falta-me a prática de quem não tem medo da sua loucura. E de viver.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
Manifesto de 1/4 de vida
Não há dia que passe em que eu não veja as notícias e me depare com uma nova medida do governo ou uma nova estatística e me dê um ataque de pânico. O meu miocárdio já viu melhores dias. E eu sei que este blog está-se a tornar uma chatice porque agora em cada dois textos há um em que me queixo ou do desemprego ou falo da minha ansiedade com isso. Mas perdoem-me só mais esta vez.
É que lembrei-me de algo que escrevi há cerca de dois anos atrás neste blog mas nunca cheguei a terminar/publicar. E neste reencontro com o passado encontro alguma calma para mim próprio e que também vos poderá ser útil a vós.
Manifesto de 1/4 de vida:
- Não esquecer de como era ser criança. Da euforia da descoberta e da frustração da falta de autonomia. Não me esquecerei das coisas boas e, talvez ainda mais importante, das más. E com cada criança lembrar-me-ei que em breve essa criança será um indivíduo e que a forma como interagimos com ela irá contribuir para esse indivíduo.
- Não vou deixar de acreditar nas novas gerações. Não me vou esquecer que já quando eu era mais jovem diziam que a minha geração estava perdida e nenhum de nós se aproveitava - a acreditar nisto, os jovens deste mundo andam a ficar cada vez mais selvagens há milhares de anos. Vou-me lembrar que cada geração tem sido mais moral que a anterior e o resto são colchões que as pessoas criam para se conformarem com a sua estagnação.
- Não me posso esquecer que o coração tende a ficar negro com a idade. Não posso deixar de lutar contra isso.
- Vou tentar melhorar o mundo à minha maneira. Se não souber qual é a minha maneira devo-me a mim próprio descobri-lo custe o que custar, demore o tempo que demorar.
- Os meus pais fizeram o melhor que puderam comigo, mas o seu melhor não foi o suficiente. Porque o melhor nunca é o suficiente. Se tiver filhos meus tenho a obrigação de fazer muito melhor do que eles, e devo fazê-lo apesar de saber que o meu melhor também não será o suficiente.
- Não me vou deixar convencer que já não tenho idade para fazer certas figuras. Qualquer que seja a minha idade, há maturidade em não nos preocuparmos com os outros pensam, mesmo que só de vez em quando.
- A vida é demasiado curta para desperdiçar com algumas coisas. Por vezes, essas algumas coisas são pessoas. Mesmo assim, não devo deixar de estender a mão a alguém que precisa.
- Em toda a minha vida haverá gente disposta a dizer-me que o melhor é deixar de lutar. A minha própria voz me dirá o mesmo. Não lhes darei ouvidos.
- O mundo torna-se mais feio quando envelhecemos porque desistimos de o tentar fazer bonito. Se formos todos artistas de vez em quando, principalmente uns com os outros, remamos contra a maré. Se formos suficientes, quebramos a maré.
- Há mais como eu. Ajudar um pouco não custa. Às vezes um abraço ou o reconhecimento do que eles estão a passar é que baste para aliviar a carga.
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Espera lá, eu tenho um blog?
Entre procura de emprego, problemas familiares, concentração noutros projectos e andar em corridas para conseguir participar em concursos literários este espaço ficou para trás nos últimos dias. Mas já estou de volta, acho.
E ah pois... 25 de Abril e quê...
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Foda-se (nº75)
| Clicar para ver melhor |
E depois as pessoas pensam que eu estou a exagerar e dizem-me para ter calma quando eu digo que procurar emprego na internet me está a deixar maluco.
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Sim, mãe
São três da manhã e ainda nada mudou.
Esperas catatónico que um anjo te caia na fronte
para mudar a vida que só tu podes mudar
mas a verdade é que tu és inquilino da tua própria existência
e tudo o que fazes é andar no barco para onde a corrente te levar.
Vais fazer o quê
se toda a gente sempre te disse que és um inútil,
a única coisa que podemos fazer neste mundo é não levantar ondas
vais chatear os outros para quê
e para quê então chateares-te a ti próprio com coisas que não se podem realizar.
Arranjar um emprego e sobreviver.
Pagar as contas e talvez casar,
ninguém te pede mais que isso.
Nem precisas de ser feliz,
muito menos ser significante.
Pisamos todos o mesmo chão,
não penses que és mais que os outros.
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domingo, 22 de abril de 2012
All day long I'd biddy biddy bum
Não há dúvida que tenho sangue judeu.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Já dizia a Bonnie Tyler
Todos os dias tenho desgostos de amor. O meu último grande desgosto de amor foi com a profissão que escolhi para mim próprio, mas não há dia que passe em que não tenha pelo menos um pequeno desgosto de amor. Uma vezes é com o meu país, outras vezes é com um novo álbum de uma das minhas bandas preferidas que acontece eu achar ser mais fraquinho, e ainda há outras alturas em que fico com desgosto de amor por ter estado a cozinhar uma refeição e não resultar como eu tinha imaginado. E todas as semanas tenho um qualquer desgosto de amor com o mundo ou quem nele habita.
Quando tive o meu primeiro grande desgosto de amor tinha os meus 16 anos e foi por causa de uma rapariga que me deu com os pés. Foi o primeiro e o maior. O que acontece com os desgostos de amor é que habituamo-nos a eles - não há outro remédio. Chegamos até a procurá-los pois eles são necessários para a vida. Ter desgosto de amor é simplesmente ter algo no qual se depositou carinho, tempo e afecto e acabou por não resultar como queríamos. E passar a vida a ter desgostos de amor, mesmo que pequeninos, é a capacidade de amar para além do amor.
Quem se quer proteger de desgostos de amor quer-se proteger de viver, porque só vive quem vive com o coração quebrado, que é para isso que ele serve - para ter algo para remendar, encontrar novo remendo e voltar a usar até se partir de novo.
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Out of college
Todos os dias é assim - música para jovens desempregados.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Pensamentos Divergentes (nº274)
enquanto contava as pestanas da eternidade
e a chaleira beijava a chávena
estátuas de bichos rastreiros
imitavam os seus passatempos
gritou em sorvedelas
pétalas marcadas a ferros de sono
capazes de enfrentar
a mais temível das razões
os animais selvagens que cobrem a noite
não deixam dormir
e quem se voluntariar para empurrar o horizonte
por ela enterrado será
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº584)
Não sei o que é pior, sonhar que estou presente no casamento de uma ex-namorada ou a realização de que estou a chegar a uma altura da minha vida em que essa merda há-de estar para acontecer.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Coisas Que Um Gajo Coiso (nº583)
A razão pela qual é tão fácil odiar os outros é porque a nossa experiência mostrou que é essa a melhor distracção para o ódio que possamos sentir para nós próprios.
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