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terça-feira, 22 de maio de 2012

Pensamentos Divergentes (nº290)


A Maria leva-me até casa
leva-me por baixo da sua asa
e com aquele ar despreocupado
acusa-me de ser só mais um despenteado
acertando sempre as rachas no chão com o mesmo pé
e diz-me "Rapaz eu mostrava-te um bom bocado
se primeiro me mostrasses que podes ser o que nenhum de nós é"

E eu
sem querer ficar atrás,
digo "Maria só tu me vais compreender
quando neste caminho eu me derreter
porque todo este alívio que me dá quando tu não estás
é por tanto eu em ti me ver"

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ela não entenderia mais nada


Não percebeu. É fácil ver como não percebeu.

Promessas de amor e dedicações plausíveis de um apaixonado outrora são - rasgava-se lento o odor da sua fome no ar. Vi-lhe a verdade nos olhos, sabes? A sua mais pura e completa verdade, brilhando num quase opaco latejar de visão. A aflitiva tentação de um par de braços que não se materializa por muito que se lhes reze a existência.

Falou de amor e de amar com corpo, alma e mente. E não percebeu que aí estava o problema e que são tudo o mesmo. É tudo corpo a experienciar-se a si próprio, ansiando por outro corpo como catalisador químico de paixão desenfreada.

E eu vi tudo. Ele não a conquistou porque queria agarrar-lhe esses fantasmas imaginados quando tudo o que tinha de fazer era agarrar-lhe o corpo e não largar. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pensamentos Divergentes (nº282)


enquanto sinistros artefactos se erguiam
misteriosos no colchão dos físicos umbrais
ninfas de desassossego pulsavam nos pés,
um pântano de amor rendido na teia dos sentidos
para beijar
uma
vez
mais

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sim, mãe


São três da manhã e ainda nada mudou.
Esperas catatónico que um anjo te caia na fronte
para mudar a vida que só tu podes mudar
mas a verdade é que tu és inquilino da tua própria existência
e tudo o que fazes é andar no barco para onde a corrente te levar.
Vais fazer o quê
se toda a gente sempre te disse que és um inútil,
a única coisa que podemos fazer neste mundo é não levantar ondas
vais chatear os outros para quê
e para quê então chateares-te a ti próprio com coisas que não se podem realizar.
Arranjar um emprego e sobreviver.
Pagar as contas e talvez casar,
ninguém te pede mais que isso.
Nem precisas de ser feliz,
muito menos ser significante.
Pisamos todos o mesmo chão,
não penses que és mais que os outros.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Pensamentos Divergentes (nº269) - Ses


talvez eu nem tenha de andar atrás de ti
e de tudo o que penso ter decidido para mim
para ser só um pouco mais como tu
talvez eu nem tenha de me roer cru
ou ter estes pensamentos de papel dobrado
para deixar o meu nome como recado
para um qualquer invisível coração

trago os bolsos cheios de coisas que não são
mas que poderiam ser
se as coisas fossem diferentes ao que são
e por isso é que vivo num mundo
que só é mais-ou-menos
um pouco cá
e outro acolá


terça-feira, 3 de abril de 2012

Pensamentos Divergentes (nº267)


tenta
e facilmente verás
o traço raposa que dilui por trás do nosso caminho

mais tarde poderemos discutir os méritos e implicações
da facilidade de ver tão real aquilo que é imaginado
por agora,

beija-me.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pensamentos Divergentes (nº263)


és vazio de ideias
        burro de pensamento
e nem os teus pés servem para te segurar
        ao chão
           tens medo de cair para o meio do ar
                 és só a confirmação dos genes dos teus pais

não sabes escrever
      nem sequer falar
é só auto-flagelação
      para soltar endorfinas
           que serão a tua salvação
                durante dois segundos ou mais

sexta-feira, 23 de março de 2012

toca-e-foge


Está-se a esvair em sangue, caralho!
Ali, já ali e ninguém faz nada!
Atropelaram e foram-se logo embora como se não fosse nada
está ali a morrer a esperança e ninguém ajuda
está ali a morrer a vontade de viver e ninguém chama quem ajude
assassinaram-me o optimismo,
desbrotaram-me o cinismo da boca à porrada
e não tarda já nem eu acredito,
não tarda sou eu a dizer que não atropelaram coisa nenhuma
e que aquela merda nunca existiu.
Que era só uma ilusão e tudo que se foda.
Ajudem-na foda-se.
Ajudem-me a mim.
Ninguém devia ter de suplicar.
Vão-se embora
que não há nada a fazer
e o estúpido ainda sou eu.
Eu não quero abrir os olhos coisa nenhuma, foda-se!
Não deixem é que os olhos dela se fechem
que aí é que está tudo acabado.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº245)


professores tutores educadores
educando as dores dos futuros setôres
incapazes senhores de largar da própria mão
que pior que contestar a autoridade da sua irrazão
é questionar em ingénua genuína curiosidade
o porquê da inevitabilidade do seu Não

Pensamentos Divergentes (nº244)


padres partem putos como pratos
pratos retratos de recônditos resguardos
de relembráveis renegados passados
passados portanto partindo putos pratos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº238)


Tenho armado as noites com o meu cavalo de vidro,
tapando-me com um cobertor de retalhos dos nossos amores falhados
pronto para lutar as guerras já perdidas com os soldados mortos cravados nos lábios de toda a gente que sai para estas ruas com a coluna em espiral de olhar em torniquete.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O sacramento da penitência e da reconciliação


Em segredo atraiçoo o nosso amor
pois nunca saberás dos meus planos suspirados às escondidas
e do meu ódio encostado ao reflexo de tudo aquilo sobre o qual minha sombra cai

É que não há sentimento gentil que possa ter por alguém
maior que o que sinto de mim mesmo
e guardo tanto em mim que alguém como tu nunca poderá adivinhar

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº230)


Clara como a trompete do anúncio do fim
meu eterno amor, vamos dedalar as pestanas nos nossos olhos repousados
para construir uma nação estranha e viver nos prédios dos nossos gestos falhados

um aquário negro e solitário e um tempo sem fim
para olharmos um no outro sem pestanejar
eu em ti e tu em mim para sempre
como duas estátuas mortas que desconhecem a forma do se ser

nada seria mais romântico
que não existir a teu lado

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº228)


morte não me engana a morte
que a morte é engano de vida
e viver é a morte enganar

mais será certamente
mas mais se engana muita gente
que só gente que se engana pode falar

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº227)


cada dia que passa
perco mais a piada
estou menos belo
menos jovem
menos brilhante
e já não fascino desconhecidos
dá-me a mão
que os nossos dias acabaram

domingo, 8 de janeiro de 2012

Pensamentos Divergentes (nº225)


mantém o meu recorte
por baixo do teu ombro esquerdo
que da vida para cá
o sofrimento
é de braços dados
com o barco que vai
com a fluente do teu menor lamento

dá-me esqueletos
com beijos regados
na fronte marcados
para tapar o mundo
e uma carta de amor num envelope sem fundo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pensamentos Divergentes (nº220)


Não há mais flores no jardim a regar a terra com reflexos do Sol
e não há mais um jardim para beijar às escondidas de Deus
Reconhecemos as palmas das mãos, fumadas pelo vento de mudar
mas acabaram-se para sempre os cantos que te podiam salvar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pensamentos Divergentes (nº218)


tenho-te na memória do suspeito
do semicírculo que há-de vir:
rapaz menos moço,
olhos gretados de tanto amar na distância
e um simples estandarte cravado no peito
a anunciar a despedida dos teus segundos
a desejar por terceiros
e o sangue a fluir em sopro
mas nunca aguado.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dedos cruzados são dedos amados


Pelas entrelinhas entrelaça a fraca resistência de caminhos dirigidos ao prazer da carne. Prova com as pernas o toque da sua pele, suave à tensão que se descarrega e recarrega com a doçura e a surpresa de ondas arquitectadas para a divagação da escrita da linguagem dos sentidos divinamente funestos. Lambe-lhe a mão como para provar cada objecto tocado - amantes do passado em desalinho na maratona de tudo o que se enterra para não ser visto. Ela é bonita e por isso rasga-lhe a franqueza. Entrega-se com toda a sinceridade sem jamais poder ser seu. Uma hora-e-meia, talvez duas... os quadros tortos na parede e uma ou outra vaga alucinação do coração. Ela vai deixar-lhe a saudade da tristeza.

domingo, 16 de outubro de 2011

Sem roupa nos ossos


respira o meu ar
naquela rua de prata
onde me encontraste primeiro
numa pilha fumegante de tentações
e onde orámos com os olhos
Que o subtexto das nossas palavras
não se perca nunca mais
no redemoinho das conversas circunstanciais

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