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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Baixo


anda pequenina a tristeza benigna que me ensina o assunto da calma à tempestade em alto-mar
porque quando passa a menina bate a necessidade surdina de tomar a clorpromazina para acalmar

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Autopsicobiografia dos meus amores, da minha adolescência, e dos meus amores

A nossa disforme eloquência de sentimentos mancos e as nódoas nos sapatos. Projectando as nossas inseguranças no éter. Nódoas de lágrimas nos sapatos e o rímel esborratado. Tudo o que amávamos um no outro era a nossa capacidade de fingir que eu era algo que não era. E tu nos teus castelos de areia, na torre mais alta a desvendar um novo músico, artista ou modelo para te fartares a seguir. Eu uma imitação barata e mais acessível com a qual nos podíamos entreter. Fugindo à realidade das plásticas percepções que criávamos para não ter de estar sós. Sabendo em uníssono que eu não servia para ti e mesmo que servisse deixara de ser novidade. E as minha únicas característica interessantes eram a minha neurose e a minha vontade de morrer. Então matámos o bebé porque era a única forma de adiar que eu me transformasse nos meus pais e tu nos teus. Matámos o sexo um do outro e finalmente matámos o amor que nunca foi. Trapézios de luxúria para arder.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O quarto


o corpo vago
olha da cómoda
suada de ornamentos
incómoda
espera por tempos
incrustados
na planta da memória
para tomar em drageias
não-vivas
por
ver
que
vai
ser

sábado, 25 de junho de 2011

Ouroboros


Para quê essa tua boca que me cicatriza o movimento das minhas horas em redondas emoções? Vou sempre parar no mesmo sítio, e se um sítio deseja ser alcançado que o seja mesmo que em círculos. E eu não sou um robô. Eu sei que não sou um robô. Eu escrevo, por isso não posso ser um robô. Para se escrever é preciso sentir e um robô não é capaz de sentir. Mas eu escrevo para não sentir e para o fazer abraço-me na circunferência que é o meu umbigo. E o que eu queria era viver como quem faz amor como quem se prepara para ir para a guerra. Deixar de escrever nesta pena. Deixar de molhar a pena na tinta para escrever.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pensamentos Divergentes (nº186) - Canção de Desengate


por querer ser mais que teu ombro
acabei por ficar na tua mão
preso nas árvores do bocejo vazio em que iam parar todas as pedras perdidas, atiradas à água

e esse teu amor com sotaque a desinteresse
os beijos como quem afasta preguiçosamente uma mosca
eram tudo como eu queria ser e queria fazer sentir, vingando-me na cama entre arcos de desdem

só quando fodia as outras sentia que te podia foder a ti

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Autobiliofagia


Quem pensas tu que és, se não és nada disto. Queres-te ver nas montanhas mais altas e nos abismos mais fundos, queres-te ver nas obras dos grandes e no intelecto dos geniais e também na crueza das mulheres de rua batidas com que por vezes te cruzas e que no teu mais fundo te dão asco. És como o Narcíso só que a tentar ver o reflexo numa poça cheia de lama que de ti só devolve a estagnação e o peso grumoso do peito. Fazes-te de artista a olhar para o infito à espera que ele ceda e pisque os olhos, mas quem perde o jogo és sempre tu. Mas podes ir abanando o corpo ao som da música e podes respirar um ar melhor do que qualquer um merece. Só que isso não chega. Nada chega porque tu não chegas lá. E todo o teu tempo é a desejar o que não sabes.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Nómadas


Tudo balançava na ponta de um desejo ténue que caia a pique nos ombros mordidos da ausência de Sol. Entre os cabelos lindos só a boca que cuspia merda nos olhos que fixassem de amor, pronta a armar de balas disparadas contra quem ainda não haveria de ser. Um amor abortado que apenas o enjoo mantinha vivo. O amor só é belo se doer e nos teus só existia dor. Hás-de me atirar fora de casa, mandar-me à minha vida. Mas eu lembro-me de tudo; menos do que não me convém.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Apanhei-te


Agora com os lábios interlaçando o sabor das amoras que apanhava quando era puto. Cinco gotas de pederneira atravessando-me a fronte, capaz de embater no azul sinfónico por trás da cortina. Enrolado em mantas para não abafar tudo o resto, move-me os cilindros e venda-me as intenções corridas a beijos e diz-me adeus a tempo de não ter de o dizer.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

21:53


Dir-te-ia que não, mas deixei-me dormir ao volante. Cada pedra está agarrada ao mundo por um fio e é como o beijo de uma traça. Mal está lá para ser sentido, só suficientemente próximo do ser para que possa ser reconhecido. E hoje tudo são pedras. Todos vocês são pedras. E eu também seria se estivesse consciente, mas deixei-me dormir ao volante. Estou à espera.

terça-feira, 3 de maio de 2011

"To think a man's true when the wine's not in him"


Nesta nossa relação partilhamos uma linda dicotomia harmónia. Eu documento a minha Babilónia e vocês ficam à espera para ver se devem aplaudir ou não. Eu regorgito os meus vícios e pedaços semi-verídicos de eu e vocês avaliam quão baixo eu desci. E quanto mais na cave, maior a vontade de assistir. E alguns de vocês queriam andar ao meu lado, talvez de mão dada, mas não querem mesmo. Não sou se não o veículo para as fantasias que não conseguem banhar em vós próprios. Se a vossa masturbação fosse inadulterada do produto verdadeiro não precisavam de mim para nada. E eu faço tudo o que faço não porque é o que faço mas porque não sei fazer o resto. Não tenho se não esta forma de viver e eu quero ser explorado e quero que acreditem que sou mais do que sou porque assim ajudam-me a enganar-me a mim próprio de que sou mais do que sou. E não suporto a ideia de ser apenas eu mesmo. O mundo todo antes de mim mesmo. Se não puder ter isso, então o fim do mundo. Porque se não para isso, de que me serve ele?

Salvar o mundo


O coração gripou. Nos lábios a nódoa das palavras que nunca tinha dito e que lhe tentaram arrancar à força. Um muro implacável de ar que lhe impedia de dizer as coisas mais importantes. Não sucumbir, não ceder, não se amar. O mais perigoso era amar-se a si mesma. Tudo no mundo era previsível, um tédio. Mas ninguém na história da humanidade sabia o que poderia acontecer se ela se amasse a si própria. A única coisa certa era a catástrofe de não saber que catástrofe a esperava.

terça-feira, 12 de abril de 2011

na ressurreição da carne


E agora a vida era só a primeira tentativa e não havia problema. Eu e tu podíamos voltar atrás, nascíamos os dois outra vez e tudo ficava bem. Desta vez ia ser a sério e não tínhamos de rezar escondidos debaixo dos cobertores. Agora nascíamos outra vez e os teus... Nascíamos outra vez e desta vez toda a gente gostava de nós e éramos felizes. E então aí já não tinhas de morrer nunca mais e entravas de novo pela minha porta com um sorriso e eu nem me admirava. E víamos tudo um do outro, um no outro, e eu nunca mais perdia ninguém. E agora eu tinha razão e era tudo verdade e recomeçávamos já. E agora eu tinha razão e era tudo verdade e recomeçávamos já. E agora eu tinha razão e era tudo verdade e recomeçávamos já...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Desabafo Democrático


Larga o punho cerrado que o teu mal é respirar. Entretens a vida a respirar com esse sibilar irritante de asmático, cada inalação mais inútil que a anterior. O melhor de entre nós não merece mais que comer a merda que nos dão de graça. O melhor de entre nós não merece mais que levar um tiro nos cornos depois de ser espancado e largado numa valeta. Eu lavo as minhas mãos, ressuscitem o filho da puta do Salazar, vejam lá se me ralo. Apanhem todos com a dita dura no cu que eu já não quero saber de ninguém, é bem feita que nos fodamos todos. Viver mal dá mais gozo que viver bem e não ter desculpa para os estupores que somos. Que tens feito tu de útil ultimamente? Que fizeste desde que nasceste? Um caralho, é o que tu fizeste. Só servimos para estragar um pouco mais a vida dos que nos rodeiam. E não me apontes o dedo, sabes bem que tenho razão. Se não tenho remédio se não ser um cabrão, prefiro ser um cabrão honesto. Ao menos deixem-me falar enquanto posso, que se for feita a vossa vontade nunca mais posso abrir a boca. Quero que reinem na vossa imundisse seus filhos da puta. Quero que digam com todo o gosto que o problema do mundo são os jovens, os libertinos, os paneleiros, as putas, os drogados, os pretos, os monhés, os ciganos, os ateus, o governo e a porra do padeiro. Quero que digam tudo o que têm a dizer porque no fim morrem todos miseráveis e sós. O problema são vocês. O problema é só quererem problemas e não soluções. O problema é a vossa vida ser toda dedicada a foder os outros. O problema é não terem cortado os pulsos partir do momento em que começaram a dizer barbaridades. E merda para mim e para todos os outros porque fazemos parte da vossa raça. Merda para todos os que não vos espancam cada vez que abrem a boca porque é contra os seus princípios e isso é baixar ao vosso nível - cobardia é o que é. São todos loucos, vejo agora que são todos loucos e querem-me levar convosco e um dia vão conseguir. Um dia quebram-me a força e deixam-me como vocês e eu ainda felicito os abutres. Espero que nesse dia a minha carne esteja tão azeda como os vossos corações e que vos dê uma indigestão - "Vão à merda, vão à merda, vão à merda".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Casca de Noz


Lembras-te quando tínhamos os dias contados? O calendário era dividido em comprimidos que nos mandavam tomar, e os outros que nós decidíamos tomar. Esperanças dilatadas dissipando mãos infinitas no éter. E as quatro paredes, quadro míseras paredes, sobejavam em vastas coisas.
Conta os dedos dos pés outra vez para ver se é mesmo verdade. As drogas sempre te deram para a paranóia. Eu tocando guitarra e tu a chorar de janela aberta para me gelares o corpo.
Morreste no fim de um Verão.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

póspectiva

Porque quis escrever algo mesmo que não fosse bom

Dentro de mim
há um homem que julga ter pernas infinitas
afastado da sujeira da terra, do fértil e de um lugar
Dentro de mim
mora uma mulher que chora todos os dias por ser ela
ela como as ondas que naufragam sem rebentar
E dentro de mim
vive um miúdo carregando dois potes vazios de amar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pensamentos Divergentes (nº166)


Trava com os dedos a luxúria que lhe passa nos cabelos.
As palavras podres de uso caem-lhe dos lábios em fios de orvalho
(lubrificante para a alma), limpa-se à outra carne
e cospe em migalhas a honesta pornografia que lhe torturou o peito.

domingo, 10 de outubro de 2010

Pensamentos Divergentes (nº165)

Para o movimento

O seu ventre fazia alvorada no horizonte do lábio
num tremor sincopado, o mesmo que condensa diamantes.
Fez-se o mundo na boca dele e o mar rompeu em púrpura,
o regaço do cosmos na ponta dos dedos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Esmagando tudo o que és, tudo o que sou


senti cobras dançarem no teu ventre
enquanto os teus olhos diziam
Quero Morrer

agora o pó assenta mais pesado
e os seios já não se erguem
jazem tombados nos lençois de ontem

e a tua mãe chora nos dezoito anos de aborto
que melhor podiam ter sido usados
nos homens que a desamaram

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Alcoolobetismo


A cadência dos sentidos respira-me em ósculos a vida de saber
do saber viver a deflacção dos minutos em álcool e inutilidade.
Sou o cume de mim mesmo
sou o alfinete no abismo do mundo
e ninguém para ouvir.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Aos pedófilos e católicos

.
Chato nato carpinteiro
que por rezar pelo joelho
lacra o fato de porteiro do céu
para chegar até ao fedelho incréu.
Missa de branco prístino
larga a paróquia dentro do menino
de escroto pequenino dá o seu sermão
para as ovelhas que o tiram da prisão.

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