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domingo, 21 de outubro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº327)
Após diversas contestações
de variadas dimensões
e sobre a maior panóplia de temas,
ele olha para mim com o ligeiro mas incómodo ardor de dois eczemas
e pergunta a maior pergunta entre as perguntas malditas
"Afinal de contas...
em que é que tu acreditas?"
"Em que é que eu acredito?"
pergunto de volta a este perito
de todos os eventos de vida circunstanciais
com o único propósito de adiar a inevitável vindoura enchente de tretas banais.
"Nem deuses nem espíritos
fazem parte dos teus requisitos
na explicação das coisas mais fundamentais.
Energias ou seres de outros mundos
consideras serem delírios profundos
inventados pelos outros comuns mortais.
Em que acreditas tu se tudo te parece ridículo?
Como vives sem procurar explicações para este universo?
Ou limitas-te a viver nisso a que chamas de mente e que mais parece um cubículo
enquanto te asseguras de que tudo tem um científico nexo?"
Um bafo de cigarro.
Um toque de whisky também.
É melhor que bater em quem já não bate bem.
"Tento acreditar no maior número de coisas correctas possível.
E ao contrário de ti, a minha falta de conhecimento não me é horrível
e prefiro a ignorância a calcular invenções
enquanto peido uma filosofia e coço os colhões
sentindo-me seguro de um fantástico segredo mesquinho
que só eu é que adivinho
Sejam eles ovnis, fantasmas, maçonaria,
energias, monstros, ou bruxaria.
Porque tudo o que tu não vês, é para ser inventado.
E tudo o que eu não vejo, é mais um pouco da minha mortalidade que me é revelado."
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº326)
Segregamos
à socapa
invisíveis líderes de corrupção
infiltrando-se nos corpos de outros
fazendo nossa a sua constituição
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº325)
No local onde morreu a Libelinha
disse o Gafanhoto à sua rainha:
"Não julgarei os teus olhos um milagre
que o meu coração é um afídio letrado em melaço e vinagre
mais vermelho que o coro de duas andorinhas ciumentas do Verão,
E este desassossego que me move as pernas é um tique de paixão
que por impossível de conter se torna num sonoro comichão
"E da mesma forma que a relva que nos rodeia aos dois
é o excesso dos dentes dos montes e do pasto dos bois,
será o meu corpo o soneto eterno da tua adiada campa em dobra,
e para o meu testamento em rodapé será essa a minha maior obra."
E foi assim que o Gafanhoto se atirou às mandíbulas da Cobra.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº324)
os seus olhos de tão vagos chegam a ser exactos,
procura o verdadeiro amor numa pista de dança
ou na casa de banho de uma discoteca
porque a solidão parece pesar menos em saltos altos
e os lábios vermelhos que usas para os outros marcar
não tapam as marcas que deixas em ti mesma.
e não vou dizer que tens um coração de ouro
mas não há duvida de que ele pesa mais do que devia pesar
domingo, 30 de setembro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº323)
ainda não nasceste e já te arrastaram
espetam-te na rua e é só para pisar
ainda vai haver trovoada a arrancar as pedras do chão
tirem-me esta droga das veias a que chamam destino
e refaçam-me o corpo nem que seja aos bocados
e a doer
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº322)
Dentro de mim há uma baralho de cartas
de amor
que se desorganizam por baixo da mesa
e quase ninguém vê.
E não sei se és coma de consciência
ou então gaguez de beleza
mas o que tu fores,
perdura.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº321)
Mariana ouve-me com certeza
que se te enganar não é com leveza,
sobre assuntos do coração
não é engano se houver paixão
é tão fácil como eles esquecem
as memórias que a nós nos aquecem
e as meninas que aí nós fomos
deixavam-nos a eles loucos
- mal sabem eles que ainda as poderíamos ser
se nos dessem uma desculpa para estremecer
e os beijinhos que damos aos jovens rapazes,
tão inexperientes e fugazes,
se souberem são capazes de nos matar
por petiscarmos na fome de amar
domingo, 16 de setembro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº320)
Folhas de Outono, folhas de Outono
venham apagar a minha solidão,
chovam do céu para afagar
o rosto da morte da minha nação
E que os estalidos de quem vos pisa no chão
não seja o som dos ossos de quem cá vive em vão
Folhas de Outono, folhas de Outono
o vosso tempo ainda nem chegou,
e já vêm tarde para poder comer
do pão que o diabo amassou
Continuo à espera que me mostrem para onde vou
e tudo aquilo que eu por não poder não sou
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº319)
incrível Façanha coberta por tecido,
de nome sussurro fugido
pregado a paredes, da carne o mural,
seu sangue a impregnar a suada cal
e eu que nunca quis ser rei
nem dono de nada nem de ninguém,
dizes-me que ela é tua
e eu assim sou tua também
domingo, 9 de setembro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº318)
Puta pátria encostada
(quando não ajoelhada)
ao caralho dos mamões
que são eleitos aos milhões
renuncio a este país.
cago para geografia, apenas me interessa a humanidade.
e torna-se claro que aqui, na verdade
tudo o que importa é não se ser feliz.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Pensamentos Divergentes (nº317)
um reino feito lençóis enrolados
e uma vida oca para usar,
estas ruas podem ser boas para passear mas
nesta cama ainda há muito por viajar.
domingo, 26 de agosto de 2012
Pensamentos Divergentes (nº316)
Quem és tu,
ó homem de largos vícios,
para me apontares o dedo a supostas infidelidades sociais
Fazes pequenos comícios por baixo de umbrais
expondo sacrilégios e outros que tais
afirmando-te detentor da verdadeira moral.
Pensas que não sei
que entre conversas sobre perversão
andas a encornar a tua triste e gasta mulher, que só o é a dias
Andas louco de tesão e há impulsos que não adias
e as pessoas para ti são só serventias
da tua mal disfarçada perversidade bestial.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Pensamentos Divergentes (nº315)
o meu guarda nocturno mais parece um bezerro
tudo o que ele diz tem cara de enterro
e só eu é que o ouço nas horas vazias,
tem o hábito de desfazer-me as mentiras
"nunca mais chega a hora de nos irmos embora,
ando há anos a brincar com a bala.
e o bebé chora, o bebé chora
- mas porque é que não se cala"
mãe tinhas razão mas não te dei ouvidos
fazem-se neste mundo os que o fazem à volta dos umbigos
e eu ando para aqui a berrar sobre o meu bocado,
quando eu devia mas é ter ficado calado.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Pensamentos Divergentes (nº314)
Dois pés desfigurados
e o ímpeto de encontrar balanço num plano imperfeito:
foram essas as coisas com que entrei neste mundo para nele caminhar.
As minhas primeiras explorações foram tímidas e lentas,
ossos do ofício de quem aprende a transportar-se num veículo coxo
que rapidamente se habitua a intimidar por olhos menos generosos.
(Não me falem da pureza das crianças,
o que há de mais puro numa criança eu senti no próprio corpo
naquelas brincadeiras de recreio que se alongam quando não há adultos por perto.
Com a pele marcada
e roupa despida à força no pátio
fui uma criança precoce:
ainda no início da escola tinha aprendido tudo sobre humilhação,
e não tardei muito a tentar aprender a arte da invisibilidade
e da desaparição.
Chegou-se então à conclusão que havia algo de errado comigo
por ser tão tímido e tão pouco social com as outras crianças
e ter mais interesse em livros do que em conviver com os meus pares.)
Pediste-me há um tempo imemorável
que te contasse tudo sobre mim que eu nunca contei a mais ninguém.
Nem sempre faço aquilo que me pedem. Segundo a minha memória foi assim que aconteceu.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Pensamentos Divergentes (nº313)
enquanto o silêncio entrava pela porta
pelas frestas da porta
pelas pequenas frestas da porta
irritantes inquietudes de sólidos
comprometidos pela impossibilidade da separação de tudo que não nós dois
eu olhei para ti
e o teu olhar no abismo
lá no fim do mundo
e eu sem te conseguir alcançar
mas e daí há sempre a possibilidade de nos encontrarmos no final da periferia
e perguntei se gostarias de mim assim para sempre
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Pensamentos Divergentes (nº312) - Paneleiro
para que não haja confusão,
quando te chamo de panasca, picolho ou paneleiro
é um recurso que, apesar de deveras foleiro,
uso somente para tua irritação
é que ao contrário de ti eu não creio
ser vergonha ou insulto algum
gostar de uma pila na boca ou no cu
- uso isso apenas como um fim que justifica o vulgar meio
pelo prazer que me dá ver o teu receio
de ver em ti um retrato nu
que bem tentas esconder de ti próprio e dos teus colegas de recreio.
por isso saco desse suposto insulto,
como quem tira roupa do teu armário,
confirmando o teu carácter primário
quando o teu ignorante preconceito te deixa assim bruto
se chupar pila te ofende por te dar nojo só de pensar
deixo-te aqui um pequeno conselho:
arranja um gajo armado até ao joelho
que te escove da boca toda a porcaria que dizes no bar
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Pensamentos Divergentes (nº311)
A bravura rebolava-nos pela língua:
naves espaciais fugindo das bordas de buracos negros,
para dizer coisas tão estúpidas e banais que só poderiam ser pedras seminais de amizade sem esqueleto.
Olha para todo meu poder!
Olha como,
munido apenas dos meus sapatos,
consigo andar por cima destes cacos de vidro
enquanto fazemos da falta de balanço uma dança tão quebrada como as esperanças que ainda haveríamos de partilhar.
Onde estás tu agora
e porque não bebemos um copo como antes,
sem tristezas do presente
porque apesar do presente
um dia fomos sirenes de ambulância
ecoando pelas ruas em brilhantes tons de azul e vermelho
ricocheteando entre as paredes dos prédios
como minúsculos duendes que brincam por entre as inalações de Deus.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº310)
Dá-me qualquer tipo de superfície:
não sei correr,
mal sei andar até,
mas vou-te causar admiração com a arte que tenho em espalhar-me ao comprido.
Fazer as coisas bem
é para gente sem imaginação,
e chegar ao lugar que se quer é de quem vive no tédio
porque pôr um pé a seguir ao outro é fácil.
Hás-de ver como eu tropeço
e dou cambalhotas
e o júri dá altas notas.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº309)
Lendo o jornal ao Domingo,
o Sr. Joaquim perdia a esperança pela razão,
a humanidade está a findar nas páginas
estes comunas vão ser a nossa destruição.
E embora não tivesse más intenções
tinha ficado com um desvio no coração
- restos da guerra onde lá ficou
matando pretos pela África,
perdeu tudo o que lhe importava
mais ainda há gente que assim fica rica.
Na união está a força
foi o que sempre ouviu dizer
mas esta gente parece querer toda separar-se,
divórcios, televisão e mal-querer,
os filhos que já nem telefonam
parece que nunca mais o querem ver.
Morreu sozinho
agarrado ao peito
já sem saudades das glórias passadas:
os mortos recebem mais respeito.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº308)
sinto-me um fora-da-lei
que a única coisa de que é dono é de um chapéu roubado a um morto de rixa.
vou na rua a apontar os meus revólveres de filosofia
e a disparar invisíveis concussões de amor sobre inocentes transeuntes
e é vê-los a pular como marionetas pregadas a balões de ar.
e tu
que me conheces tão bem
que podias usar os meus ossos como giz para escrever o meu epitáfio,
onde te encontras neste momento
em que me acabou a cerveja
e vejo-me só com a minha língua para me lamber os lábios secos.
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