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segunda-feira, 16 de julho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº307)
Mestiços fogos encerram o teu coração numa jaula de luz
- tentei engasgá-los no seus lares
procurando lugares
em que os ombros das nossos dias permanecessem nus
E disseste ao acordarem os pássaros do nosso amor
que se encontrasse o caminho
para entrar devagarinho
que o que restasse de ti seria de um diferente ardor
domingo, 15 de julho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº306)
Vira-te assim
que até pareces mais puta,
reflectindo em pausas suaves o nosso lindo desejo
andando à volta da minha picha hirsuta.
Ficámos na tua cama prostrados
após o treino dado aos tendões:
Eu na graça de Deus
e tu na graça dos meus colhões
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº305)
Já que,
como tu dizes,
temos tendência a complicar em diálogo coisas de uma extrema simplicidade
Digo-te aqui,
sem qualquer tipo de compromisso,
que não sei se isto é amor
ou qualquer coisa do género a que se lhe possa dar esse nome.
Mas de bom grado despedaçaria o meu corpo em oportunidades para te fazer sorrir.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº303)
ando,
por andar,
a gastar a sola dos sapatos
procurando o sítio
onde fizeste este cemitério de melodias
que me deixam a falar afónico do som
para que fiquemos os dois a cantar
Eu não quero pegar fogo ao mundo
eu apenas quero acender uma chama no teu coração
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº302)
Não escrevi um único poema desde que te foste embora:
abro aqui a primeira das excepções
levada a cabo por tudo o que outrora ainda não perdi,
a laminada constante do vazio das emoções.
Porque uma vida não reflectida não merece ser vivida
e eu vejo o meu melhor reflexo em ti.
domingo, 24 de junho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº301)
Esta noite "salvei" um bêbado que não era bêbado
porque
aliás
ele nem bebia.
Caiu-me em frente do carro,
boca em sangue e calças pelos joelhos,
sem se conseguir levantar sozinho.
Não encontrava as chaves de casa,
que foram perdidas à socapa para não acordar a esposa
- que isso sim era um sarilho.
Levei-o quase ao colo,
ele coxo e eu coxo por ele também,
para o deixar em paz
com vidros a partir,
a esposa a choramingar,
e a ambulância a chegar.
A minha missão,
e a tua também se o aceitares
e à minha contradição,
é beber do mundo o que os bêbados não puderem mais.
domingo, 17 de junho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº300)
Não cetim as pálpebras dos teus suspiros
rolos de segredos por outrora revelar
na câmara dos que passam sozinhos
uma melhor carta virá, virá, virar.
domingo, 10 de junho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº299)
cataratas de papel
no teu diário pessoal
e todas as tuas tristezas registadas
para lembrar que há um dia por ser escrito
em que se quebre a tendência das canetas que deixam de escrever
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº298)
MMMmmmMMMMUUUUUUUUuu
enquanto os outros bichos se contentam em pastar
a vaca,
com seus olhos no infinito,
sonha com o que ele pode guardar.
o que ela queria era correr nos verdes prados,
à pressa
mas a bom-gosto,
sem ser atazanada por torpes gados.
MMMMMMMmmmUUUUUUuuuuuuuuu
podia ser melhor que qualquer cavalo.
encorpada
e sem medos,
para quem a montasse era um regalo
mas o seu destino é o de morrer
dar leite
e ser cortada aos bocados.
a relva que pisa é só para ela comer.
E é tudo o que ela tem.
Pensamentos Divergentes (nº297) - A Velha
assim que entra pela porta
acordeões de tristeza agoniam na sua dobra
(a velha, torta,
de melindrosas curvas mais parece uma cobra)
e diz assim para quem a ouça dentro do estabelecimento:
"É um curto e é para despachar
que hoje já não estou mais para me arreliar".
e vê-se que a velha...
não é velha...
- é um jumento.
ainda de pé,
o jegue ofídio recebe o seu café
num semicírculo exímio que não faz se não
que o monte de merda arraste as tetas defuntas pelo chão
enquanto segura a colher de chá no seu apêndice limpa-rabo
para um diabético trago arrastado pelos conspurcados agigantados anéis
que a asna senhora usa para enfeitar os seus dedos de infelizes vernizes bordéis
à velha torta,
com a espinha a incliná-la para debaixo da terra,
- já não há quem não sonhe com ela morta.
mas mesmo quando podre custa afundar um navio se o navio for de guerra
sábado, 2 de junho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº296)
Para o movimento
É certo que com a mão
também há sedução
mas prazer sem igual
é o da língua não-gestual
É certo que com a mão
também há sedução
mas prazer sem igual
é o da língua não-gestual
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Pensamentos Divergentes (nº295)
Os teus olhos
dois frigoríficos a controlo remoto
com a capacidade de esfriar à distância o que quer que lhes calhasse na mira.
E sempre na sua mira
estava eu.
Eu, como que encarnações de um espiritualista manco
que comeu a sua perna para provar que pode acompanhar um outro alguém
mesmo que a pé-coxinho
jogando à macaca por estes labirintos
à procura de calor humano.
E eu sei que escrevia coisas tristes
que escrevia coisas que afastavam
como ainda o faço.
E assustava os meus pais,
sempre preocupados,
Isso não são coisas que uma criança deva pensar.
Porque vocês fogem do desconhecido como vosso maior inimigo
e eu sempre quis fazer do desconhecido um amigo,
sentá-lo à mesma comigo
dar-lhe do meu vinho, comer do seu pão
Conhecer os folhos recônditos em mim
e que existem em ti também
para me conhecer a mim e a ti melhor
para que algo nos aproxime mais
mesmo que só na minha imaginação.
Mas eu desejava ainda mais que cada um dos meus osso fosse um instrumento
para que quando eu tivesse os meus ataques epilépticos
de raiva, frustração e amor contidos,
fizessem música de tal forma alta e assustadora
que tivesses vontade de me agarrar pela beleza da cacofonia
E o único impedimento fosse o medo de te aproximares
e que o teu corpo começasse a estremecer comigo também
E por isso envios estas palavras que eu tenho,
estas palavras que são as únicas que sei ter,
lançadas para o vazio como astronautas desesperados
procurando terra habitável sabendo que nunca mais voltarão a casa.
E quantos deles não morrem abandonados no espaço sideral.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Pensamentos Divergentes (nº294)
Quando era criança
olhava para os meus sapatos.
Olhava para os meus sapatos
esperando que eles falassem
como as crianças fazem com todo o tipo de objectos,
Porque ouvi dizer que os sapatos tinham línguas
e essas línguas tinham cordões
e se os deixasse por atar mais tarde ou mais cedo me iriam falar coisas que só sapatos poderiam falar.
Onde tinha eu estado
Quantas pastilhas tinha pisado
E o número certo de passos apressados em alegria que eu alguma vez tinha dado na sua companhia.
Agora sou homem
e os sapatos são só para calçar,
e já não fico em silêncio a escutar
o que um qualquer objecto inanimado tenha para contar.
E já não troco de sapatos como trocava,
deixei de crescer.
Os sapatos para os quais agora não olho teriam muito mais a dizer.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Pensamentos Divergentes (nº293)
Diz a menina pura
da casta impermeável sociedade
que nojo isso de ser fufa,
escolher ser gay é uma imoralidade
Agarrada à sua melhor amiga
nas noites em que sai para a bebedeira
apalpa-a de alto a baixo
sob o pretexto da brincadeira
sonha constantemente com dois galopantes unicórnios
correndo sucessivamente um contra o outro sem alarme,
ambos envergando o seu bélico clítoris frontal
esgrimando o orgasmo numa trovoada de feminina carne
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Pensamentos Divergentes (nº292)
eu e os meus irmãos pela costa
à procura de amor
para resolver uma aposta
sobre o significado da vida
e o nível de beleza das flutuações de humor
depósito a meio
não fui eu que fiquei de errar
o coração cheio
porque as brisas são rameiras
que nos despenteiam para nos ajanotar
Pensamentos Divergentes (nº291)
Porque levas esse revólver na garganta
e apontas directo ao coração
deixando-me nua perante ti.
Nem me conheço quando estás...
E fico com o mundo inteiro por encontrar
quando ninguém está a ver...
Mas tu estás sempre a ver...
os teus olhos beijando o espaço
entre o meu ombro e o meu pescoço
terça-feira, 22 de maio de 2012
Pensamentos Divergentes (nº290)
A Maria leva-me até casa
leva-me por baixo da sua asa
e com aquele ar despreocupado
acusa-me de ser só mais um despenteado
acertando sempre as rachas no chão com o mesmo pé
e diz-me "Rapaz eu mostrava-te um bom bocado
se primeiro me mostrasses que podes ser o que nenhum de nós é"
E eu
sem querer ficar atrás,
digo "Maria só tu me vais compreender
quando neste caminho eu me derreter
porque todo este alívio que me dá quando tu não estás
é por tanto eu em ti me ver"
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Pensamentos Divergentes (nº289) - As palavras certas
Andava pelas ruas sem saber o que fazer à minha mão.
Na praça só se apressa quem tem fome, tal como os pombos que nela habitam e que correm pelo chão por se esquecerem que têm asas para voar. E a minha pressa era a da fome de guardar o tesouro que tinha na mão e guardar o seu segredo em casa onde o poderia admirar antes de pensar em mostrá-lo a alguém.
Brincavam entre os meus dedos palavras irrequietas às cem, impacientes por crescer e espantar com a sua beleza. Tudo na certeza de serem a solução para os problemas do coração e da tristeza. E eu, sem ninguém a ver, queria-as para mim para conquistar toda a gente ao levar à minha frente o seu poder de falar - seu amor em mim próprio folhado numa folha despejado para toda a gente ler.
Perdi-as no bolso das calças. Foram à máquina de lavar. E todos os dias agradeço essa desculpa para as continuar a procurar.
domingo, 20 de maio de 2012
Pensamentos Divergentes (nº288)
Um grito agrafado no escuro,
a noite ressaca das ruas namoradas pelos vagabundos
sonâmbulos de olhos especados nas pálpebras da loucura.
E tu,
de mão congelada ao lado do corpo,
para não dares por ti a agarrar no braço de um desconhecido
e implorar que te diga que não és real.
A palestra do sangue ecoa dentro de ti
soprada pelo frio que te abraça pelo lombo.
És bola de sabão
a flutuar ao capricho dos elementos
à espera de rebentar.
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