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terça-feira, 16 de maio de 2017

Pensamentos Divergentes (nº 347)


de todo o dialecto entre nós
           e as estrelas e as mós 
faz-me espécie este saber de não sabendo
correndo entre os vértices da barriga do não dizer

estás? o que estás? 
estás aquilo que sei que estás mas que posso estar errado?

dói-me a planta do pé da existência e da insistência do doer de existir.

cai-me só em eco no colo
           ((((e faz de conta faz de conta faz de conta faz de conta que))))
duas mãos são o que basta para mudar o mundo

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pensamentos Divergentes (nº 346)


vai-te merda foda-se o caralho da tiazinha,
que as profundezas do meu, uh, vasto intelecto, também me permitem uma eloquência bonitinha
esporra nessa boca olho de cu diabo te carregue
cogito e julgo que falando os dois assim, quiçá, dinamicamente, permitirá que a inteligência se pegue

come diarreia de um burro na açorda
- é a manipulação política das massas que permite este contexto de crise, não concorda?
caralhinhos te mordam nos ovários da avó
você dialoga como um entendido e fica aqui entendido o que eu penso da sua punheta rococó

eu não QI na tua esparrela
agora engasga-te na tua esporradela.

Pensamentos Divergentes (nº 345)


são aquelas particulazinhas
de nojo e verdade e mais nojo outra vez
nas periferias da garganta
que fazem a gente afogar a goela mês a mês

por isso venha um copo de whisky,
e batuca os silêncios no tampo da mesa
com esse orvalho de preocupações
que cuidadosamente borrifas na tua testa

sem perceber que sou eu quem se está
a borrifar
para ti.



quarta-feira, 25 de maio de 2016

Pensamentos Divergentes (nº 344)


Perguntas-me porque bebo tanto.

Como quem pisa cuidadosamente cartuchos de tiros passados
para não acordar os pássaros que dormem no ninho.

Ou como os putos que fazem do coito um canto, de costas virados para que não lhes vejam o esconderijo.

E o vinho.

"Agora és tu a apanhar".

Fazemos de conta que se esquece, quando cada trago serve para recordar o que na sede nos enlouquece:

A verdade sobre nós tão difícil de expressar.

E a perder,
sem me perder,
faço a silenciosa aposta.

Porque as perguntas mais difíceis de responder
são aquelas às quais nós sabemos a resposta.



terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº343)


um ódio à medida na boca
o aperitivo ideal para o prato principal
drogas, mulheres e um punhado de nada
tudo o que me possa manter no centro da estrada

ó, vê como os pássaros fazem pouco
de ti, de mim e de um azul sem fim
enquanto o turismo do amor engorda a cada dia
um revólver com apenas uma bala como seu guia

mas os dias acabam em pandeireta
só se ouve o fim quando ninguém toca

sábado, 6 de setembro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº 342)


Às vezes,
quando a terra vem ao de cima,
perco o chão.

Um travo a cereja no túmulo da boca.

Como as luzes que vêm ao nosso encontro,
que nem faróis à procura de um porto seguro.

Somos só contentores.
Vazios sem o saber.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Pensamentos Divergentes (nº341)


Agora é noite.

Nos estendais pousam dragões,
duendes de aflições
ainda por tocar.

E na rua, os candeeiros
tão toscos e ligeiros,
deixam estrelas por imaginar.

Lixo, latas e rafeiros,
viajantes e delatores rasteiros,
cantam bêbedos de vinho e luar.

Germinam amores.
Alguns, de todas as cores.
Fazem rodopios,
e definham ao girar.

Agora é noite.

Germinam sonhos
e horrores.
Chegam a casa em fios tristonhos sem rancores
como quem não os pode não esperar.

sábado, 14 de junho de 2014

Pensamentos Divergentes (nº 340) - In Sonso


Minha querida,
minha pequena menina
vem ser o sal na minha ferida,
a minha injecção de endorfina.
Torna-te o tempero da minha crueldade,
o granizo que refresca o meu copo de tempestade.

Estala.
Crack
Esfuma-te nas minhas mãos.
Lambe-me a 5 micro milímetros da superfície dos meus lábios.
quero-te o mais longe possível do que pode ser a nossa proximidade.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Pensamentos Divergentes (nº 339)


Este universo
é quase todo
feito de nada.

Ainda assim,
eu rebolo até ti
e tu até mim.

O sentido das coisas,
é elas não fazerem nenhum
E mesmo assim,
a sua repetição ser encontrada.

terça-feira, 4 de março de 2014

Pensamentos Divergentes (nº 338)


Dou graças a deus, Mulher
por estas cotoveladas de felicidade que me fazes sentir sem aviso.
Fosse deixado aos meus próprios estratagemas sem outro afazer,
e nunca teria descoberto o tédio
como o mais elevado prazer.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº 337)


Vi-o a atravessar a estrada
e mesmo do outro lado, com ele me cruzei.
Esse eu de mim que não me traz nada.

PAZ!
não é sinónimo de descanso,
mas sim o barulho da minha alma quando embate:
o tom natural que é o meu estado de ataque.

Porque a ausência de conflito
é o que a mim me deixa aflito.
Preciso sempre de ser o ponto inerte
de tudo o que se destrói à minha volta.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº336)


Não sei como tem sido a tua vida.
Que coisas nos aproximam ou afastam.
Nem sei se te posso chamar de irmã ou irmão
sem que me julgues invasivo ou mesmo Bob Marleano.
No fundo, não sei de ti se não
o que poderei saber de qualquer ser humano.

Só sei que de ti, espero o melhor do mundo.
E que de mim, espero apenas acreditar
no que de ti quero esperar.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº335)


Se um dia
esta poesia
ou espécie de cacofonia redundante
me entrar de rompante pela porta,
alguém que me espante o grilo falante
- que o espezinhe, esfole e deixe a casca morta,
que chame a sua mãe para descompor o agiota,
qualquer coisa que deslembre
ou desmembre a reles rima que ele arrota.
É que a cepa já vai torta
e é certa a hora, como agora,
em que já ninguém o suporta.

Pensamentos Divergentes (nº334)


Sempre que o tempo pára,
olho.

Não é a mão que se move
nem o corpo que se agita.

É a folha de nada lá fora.
E eu olho.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº333)


Não entendi se falavas português,
ou qualquer outra melodia incompreensível.
Como se as tuas palavras fossem chaves de ouro
e os meus ouvidos não tivessem a forma correcta para as ouvir.

É que eu não acredito em anjos.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Pensamentos Divergentes (nº332)


Eu disse que via as vantagens de uma vida bem vivida.

Não disse que as via para mim.

Por isso antes que me falhe a voz, ou a laringe, ou um rim,
a propósito do meu estilo de viver
e dos meus limitados mas marcantes vícios,
tenho apenas para vos dizer dizer:

Aprecio as vossas preocupações e antecipadas condolências.

Mas estou a fazer patinagem artística nas carcaças de sapateiras gigantes
enquanto conto num relógio de segundos sem segundas intenções,
as minhas abstinências de sono
                              mas nunca as de sonhos e suas seduções.

Esses, pingam-me periclitantes da testa
sempre que o dia-a-dia me baixa os seus calções.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Pensamentos Divergentes (nº331)


Aprendi a dançar em navios sem capitão nem maré.
Aprendi a enrolar desilusões em mortalhas contra o vento
e a recitar o alfabeto da nação sem perder pé.

Aprendi a escovar os dentes depois de comer bosta,
que quem desdenha é porque não gosta
e que se por acaso "denha" é só falta de proposta.

Aprendi que não aprendo nada,
nicles,
talvez coisa nenhuma.
Que é tudo acaso ou repetição da imitação. E que o desconforto não é desconforto coisa nenhuma. É sintoma de viver.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Pensamentos Divergentes (nº330)


Ando a tentar viver sem rodinhas de apoio
e pedalar a vida como quem olha para a frente e só para a frente
no equilíbrio de quem finge saber para onde se dirige e que sabe que fingir é a melhor forma de lá chegar.

Ando a tentar acreditar que somos mais do que estas matrículas de dor que nos fazem ver uns aos outros
"lá vai a rapariga dos mil corações destroçados,
lá vai aquele dos lençóis molhados
e o outro que do futuro só os dedos lhe sussurram o vazio de dias que não devolvem a chamada".

Porque quero ser mais do que o rapaz que lia estórias sozinho
para em solidão descobrir com quem poder conviver.
E mais do que o homem que escreve em solitário sem Ás no baralho nem caneta que espada lhe possa valer.

Ando a ver se dos meus braços se pode fazer violoncelo.
E se ao fazê-lo algo mais terei a perder.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pensamentos Divergentes (nº329)


Por torcer o mundo me afasta. Retorna e entorna lançando gargalos de chorinhos adocicados. E mais, não só isto, sendo tudo o que há por dizer.

domingo, 25 de novembro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº328)

(Porque encontrei 2 minutos livres e já estou a enferrujar)

Um copo de vinho, uma tarde de domingo e chuva que chegue para molhar todos os cães de rua.
Ela, seminua, pratica um bailado sozinho, dançando com o ar e o ar a apaixonar-se por ela.

Levanta-lhe, ao de leve, os ligeiros cabelos na nuca que flutuam em movimento
E em invisível desalento afaga-lhe a astuta frieza dos mamilos.

Inalado por ela morre
para renascer
Renovado se devolve
o ar de arder

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